• Lukas Ramos

A diversidade por trás do pop viciante de Luê


Luê dá incio a nova fase na carreira com o single Virou o Zoínho (VICIEI). Créditos: Julia Rodrigues.

O pop nacional passa por uma boa fase. Ritmos populares se encontram em experimentações sonoras que agregam nuances mais modernos e ultrapassam fronteiras em busca de novos estilos. Com isso, esse gênero fica cada vez mais diverso e só aprimora a música brasileira. Um exemplo dessa mistura boa é a cantora paraense Luê.


Na última sexta de agosto, 30, ela lançou o single Virou o Zoínho (VICIEI), que mescla os ritmos jamaicanos dub e reggae com as músicas latina e eletrônica, sem esquecer dos sons da região Norte e a presença da rabeca - instrumento que se tornou uma marca registrada da cantora. Luê resume a canção como uma "dubzeira rabequeira sexy suave".



A música marca o início de uma nova era na carreira da cantora. Mas, ao mesmo tempo reflete o trajeto da sua discografia. Em 2013, Luê lançou A Fim de Onda, seu disco de estreia. O trabalho reúne, ao longo de dez faixas, ritmos regionais da sua terra natal, como a guitarrada e o carimbó. Esses elementos se uniram a elementos de pop e soul e o resultado é uma festa leve e orgânica da música paraense. O disco também é marcado pelo uso da rabeca. O instrumento, semelhante ao violino, tornou-se um elemento importante na construção dessa instrumentista, que toca violino desde os 9 anos de idade e se apaixonou pela rabeca também quando criança, enquanto assistia a Marujada de Belém.


Já em 2017, Luê lançou seu segundo álbum de estúdio, Ponto de Mira. Nesse trabalho, ela se joga em novos gêneros musicais. O som regional e seu instrumento favorito ainda podem ser apreciados, mas dividem o brilho com as bases eletrônicas e os sintetizadores, assim como flerta com o pop, o reggae e o trip-hop. Aqui, separamos um espaço para destacar o single Chega Logo (minha favorita do disco), que na descrição do clipe é definida como uma das faixas que mais reflete o novo estilo musical que ela adotou.



Num bate-papo com a Sidetrack, Luê conta que pensa na música como um "organismo vivo" e que não se sente obrigada a trabalhá-la como um nicho específico. "Muita coisa me inspira e, se tratando de criação musical, gosto de me pôr a prova e testar algo absolutamente novo, me deixo influenciar muito pelos sons que estou ouvindo no momento". Sobre a mescla de sonoridades, ela responde: "Quando eu faço uma música com uma “sonoridade mais paraense” é porque senti que era o momento de reconectar com minha ancestralidade, pois isso também sou eu. Mas, tem tanto a ser explorado ainda e eu gosto de me sentir livre para experimentar de uma forma natural".


Essa busca por novos sons retoma o assunto inicial desse texto: Virou o Zoínho (VICIEI). A música é cheia de novidades para a carreira de Luê, que aqui traz novas referências musicais e temáticas às composições. Para a cantora, esse single representa uma renovação. "A última vez que lancei algo novo foi meu disco em 2017, então esse single tem um frescor novo bom de sentir". Concomitantemente, ela acrescenta que a canção também funciona como um desenvolvimento do que foi trabalhado no último álbum. "Ele [o single] representa uma continuidade na busca de uma sonoridade que iniciei em Ponto de Mira. O momento é diferente e tenho novas referências, mas continuo falando a partir de um relato ou pensamento ou experiência minha. Dessa vez o tema foi prazer e libertação sexual", pontua.


Assunto que ainda não tinha sido abordado nas músicas da paraense, a sexualidade feminina é o tema central da composição de Virou o Zoínho. Nas redes sociais, Luê discorreu sobre a temática. "Talvez seja um assunto batido mas pra mim nem é. Eu achava que era toda trabalhada na liberdade sexual, mas ao longo dos meus 30 aninhos percebi que.... [...] Não é do interesse do *alerta palavra cansativa* patriarcado, que a gente goze. Deve ser porque a mulher que conhece seu corpinho e tá de boas com ele, quando essa mulher se molha, meu amor, ela tem muito poder né mesmo? Tem sido interessante redescobrir o meu corpo e todas a sua potência/limitação", disse ela na publicação.



Durante a entrevista para nosso site, Luê também comentou sobre levar sua música para o mercado pop e o mainstream. "Gosto de pensar em mercado, acho que é uma parte do trabalho importante para entender como as coisas funcionam na música no mundo hoje e adoro música pop. Tô curtindo levar meu som para essa atmosfera, mas antes disso, música tem que partir de um lugar honesto, tem que ser algo que eu realmente goste e me identifique se não perde o sentido".


Virou o Zoínho conta com a colaboração do produtor Mateo (@eusoumateo), do Francisco El Hombre, e de Luísa Nascim (@luisa_nascim), vocalista do grupo Luisa e os Alquimistas. E, para o futuro, Luê diz que tem outras parcerias a caminho. "Tô trabalhando em um novo single agora que vai ter participação do Sandro (@pensandro - músico e produtor que tem trabalhos com Supercombo e El Hombre, e desde 2018 investe em seu projeto como artista solo)". A paraense também falou sobre seu sonho de colaboração. "Tem muita gente que eu quero fazer parcerias. Mas queria muito muito fazer algo com Jorge Mautner (@jorgemautner1), sou apaixonada pela obra dele e ele também me influencia muito enquanto instrumentista. Adoro o jeito que ele canta e toca violino".


Ela ainda pontuou alguns detalhes sobre as influências que guiarão seus próximos trabalhos. "Eu amo pesquisar timbres novos e tô cada vez mais dentro da sonoridade eletrônica, mesclando com o meu instrumento que é a rabeca. Esse é um momento em que eu to dentro do estúdio experimentando sonoridades, testando sobre o que eu quero falar e pra que direção quero levar a minha música. Tá tudo sendo estudado e sentido com carinho. Em breve, vou soltar singles que serão frutos dessa pesquisa".


E, nesse equilíbrio entre suas raízes musicais e as novas experiências sonoras, com muito talento, Luê mostra o quanto a música é um território sem limites.

Para conhecer mais, você também pode ouvir Luê no Spotify.



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