• Anna Clara Fonseca

A INTENSA ELEGÂNCIA DO WINGS (PARTE 2)

Atualizado: 2 de Dez de 2019

Já parou para questionar o poder da música no mundo? Já pensou sobre sua existência milenar alcançando até os dias de hoje ou então observou sua atuação na sociedade atualmente? Ela foi elementar nos anos 70, quando jovens lutavam contra guerras injustas, criando letras reflexivas sobre uma realidade revoltante e involuntariamente, tornou-se voz e mente daquela geração. Seu legado continua intacto até os dias de hoje. Por onde andamos, a música está presente: nas lojas de roupas, nos restaurantes, em salas de espera e, se você for como eu que não vive sem ela, até mesmo no banheiro, enquanto toma banho, nos festivais de música e baladas, que proporcionam momentos extraordinários regidos pela mesma. Ela também tem um papel essencial na sétima arte. É através dela que descobriremos se morremos de amores ou medo. Além disso, é inegável o poder que tem sobre o ser humano. É cupido para casais, trilha sonora para aqueles que vão trabalhar toda manhã e combustível motivacional para aguentar exercícios na academia. Gosto de dizer que a música é uma linguagem universal. Imagine uma sala com várias pessoas de diferentes países. Elas não falam a mesma língua e isso é óbvio. Entretanto, assim que algum rap do Snoop Dog começar, todos conhecerão e cantarão juntos, desenvolvendo um sentimento que só a música pode provocar.


Já perdi a conta das vezes que a música foi meu refúgio espiritual. Meu trabalho aqui na Sidetrack Magazine é o mínimo que posso fazer para transmitir todo meu amor pela primeira arte. Com base em tais indagações, observei minhas mudanças pessoais após a descoberta de alguns álbuns. Four, do One Direction, abriu um sorriso de orelha a orelha, enquanto Wish You Were Here, do Pink Floyd, me deixou mais atenta sobre as ações do ser humano. O Rumors, do Fleetwood Mac, transformou minha visão sobre amor, mostrando que ele e o caos andam lado a lado. Encontro uma pessoa totalmente diferente quando penso no Wings do BTS.



Não preciso forçar a memória para recordar a primeira vez que o ouvi. Era madrugada, fazia frio e minha insônia era a única companhia naquele momento. Como BTS era novidade na minha vida, decidi assistir seus vídeos antigos. Apesar das circunstâncias não serem favoráveis, frio e sono eram as últimas coisas que sentia, estava curiosa demais para prestar atenção nisso. A noite seguiu tranquila até chegar no vídeo: “WINGS Short Film #1 Begin”. Eram teasers solos de cada membro sobre o respectivo assunto. Cada um tem sua história, que de maneira subliminar (não tão subliminar assim), estão interligadas entre um vídeo e outro. Defino esses mini-filmes em duas palavras: pura arte. Cheio de simbolismos, metáforas artísticas, linguagens visuais e extremamente ricos, fotograficamente falando. A parte técnica casa perfeitamente com a produção, nascendo lindos frames capazes de pisar em muitos filmes hollywoodianos por aí. Naquela mesma noite, minha mente recebeu uma enorme quantidade de oxigenação que acabou sendo revertida a motivação a continuar com alguns projetos pessoais parados, revisitar minhas ideias e encontrar com uma personalidade minha que não via fazia tempo. Não consigo descrever bem com palavras o que senti naquele momento. Foi extremamente único o sentimento vivo que palpitava em meu coração.


Talvez minha análise não seja cem por cento fiel ao que eles realmente querem dizer. Muitas informações poderão faltar e provavelmente você vai querer me corrigir em alguns momentos. Todavia, no final do dia, não importa qual história faz mais sentido, mas o que você sentiu e absorveu daquilo, entende? Interpretação é algo extremamente pessoal, cada indivíduo enxerga a mesma perspectiva de maneiras únicas. Arte é sobre isso. Pode ser que o que meu pensamento sobre o disco possa estar equivocado com o real significado que os meninos prepararam, entretanto, falando de maneira um tanto egoísta, o que meu coração sentiu ao ouvi-lo pela primeira vez conta muito mais.



O LEGADO SINGULAR DE WINGS


Se em The Most Beautiful Moments In Life o assunto era sobre a juventude, em WINGS, o tema permeia numa jornada eterna: tentações e crescimento. O segundo álbum de estúdio foi introduzido ao mundo em Outubro de 2016 com o single Blood Sweat & Tears, um dos maiores sucessos até hoje. Sua fama foi instantânea. Em apenas 24 horas atingiu seis milhões de visualizações e após três dias, alcançou os dez milhões. O desempenho comercial foi estrondoso, logrando a posição mais alta na Billboard 200 novamente, vendendo milhões de álbuns físicos e digitais ao redor do mundo.



Em uma entrevista a KBS, Namjoon nos explica que o conceito principal são os garotos encontrando suas tentações. Wings nos apresenta através de metáforas artísticas e alegorias visuais o que tentações causam em nosso ser. Demandando grande poder sobre nós desde os primórdios, ela pode tomar inúmeras formas, assim como pode contatar nosso íntimo de outras maneiras. Apesar de sua essencialidade ser sobre esse assunto universal, ele carrega questões bastantes pessoais ditas em entrelinhas. Uma das principais inspirações para o desenvolvimento do conceito foi a obra de Hermann Hesse, Demian. Publicado em 1919, o livro relata o amadurecimento de Emil Sinclair, um jovem incomodado com questões a sua volta até conhecer a resposta em forma de Max Demian, um dos seus colegas de classe. A amizade dos dois vai trazendo os tão requisitados esclarecimentos de Sinclair, mudando a vida dele para sempre. Alguns trechos da obra são citadas no começo dos teasers de cada um, ilustrando o contexto e sentimento da situação.


O disco dá início com o exórdio Boy Meets Evil, um relato sobre a perda da inocência. O amor já não tem aquela imagem doce e bela, ela se tornou amarga e mal. Cantada violentamente por Jung Hoseok, a dor em sua voz é promovida por uma desilusão amorosa, que pode ser confundida com um vicio inerente, um mal hábito. “É errado, ruim, mas tão doce...”.


A faixa-single Blood Sweat & Tears consegue capturar a essência do álbum e tirar todo sangue, suor e lágrimas dela. Seu pop eletrizante carregado de sensualidade engana com sua letra redentora e capaz de passar por qualquer coisa só para sentir tais sensações novamente. “Meu sangue, suor e lágrimas, minha respiração fria, leve-os todos. Eu te quero muito.” Segundo Hoseok, a música fala de como uma pessoa pode dar tudo para alguém e ainda salienta: “é uma canção sexy de tristeza”. Estou inclinada a concordar, J-Hope.


Um dos motivos deste álbum ser tão especial é o fato de carregar os primeiros solos de cada um. Não sei se perceberam, mas ainda não falei sobre eles e acredito que não há maneira melhor do que apresentá-los através de suas letras individualmente artísticas.



#1 BEGIN



Composta, cantada e dançada por Jeon Jungkook, Begin é uma homenagem a sua família: o próprio BTS. Ele debutou com 15 anos, mas já havia deixado sua casa aos 13 para seguir seu sonho. É necessária muita coragem para fazer o que ele fez, porém força e determinação são apenas uma das incontáveis qualidades que esse jovem carrega. Seu apelido mais famoso é Golden Maknae (caçula dourado) por ser bom em tudo o que faz e o título não é à toa: ele é realmente bom em tudo. É um dos dançarinos principais, vocal, visual, é ótimo com esportes, gosta de editar vídeos e desenhar. Não bastando, carrega um amor imensurável por suas fãs, se esforçando e dando seu melhor a cada momento, pois sabe quão único é para elas tanto quanto é para ele. Toda sua formação foi desenvolvida pelos garotos a sua volta, ele carrega um pouco de cada um dentro de si. Na canção, ele enfatiza a extraordinária transmissão de motivação que os eles dão para o próprio, simplesmente foram o verbo para ele começar. Reforça sua intensa ligação quando diz: “Sinto que estou morrendo quando meu irmão está triste. Quando meu irmão está doente, dói mais do que quando eu estou doente.” Mas no final do dia, eles irão sorrir juntos. Quando a canção foi lançada, Jungkook devia ter 19 pra 20 anos. Estava se libertando da adolescência para atingir a vida adulta, logo, muitas coisas haviam mudado dentro dele. Apenas uma permanecia imutável: seu amor pelos seus irmãos. Ele cresceu aos olhos deles, passou todo esse período trabalhando e sentindo pressões internas, midiáticas e sociais diariamente. Contudo, sua força sempre foi e será reabastecida através do amor e carinho que os membros dedicam a ele.


#2 LIE

Jimin / Park Jimin

É uma honra ser presenteada para a alma artística que Jimin emana. Meus ouvidos ainda me agradecem por Lie ter cruzado o caminho de nossas vidas. Estudante de vários estilos de dança, incluindo a contemporânea, dançar não é brincadeira com Park Jimin. Ele é um dos dançarinos principais e assim como Jungkook, faz parte dos vocais. Sempre transbordou talento, o que acabava acarretando constantes comentários positivos sobre suas habilidades corporais enquanto dançava. Entretanto, ele vivia em um relacionamento abusivo consigo mesmo. A autocobrança que o próprio se colocava flertava com o ponto mais alto. Ele foi alvo de inúmeros comentários infelizes sobre seu peso, aparência e aptidão vocal desde o debut. A partir desse momento, passou a ser altamente duro em suas ações: deixando de comer para chegar ao peso “ideal”, dormindo poucas horas por dias, treinando até de madrugada, entre outros. Esse cenário particular é descrito metaforicamente na letra artística de sua canção. O desespero em sua voz expõe sua fraqueza em sempre cair no mesmo sofrimento o torturando lentamente. Ele quer fugir, se livrar dela de uma vez por todas, porém sempre acaba o encontrando e magnetizando, novamente caindo na mesma mentira. O poder da melodia se harmoniza com o ballet contemporâneo protagonizado pelo mesmo, causando arrepios em lugares que nem mesmo imaginávamos. No MAMA 2016, ela também foi a responsável por abrir a apresentação do grupo, junto com Boy Meets Evil, sendo um dos stages mais aclamados até os dias de hoje. (Spoiler alert! Ele está dançando vendado).


O que Jimin faz é extremamente único para nossa época. Quando sua inteligência corporal se encontra com seu amor pela dança, tudo se torna possível aos nossos olhos, convertendo seu ato em uma experiência. Vê-lo realizando sua arte, seja lá o que for, sempre será um dos melhores presentes que podemos ganhar.



#3 STIGMA



O terceiro solo é cantado por uma das vozes mais icônicas do grupo, Kim Taehyung. Proprietário de elegância e primor, seu coração honra a definição “artista” com louvor. Além de fazer parte dos vocais por ser barítono (timbre entre grave e agudo), compõe, toca saxofone e atua. Seu primeiro dorama foi Hwarang: The Beginning, que o próprio participou da trilha sonora juntamente com Seokjin, na canção Even If I Die, It's You. Se tornar Idol não fazia parte do catálogo de sonhos de toda noite. Foi a BigHit acompanhar seu amigo para uma audição, até que um dos olheiros o observou e viu potencial, lhe oferecendo uma oportunidade. Não consigo imaginar BTS sem ele. É como ver Led Zeppelin sem John Bronham: representa equilíbrio entre eles, harmonizando entre tom e dom. Ele tem gostos muito universais, adora música clássica, é um grande apreciador do jazz, gosta de Van Gogh e seu hobbie é fotografar, além de alimentar seu coração otaku com animes de vez em quando. Apesar disso, quando sua elegância abraça seus solos, pode ter certeza que será inesquecível. Stigma, com toda sua calma e força, foi um “teaser” do que seria a aclamada Singularity, seu atual solo. De todas as canções, ela é uma das mais subjetivas. A letra carrega uma sensibilidade tocante em momentos como “Mais uma vez, chore, porque eu não consegui protegê-la” e “Mais profundo, é apenas o coração que se machuca todos os dias / Você, que foi punida em meu lugar / Você, que era delicada e frágil”. Tudo indica que o mesmo sente uma profunda culpa da qual não consegue superar, levando a acreditar que seu pecado seja tão grande a ponto de não enxergar alguma salvação. Algumas teorias nos dizem que ela faz referências à violência doméstica, contribuindo na explicação em um dos vídeos anteriores do lançamento ou até mesmo com o clipe de I Need You. Independente do que for, é a alma de Taehyung que conseguimos sentir quando canta seus solos.


#4 FIRST LOVE

Suga / Min Yoongi

Eles queriam dizer algo para nós. Desejavam mostrar alguma parte do coração deles e foi isso que Min Yoongi fez em First Love, nos apresentando seu primeiro amor: o piano. Todos batalharam para chegar onde estão hoje. Foi preciso muita força e aquele que reuniu toda essa força para que isso acontecesse foi ele. O primeiro gênero musical que Suga teve contato foi a música clássica. Passou sua infância inteira absorvendo ela, o que acabou levando o próprio aprender piano, instrumento do qual hoje domina com louvor. Na pré-adolescência conheceu o hip-hop e sua vida nunca mais foi à mesma. Ele encontrou algo que realmente queria fazer: música. Ele estava empolgado com a ideia, os únicos que não estavam era sua família, mas isso não o abalou e continuou seguindo com seu sonho. Fazia pequenos shows, vendia seus discos, trabalhava por fora, às vezes nem recebia pelas suas performances, até uma porta se abrir para ele. Ele lutou pelos seus sonhos todos os dias para hoje se apresentar para milhões de pessoas ao redor do mundo. Conseguimos encontrar inúmeras qualidades nele, mas aquela que irradia é a sinceridade. Talvez esse seja o motivo dos fãs gostarem tanto do Yoongi. Suas letras tem uma facilidade tremenda em se interligar com nossas mentes, conversando diretamente conosco sobre diversos assuntos. Além de ser um dos rappers principais, também é compositor e produtor, realizando trabalhos por fora do atual. Também atende pelo nome de AGUST D, título do seu primeiro mixtape lançado em Agosto de 2016. Traz músicas como Tony Montana e So Far Away em colaboração com a solista Suran, onde enaltece a importância de seguir seu sonho independente do tamanho. Se BTS fosse um corpo, Yoongi seria a mente. Suas mensagens conduzem honestidade a cada frase expelida por sua voz repleta de conhecimento e amor pelo o que faz. A música transformou sua vida para sempre enquanto ele conseguiu salvar milhões de pessoas com o impulso do seu sonho em seu coração.


#5 REFLECTION

RM / Kim Namjoon

Agora a mensagem que recebemos reflete o coração daquele que é sangue e oxigênio do grupo. Estamos falando de Kim Namjoon, o líder. Possuinte de uma inteligência e integridade surreal, o mundo tem muita sorte de ter alguém como esse homem pisando em seu solo. Desde novo, ele já era extraordinariamente inteligente. Tirava as maiores notas nas provas, incluindo no TOEIC (teste de proficiência em língua inglesa) com a pontuação de 850, quando seu maior professor de inglês foi a série Friends. Ficou entre 1,3% da população com as melhores notas no vestibular do país e possui um QI de 148. Além disso, é um leitor assíduo, explorando variados assuntos, incluindo o feminismo. Sua consciência universal é bem aberta para as diferenças e virtudes do mundo, aceitando e disseminando a diversidade através de suas músicas, discursos e entrevistas. Apesar de todas essas informações surpreendentes, a singularidade dele não está em toda essa inteligência, e sim, em seu coração. E seu coração está na música. Ele sempre acreditou no grupo, tanto que isso o fez negar contratos solos, ele sabia que seu lugar era com aqueles garotos. Tinha perfeita noção que conseguiria passar sua mensagem sozinho, porém não teria o mesmo significado nem o mesmo impacto. Ser líder de um grande grupo requer muita responsabilidade, sensatez e comprometimento com tudo o que ocorre ao redor deles e ele presta esse papel extremamente bem. Dá todo suporte necessário, faz do possível e impossível para ocorrer tudo certo, se tornando uma fonte de força para os que estão em sua volta. Em Reflection, Namjoon nos mostra que não é nenhum super-herói e que seus sofrimentos são mais reais do que jamais imaginaríamos. “Quero me dar tapinhas nas costas / Mas, você sabe, às vezes eu realmente me odeio / Sinceramente, com muita frequência eu realmente me odeio.” Assim como eu e você, ele também tem seus demônios internos que o atormentam em seus momentos paz, o fazendo muitas vezes duvidar dele mesmo. “Eu sou minha própria felicidade e ansiedade / Isso se repete todos os dias, o amor e ódio dirigidos à mim”. E impacta saber que tal mente nos fala: “Eu gostaria de poder me amar”. Em Março de 2016, a Wings Tour desembarcou no Brasil, trazendo a perfeita experiência do disco aos seus fãs favoritos (aceitem, mo). Quando começou a canção do líder e o próprio proferiu tal frase, os fãs completaram com “We love you”, acalentando um pouco seu coração, mostrando que ele é mais amado que imagina. Apesar de amar fazer parte do grupo, isso não o impediu de realizar seus trabalhos solo. A mixtape intitulada “RM” veio ao mundo em 2015, acarretando boas críticas sobre seu rap excelente. Em 2018, seu dom foi aprimorado simultaneamente com o tom, que agora era um R&B entrando em cena no EP “Mono” com os singles Moonchild e Tokyo, se tornando um dos solos mais ouvidos do K-POP no ano de 2019. Quando eu era pequena, um dos meus filmes favoritos se chamava Flipped. Há um momento que um dos personagens recita uma das frases mais lindas que já ouvi e um dia gostaria de encontrar alguém que pudesse se equiparar a sua beleza. Namjoon realizou meu desejo. “Alguns de nós mergulham no plano, outros em cetim, outros em brilho… Mas de vez em quando, você encontra alguém iridescente e, quando o faz, nada se compara.



#6 MAMA

J-Hope / Jung Hoseok

Se pudéssemos definir Jung Hoseok em uma palavra, fascinante o definiria muito bem. É uma das pessoas mais alegres e carismáticas que você vai conhecer. Ele consegue tirar sorrisos do seu rosto sem esforço algum, irradia tanta energia positiva que conseguimos senti-la dentro de você, e isso é extremamente raro de se encontrar. Assim como a existência de J-Hope está para o mundo, MAMA é o sol do Wings. Altamente alto-astral, a canção é dedicada à sua mãe, aos sonhos e a aqueles que acreditam nos seus sonhos junto com você. Ele não pode estar mais grato e decidiu representar toda sua gratidão através da sua arte favorita. Assim como todos nós, ele tinha um sonho. Gostaria de trabalhar com música de alguma forma, entretanto, tal sonho estava dormindo, graciosamente, até que um dia acordou, procurando meios de fazê-lo se realizar. Inscreveu-se em uma escola preparatória para aprimorar suas habilidades em dança e canto até começar a se aprofundar em testes para grandes empresas do ramo. Na mesma época, participava de um grupo de hip-hop e sua presença era impressionante. Ele se destacava pela sua aptidão fantástica, o que acabou resultando em prêmios nas competições e notoriedade pela cidade. Seu primeiro teste foi para empresa JYP, da qual acabou se tornando também sua primeira rejeição. Se fosse qualquer outra pessoa, esse seria o cânone para desistir dos sonhos, mas estamos falando de J-Hope: desistir não compõe o jogo de palavras do seu dicionário pessoal. Com a cabeça erguida, continuou fazendo seus testes até ser aceito. Essa é uma das suas maiores qualidades: a perseverança em acreditar em suas virtudes. Hoseok é a prova que podemos fazer TUDO se acreditarmos e lutarmos por nós mesmos. Quando debutou, precisou se aprofundar na arte do rap. Ele não era muito ligado como os outros, mas se ele precisasse, aprenderia e o executaria da melhor forma. Isso foi o suficiente para o público julga-lo, dizendo que não era digno de estar ali. O que eles não sabiam é que estavam julgando a pessoa errada. Ele se esforçou e aprendeu, se tornando um dos melhores no que faz e provou ao mundo com sua mixtape solo “Hope World” lançada em 1 de Março de 2018 com os singles Daydream e Airplane. J-Hope é significado de força e coragem. Conquista o mundo com seu enorme sorriso e fascina a todos com seu carisma inconfundível.



#7 AWAKE

Jin / Kim Seokjin

Em meio a tantos corações incandescentes, há um em especial que, assim como a descrição sobre amor, no poema de Luis Vaz de Camões, é fogo que arde sem se ver. Independente da luminosidade encantadora, nutre uma exuberância capaz de surpreender todos a sua volta. E surpreender é o que Kim Seokjin faz de melhor (incluindo o título de homem mais lindo do mundo decretado por ele mesmo). Formado em Arte e Atuação pela Universidade de Konkuk, sua visita a BigHit não era para ser cantor, e sim, ator. Mesmo assim, tinha aulas de canto e dança, até que foi escalado para entrar no grupo. Como seu intuito era diferente, precisou aprender muitas coisas, incluindo a dança, contudo, isso não o desanimou. Continuou com os aprendizados, descobrindo algo novo todos os dias. Seguindo o mesmo caminho de Reflection, Awake é uma imersão a insegurança que sente em alguns momentos como membro do grupo. O esforço de Jin é um dos mais perceptíveis, o visível crescimento revela o quão ele já fez e o que ainda será capaz de fazer. Se compararmos suas habilidades de antes e depois, a evolução é inegável. Sua potência vocal vive recebendo elogios por se manter estável, se transformando melódica e sentimental, sendo reconhecida como “voz de prata” pelos críticos musicais e jornalistas. Sua primeira professora de canto diz que o próprio avançou grandemente e desenvolveu um estilo inédito, encontrando seu próprio caminho. Por ser o mais velho, a pressão que é colocada em cima dele é bem grande. É referencial para os mais novos e às vezes o próprio não acredita ser um exemplo suficiente. No refrão, ele canta “Talvez eu nunca possa voar / Como essas pétalas de flores / Asas, assim como outras coisas, são impossíveis / Talvez eu não possa tocar o céu / Mas, mesmo assim quero estender minha mão/ Eu quero tentar correr, apenas um pouco mais”, revelando que nunca conseguirá ser como os meninos, mas que está apto a tentar. Quando diz “Os momentos felizes perguntaram-me / Se eu estou realmente bem / Eu respondi, não, eu tenho tanto medo / Mesmo assim, eu segurei seis flores em minhas mãosnos mostra que ele tinha muito medo do que estava por vir no grupo e mesmo assim, segurou e acreditou no coração dos membros, seguindo em frente com o sonho coletivo. Mesmo que a canção recite medos e inseguranças de Jin, não podemos esquecer que o mesmo já tomou tantos voos e continuará voando. Conhecerá novos céus, pulará em novas nuvens e só de poder acompanhar esses momentos, já nos deixa muito orgulhosas.


Cantada pela vocal line, Lost fala sobre encontrar seu próprio caminho mesmo quando parecer impossível. O trajeto dessa busca pode ser difícil, sinuoso e complicado, como de fato, será, e isso não deve te abater. Também proseiam sobre manter suas esperanças e virtudes, sem deixar de ser você mesmo. A agitada Am I Wrong nos conta que se encontra confusa para entender todos os novos sentimentos que vem sentindo, enquanto 21st Century Girl diz exatamente o que toda mulher precisa ser e saber desde sempre: “Você vale a pena, você é perfeita / Merece isso, basta trabalhar nisso / Você parece elegante, elegante e bonita, bonita / Você brilha, brilha. Você é a verdade e o motivo. Ainda anunciam que se alguém disser o contrário, favor, se ver com eles: “Se alguém continuar de insultando/ Diga a eles que você é minha garota, vá dizer. Em 2! 3!, os membros decidem fazer uma homenagem às suas fãs por depositarem tanta força e carinho quando tudo parecia estar desmoronando. Todos nós temos dias ruins, mas se estamos juntos com eles, tudo estará bem. “(Então, obrigado) por acreditar em mim / Por lidar com todas essas lágrimas e feridas / (Então, obrigado) por iluminar meu caminho / Por se tornar a flor dos meus momentos mais belos. O interlúdio Wings é responsável por fechar o disco com sua energia extremamente positiva e motivadora.


#9 CYPHER 4

J-Hope, Suga e RM em 2013

Vocês sabiam que um dos gêneros musicais mais consumidos da Coreia é o Hip-Hop? Em meio a tantos contextos complexos para nós, residentes do lado ocidente, tentar entender, aos poucos, nos mostra como eles conseguem quebrar tabus e preconceitos em relação aos ambos os lados. A força do gênero é tão grande que nos grupos de K-Pop é quase obrigatório a presença de idols que saibam fazer rap ou que irão aprender nos dias de trainee, como foi o caso do J-Hope, mas é muito importante que ele esteja lá. Em 2014, eles foram convidados a participar de um programa estadunidense chamado “American Hustle Life”. O intuito era acompanhar o aprendizado e aperfeiçoamento em Hip-Hop, já que foi o primeiro conceito do grupo. Eles foram instruídos pelos rappers Coolio e Warren G, aprendendo algo novo a cada episódio, como rimas, beat-box, danças, flow e apresentando todos esses ensinamentos em um pequeno show no penúltimo episódio. Alguns idols já se mostraram bastante competentes na hora de expor essa arte, porém há três em especial que executam um trabalho impecável. Estou falando da rap line composta por J-Hope, RM e Suga. Eles nasceram para fazer o que fazem. É quase impossível não se impressionar a cada música, a maneira de como inovam a forma de fazer rap e como descascam as quimeras problemáticas e tóxicas do país, utilizando a oportunidade e influência para serem os porta-vozes do que ocorre em volta deles todos os dias. RM e Suga foram convidados para tipo de entrevista com alguns rappers em 2013, onde ambos foram criticados por fazerem Hip-Hop em um grupo pop e achando audácia dos dois se chamarem de rappers por isso. Naquele dia, eles ouviram e assentiram, contudo, a resposta para essa entrevista e para todos aqueles que duvidaram da capacidade deles chegou três anos depois sob o nome de Cypher 4, considerada por muitos um dos maiores atos do álbum (incluindo Taehyung). A letra é um feedback para aqueles que estão incomodados com o tamanho da fama que possuem. Também pincelam sobre como a indústria é superficial a ponto de se importar com coisas irrelevantes, como diz Namjoon em: “Oh não tem rosto de ídolo! Desculpa, amor”, ao mesmo tempo que se tornou motivação para estarem ali quando J-Hope diz: “No palco, meu estilo prevalecerá e todos serão atingidos (ok) / Mas eu não estou satisfeito apenas estando aqui / Eu vou subir mais para o topo, mais alto alto alto” e Suga adiciona em sua parte: “Mesmo se você tentar voar em minha direção / É muito alto para você alcançar / A diferença é muito grande, você não poderia ver” e “Continue a viver assim vagamente / Desculpe, mas continue me observando / Porque eu vou ganhar ainda mais a partir de agora / Então enquanto isso viva saudavelmente”.


No final, eles se unem para mandar um recado encarecido de amor. Agora eles não tinham mais o que dizer, os fatos estavam por todos os jornais e charts. Eles estavam caminhando para serem um dos maiores grupos da sua geração e já era melhor eles irem se acostumando quando esclarecem no refrão: “Eu amo, eu amo, eu me amo / Eu conheço, eu conheço, eu me conheço / Todos vocês inimigos invejosos deveriam amar a si mesmos”.




O Wings foi lançado em 2016. Ele acabou se tornando o possibilitador da abertura de muitas portas para a carreira do grupo. Hoje em dia, eles estão maiores do que jamais foram. Estão pelo mundo fazendo turnês mundiais, alcançando a quarta com a “BTS World Tour Love Yourself: Speak Yourself “, visitando países como Paris, França, Japão e Brasil com ingressos esgotados para todos os dias. Estão dando entrevistas e discursos, manifestando a importância do amor próprio e autoconhecimento. A campanha Love Myself foi desenvolvida em 2017, uma parceria entre o próprio BTS com a UNICEF. Leva tal nome por conta dos três últimos discos lançados Love Yourself: Her, Tear e Answer, todos trazendo assuntos como saúde mental, amor, suicídio, entre outros. A iniciativa tem como foco acabar com a violência e incentivando o amor próprio entre os jovens. Na 73º Assembléia Geral da Onu, ocorrida em 2018, Namjoon proferiu um discurso emocionante sobre o assunto, tornando o grupo embaixador do programa Generation Unlimited com o objetivo de gerar oportunidades e investimentos para jovens entre 10 e 18 anos. Eles estão nos charts com o último álbum Map Of The Soul: Persona, trazendo singles como Boy With Luv e a intro Persona. Eles estão no cinema com o lançamento do filme/documentário BTS - Bring the Soul, contudo, o lugar mais importante que eles se encontram é no coração daqueles que apreciam sua arte.


Motivando inúmeros sonhos, salvam vontades internas, são o porto-seguro de muitas mentes confusas e entregam tanto amor de um jeito singular jamais visto. No discurso de RM para Unicef, ele diz que foi por volta dos 9 ou 10 anos que seu coração parou e ele fechou os olhos, se calando para o mundo. BTS quer reviver qualquer coração que estiver parado e o incentivar a se amar de todas formas possíveis e imagináveis. Quer que você se olhe ao espelho e encontre sua alma nos seus próprios olhos, enxergando também os defeitos, pois é essencial para nosso processo de desenvolvimento. E acima de tudo, ter orgulho da sua história, dos seus feitos e do que ainda irá realizar. É só analisarmos a história deles. Eles tinham todos os motivos para desistir, porém foram fortes o suficiente para continuar acreditando nos próprios sonhos e levá-los ao topo, como de fato, levaram. De uma forma excepcional, BTS estabelece um contato honesto com nosso coração ensinando novas formas de amar e de se amar. E assim como fomos às principais agentes para eles se amarem, precisamos colocar nossas mãos em nossos corações todos os dias e tratá-lo com gentileza, amor e respeito, absorvendo o significado do que eles querem dizer a nós.

  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Twitter
  • Preto Ícone Pinterest
  • Preto Ícone Flickr

© Sidetrack Magazine