• Heloísa Cipriano

Além das Trilhas: Christophe Beck

Hoje o "Além das Trilhas" traz a história e obra de Christophe Beck, um dos compositores queridinhos dos estúdios Marvel.

Com certeza marvete que é marvete com paixão está acompanhando os episódios de WandaVision, a série disponível na plataforma de streaming Disney+ que narra a trajetória cronológica de Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate e Visão depois dos eventos do último filme da franquia dos Vingadores, o Ultimato. Quem é louco por Marvel está amando a nova série, que cá entre nós, está cumprindo muito bem o seu papel de ser a ponte para a chegada do próximo filme da franquia, Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, programado para estrear em março de 2022. Então quer dizer que não haverá segunda temporada? É isso mesmo. Já estamos nos preparando para o último episódio, que será lançado nesta sexta-feira (05), e fechará os diversos eventos do casal mais querido do MCU. A trilha sonora hipnotizadora é composta por Christophe Beck; é sobre esse compositor que vamos falar no Além das Trilhas de hoje.



Christophe Beck é compositor e maestro de trilhas sonoras para filmes da sétima arte e para televisão. Sua veia musical vem de família, porque ele é irmão do pianista Chilly Gonzales, que se tornou conhecido por trabalhar com a banda Daft Punk no disco Random Access Memories, obra que lhes renderam um Grammy em 2014.


Nascido no Canadá, hoje tem 48 anos e começou a trabalhar com música desde muito pequeno, como todo artista talentoso inicia no ramo. De acordo com o portal do próprio compositor, ele começou a estudar piano com cinco anos e aos onze já aprendia canções da banda Bee Gees. Com essa mesma idade, se apresentava em shows infantis com sua primeira banda. O nome? Chris and The Cupcakes (extremamente fofo). Foi crescendo e não parou: cursou faculdade de música, escreveu musicais com seu irmão e uma ópera baseada em conto de Edgar Allan Poe e cursou um programa de trilha sonora de filmes, que o fez ter acesso à composição da famosa série Buffy, the Vampire Slayer. Atualmente, ele trabalha em seu estúdio em Santa Mônica, na Califórnia.


A série da jovem caçadora de vampiros é de 2001, mas Beck começou mesmo em 1993, quando foi recomendado para trabalhar na série White Fang. Ele trabalhou como orquestrador, compositor, produtor, programador e mixer em diversos produtos audiovisuais até chegar à direção musical de Buffy. Confira abaixo os principais trabalhos de Christophe Beck que a Sidetrack selecionou.


As Apimentadas (2000)

Nessa comédia, Beck trabalhou como produtor musical, aquele que completa uma gravação e supervisiona o processo de mixagem e masterização de áudio. O filme fez tanto sucesso que recebeu mais outros seis longas, compondo a série Bring it On; mas Beck trabalhou apenas no primeiro filme. A trilha sonora se completa muito bem com o enredo do filme, oferecendo instrumentalmente toda a agilidade e ritmo que as líderes de torcida demonstram na narrativa para chegar ao tão disputado Campeonato Nacional de Cheerleaders.



Buffy, a Caça-Vampiros (2001)


A trilha sonora da série da moça que fazia parte de uma linhagem de caçadoras de vampiros fez muito sucesso nos anos 90. Tanto é que lançou quatro álbuns, com composições de Beck e também de artistas independentes. Inclusive, de acordo com a produção da série, a preferência por bandas até então desconhecidas foi ideia do supervisor da trilha, John King. Além da composição de Beck para dar som a momentos de tensão ou entre uma cena e outra, a escolha de mais de 350 canções autorais creditadas na série ofereceu também a pegada jovial que o audiovisual precisava em si. A história apresenta uma mistura de música original, indie, rock e pop, gêneros musicais que ambientavam os personagens, por exemplo, no clube The Bronze, um dos locais que eles se reuniam.



Sob o Sol da Toscana (2003)


A Toscana é uma região da Itália deslumbrante, repleta de vinhedos, belas paisagens e ruas estreitinhas, bem aquelas mostradas em filmes românticos mesmo. Além disso, é palco de muito acervo artístico, como a escultura Davi, de Michelângelo, que se encontra na Galeria da Academia de Belas Artes de Florença. Nesse filme, o que enche os olhos dos espectadores é a Toscana, local onde se desenrola a história de uma escritora recém-divorciada que compra uma casa de campo na região para reiniciar sua vida. E, acompanhada da fotografia aconchegante, vem o trabalho de Beck com o som composto para o filme, que sob instrumentos de percussão (pandeiro) e de corda (piano), além de outras sonorizações, remetem ao clima bucólico presente na história.



Trilogia Se Beber, Não Case! (2009, 2011 e 2013)


Essa comédia rendeu três filmes, todos compostos por Christophe Beck. Quatro amigos viajam para Las Vegas para uma despedida de solteiro. O que podemos esperar disso? Muito humor pastelão, coisa que brasileiro ama. E foi pensando nesse humor que Beck compôs a trilha sonora de Se Beber, Não Case!. Os elementos são recheados de instrumentos de percussão e de cordas, tendendo para o gênero musical rock para expressar o desenvolvimento do filme, que também pode ser considerado como um longa de ação já que os quatro amigos passam por várias situações. O primeiro filme conta com 20 canções de artistas como Kanye West, Usher, Phil Collins e Flo Rida.



Paperman (2012)


Esse curta-metragem da Disney ganhou o Oscar na categoria de 2013 e o desafiador é que a trilha sonora de Beck é que dá som a ele, porque os personagens não tem falas durante todos os 7 minutos de história. Apesar da narrativa ser aparentemente simples e clichê, a técnica de desenho é encantadora e com o trabalho de trilha sonora compõe uma bela dupla. Mesmo que no início a gente já saiba como será o final, é quase impossível não querer saber o que acontece com o rapaz aficionado por jogar aviões de papel para que tenha atenção da moça que o cativou. E todas as ações, tanto dos personagens quanto do cotidiano deles, são guiadas pelos instrumentos que Beck selecionou.



Frozen I e II (2013 e 2019)


Um dos motivos que fez a animação Frozen estourar é com certeza a trilha sonora. Completamente original, ganhou tanta repercussão que existe até mesmo musical baseado no filme. Entre canções originais compostas por Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, também há 22 peças orquestrais de Christophe Beck no primeiro filme. O álbum de 2013 foi certificado com tripla platina pela Recording Industry Association of America e atingiu o número um na parada. Lembra que falamos do trabalho de Hans Zimmer com O Rei Leão? Pois é, quase 20 anos depois Beck também se tornou conhecido por fazer tanto sucesso com composições de um filme de animação. Dentre as trilhas que particularmente mais me agradaram, estão Vuelie, com um coro de vozes ao fundo que vai crescendo (vozes fazem sucesso… lembrou de O Rei Leão novamente?); The Trolls, introduzindo a magia dos trolls à Anna; e Heimr Àrnadalr, que traz uma paz de espírito e que me lembrou muito uma cena maravilhosa em Edward Mãos de Tesoura, quando a personagem de Winona Ryder dança em meio à neve produzida por Edward, que esculpia um boneco de gelo em formato de anjo. Aliás, gelo… “frozen”... Será que tem ligação? Ora, ora, ora… se não temos um “Xeroque Rolmes” por aqui!



No Limite do Amanhã (2014)


O filme de ação e ficção científica com Tom Cruise como protagonista se passa nos tempos de um planeta Terra em um futuro apocalíptico, com alienígenas tomando o espaço. Filmes assim pedem uma pegada futurista e um som mais carregado, e é nisso que Beck se resguarda. Ele trabalha com arranjos eletrônicos, misturados com orquestras distorcidas e notas graves, para dar aquele aspecto de guerra que a fotografia imprime ao espectador. É possível perceber violoncelos, baixos, trompas, sintetizadores, trombones e percussão.



Homem Formiga / Homem Formiga e a Vespa (2015 e 2018)


Tem BR em filme da Marvel, sabia? A música Downtown, de Anitta e J Balvin, foi escolhida para fazer parte da trilha sonora de Homem Formiga e a Vespa. Mas, antes do filme de 2018, Beck trabalhou nas composições originais para o filme em 2015, no primeiro longa do super herói interpretado por Paul Rudd. Era para ter sido Steven Price (que já falamos por aqui) o compositor, mas ele desistiu e então Beck foi contratado. Em entrevista, ele contou que queria escrever uma trilha sonora na grande tradição sinfônica dos filmes de super-heróis que ele mais gostava. Mas, para não tirar o ar cômico do personagem, ele retratou tudo com essa veia divertida, também lembrando que Scott Lang é um recém ex-presidiário, o que remete também a um ar de fuga. O resultado que podemos apreciar é na música tema de Ant Man, que pode ser conferida abaixo.



WandaVision (2021)


Quem é familiarizado com os quadrinhos do MCU com certeza ficou animado com o final do sétimo episódio de WandaVision. Ele rendeu bons índices não só para o desenvolvimento da história e para a audiência da série, mas também para o lado musical: a canção “Agatha All Along” ficou em primeiro lugar nas paradas do iTunes. Novamente os donos da canção são os veteranos de sucesso Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez, que trabalharam com Beck em Frozen. Já o trabalho do compositor canadense é mais instrumental, já que é de trilha sonora para a sequência de cenas dos episódios… E que desafio, hein? Como cada episódio se ambienta em uma década (primeiro nos anos 1950, depois nos anos 1960 e assim sucessivamente), Beck teve que pensar em sons que ambientam o espectador em cada uma dessas épocas. Como por exemplo, no primeiro episódio, em uma das primeiras cenas que o casal discute o motivo de estarem comemorando a data com um jantar especial, a trilha que passa é a Calendar Confusion.



Não sei vocês, mas a música instrumental de Christophe Beck que sempre passa nos créditos já ficou na minha cabeça! Dá um play pra relembrar ou pra você que não conhece, sentir a sensação de produto Marvel total.



Ficou curioso para assistir WandaVision e os outros filmes ou séries que Christophe Beck fez parte? Bom, alguns podem ser achados na Netflix; já a série da Marvel é exclusiva do streaming Disney+. Garantimos que vale a pena conferir.

Estamos ouvindo!

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