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  • Heloísa Cipriano

Além das Trilhas: Ennio Morricone

Atualizado: há 6 dias

Na última segunda-feira, 06, perdemos um grande compositor de trilhas sonoras memoráveis. Os cinéfilos assíduos sabem de quem estou falando: Ennio Morricone, compositor italiano responsável por mais de 500 trilhas sonoras para cinema e televisão, faleceu aos 91 anos, vítima de fratura no fêmur decorrente de uma queda que sofreu em casa. E como forma de homenagear sua passagem neste plano, o Além das Trilhas de hoje relembra algumas das principais obras do compositor, que através delas transformaram e incrementaram as histórias contadas pelas lentes de diretores prestigiados, como Quentin Tarantino.



Além de compositor de trilhas sonoras, Ennio Morricone era um verdadeiro maestro. Ele sabia imprimir personalidade em suas obras por meio de seu conhecimento sobre música, que estudou desde muito pequeno. Aliás, sua veia artística foi herdada geneticamente, já que seu pai, Mario Morricone, era músico.


Em 1941, com apenas 13 anos de idade, ele foi escolhido para fazer parte de uma orquestra. Foi em 1961 que ele finalmente começou a levar créditos com suas composições, com o lançamento do filme italiano Il Federale. Transitando por vários gêneros de filmes, ele passou desde a comédia até o drama: fez composições para comédias italianas, dramas americanos, romance, terror e, principalmente, o que o consagrou, o western. Esse é um gênero de filmes tipicamente de faroeste, que contam histórias ambientadas, primordialmente, no Velho Oeste dos Estados Unidos.


Foto: Dylan Martinez / Reuters

Uma boa trilha, como busco sempre mencionar aqui no Além das Trilhas, interfere muito em sua experiência em assistir um filme. E para se ter uma noção do talento de Ennio Morricone, muitos dos filmes que a trilha sonora foi composta por ele foram consagradas principalmente pelo seu trabalho. A parceria entre ele e o diretor Sergio Leone lançou diversas pérolas do cinema mundial, e também colocou o rosto de Clint Eastwood como destaque nos filmes de faroeste.


Confira abaixo algumas das obras mais influentes de Ennio.


Por um Punhado de Dólares (1964)



É o primeiro filme da trilogia que tem Clint Eastwood interpretando o personagem principal. A história se passa numa cidade mexicana, onde um pistoleiro novato é cercado por dois diferentes grupos rivais. Eles notam que o forasteiro é habilidoso e cada um oferece uma proposta para que ajude na disputa, e ele resolve aceitar as duas propostas. Bastou o característico assobio e uma guitarra elétrica de fundo para já remeter o som da música ao filme.


Três Homens em Conflito (1966)




Esse é o terceiro e último filme da trilogia, antecedido por Por Alguns Dólares a Mais. Aqui, além de criar a atmosfera de disputa de faroeste, Ennio soube criar temas para cada um dos personagens, associando cada um deles com um instrumento ou som específico. Assim, quando uma canção toca, é difícil deixar de associá-la a um rosto ou a uma cena.


Queimada! (1969)



O filme italiano tem Marlon Brando sendo o personagem principal. Ele interpreta um colono britânico, que é enviado para instigar uma revolução em uma ilha do Caribe, vital para a indústria de cana-de-açúcar. É um filme que envolve processos históricos, políticos e sobretudo sociais, nos tempos de imperialismo. Ennio traz a essência do personagem e captura o espírito do filme, o retrato da ganância dos detentores de poder.


A Missão (1986)



Essa é uma das trilhas sonoras de Morricone mais lembradas - e não é para menos! Nesse trabalho, ele também busca um tom mais intimista e captura sentimentos contando a história de um missionário jesuíta na América do Sul. O trabalho deve ter sido pesado, porque aqui ele mistura cantos litúrgicos com cantos hispânicos, para justamente trazer essa junção da mudança de vida do personagem de Robert De Niro, que interpreta um mercador de escravos espanhol que, depois, busca pela redenção de seus pecados se juntando a um grupo de jesuítas nas florestas brasileiras.


Cinema Paradiso (1988)



Um drama muito lindo e sensível é o que me remete a esse filme. E se torna muito mais bonito com a trilha sonora de Ennio, totalmente orquestrada, com instrumentos como piano e cordas. O longa marcou o início de sua parceria com o diretor italiano Giuseppe Tornatore, filme que retrata a história de vida de um cineasta e o nascimento de seu amor pelo cinema.


Os Oito Odiados (2015)



O filme que ele levou seu primeiro Oscar não podia ficar de fora da lista. Sim, depois de seis indicações para ganhar o Oscar, foi apenas em 2016 que ele levou a estatueta pelo trabalho no filme de Quentin Tarantino, Os Oito Odiados. É pessoal, Leonardo DiCaprio esperou por 20 anos para ganhar o Oscar… Mas Ennio esperou 70 para ter esse reconhecimento! Tarantino já era um grande admirador de Morricone, e utilizou diversas faixas do compositor em seus filmes. Mas essa é a única de suas produções que traz composições originais de Morricone. Essa foi a tão esperada volta dele ao gênero western e mostrou que ele sabe pra quê veio ao mundo: pra fazer música carregada de paixão e de personalidade.


Curiosidades


Você já ouviu falar no filme 120 dias de Sodoma? Esse filme italiano é um dos mais polêmicos da história da sétima arte e também considerado por muitos o típico filme perturbador para nunca mais assistir. Dirigido por Pier Paolo Pasolini, conta a história de um grupo de jovens que, na região da Itália comandada por Mussolini, durante o outono europeu de 1944, são selecionados por quatro dirigentes fascistas para serem os autores de uma série de torturas e experimentos sádicos, ao longo de 120 dias. Contém cenas explícitas e chocantes de assassinatos, estupros e torturas e a trilha sonora foi feita por Morricone. Uma das curiosidades é que ele mesmo afirmou que se sentiu muito desconfortável ao assistir o filme que compôs.


Para finalizar esse post, só temos a agradecer, de onde quer que esteja, a Ennio Morricone. Pelo seu talento em capturar emoções por meio da música e por sua habilidade em retratar isso através dos sons que imaginava. Como ele mesmo uma vez disse: “O coração da minha música é o silêncio”.

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