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  • Heloísa Cipriano

Além das Trilhas: Hans Zimmer

Os fãs da DC Comics terão que esperar mais um pouquinho para assistir o próximo filme tão aguardado da sequência de Mulher Maravilha. Grande parte dos cinemas de todo o mundo estão fechados devido à pandemia do novo coronavírus, e por isso, o lançamento de longas bastante esperados são adiados. No caso de Mulher-Maravilha 1984, até o momento está marcado para estrear no Natal de 2020 nos Estados Unidos. E sabe qual o grande compositor que compôs uma faixa da trilha sonora do filme? O alemão mais injustiçado das premiação do Oscar, Hans Zimmer. Em vista dessa novidade, resolvemos trazer alguns dos principais trabalhos desse talentoso compositor, inclusive os mais recentes. Confira nesse que é o segundo post sobre grandes compositores de trilhas sonoras no Além das Trilhas!

Hans Zimmer nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 12 de setembro de 1957. De acordo com a biografia divulgada em seu site pessoal, ele começou na indústria musical em formações de banda, tocando teclados e sintetizadores e outros instrumentos, nas bandas Ultravox e The Buggles. Essa última teve a canção Video Killed the Radio Star um sucesso mundial e que, inclusive, faz parte de inovações: foi o primeiro videoclipe a ser exibido na MTV.


No mundo da indústria musical para a sétima arte, Zimmer começou a fazer parte nos anos 80 e nunca mais parou. Hoje, ele é reconhecido por ter feito composições para mais de 100 filmes. A 100ª trilha sonora que preparou para grandes produções audiovisuais é um dos seus trabalhos mais prestigiados, do filme O Último Samurai, de 2003, estrelado por Tom Cruise. Nele, recebeu uma indicação ao Globo de Ouro e ao Broadcast Film Critics.


Composições de Hans Zimmer têm um forte apelo emocional. As canções geralmente começam suaves, com tom baixo, e com o passar do tempo, o som cresce até se chegar a uma forte orquestra. Como define o site pessoal do artista, ele foi o pioneiro no uso da combinação de novas e antigas tecnologias musicais, ou seja, ele sabe misturar o arranjo eletrônico com o arranjo orquestral tradicional.


Confira abaixo algumas das obras mais influentes de Zimmer.


Conduzindo Miss Daisy (1989)

Um filme bastante atual para conversar sobre racismo, Conduzindo Miss Daisy retrata a história de uma senhora judia que acidentalmente joga seu carro no jardim do vizinho. O filho contrata um motorista, mas a mulher não o aceita por ele ser negro. Com o passar do tempo, ela o conhece melhor e o enxerga como seu único e melhor amigo. A trilha sonora que Zimmer propõe neste filme é leve e sutil, para retratar a rotina do motorista, interpretado por Morgan Freeman, e da senhora Daisy, interpretada por Jessica Tandy. Foi feita eletronicamente usando samplers e sintetizadores, sem instrumentos ao vivo. A trilha foi indicada ao Grammy de Melhor Composição Instrumental Escrita para um Filme ou para a Televisão e ganhou o BMI Film Music Award.





O Rei Leão (1994)


A trilha sonora de O Rei Leão vendeu muito: o álbum lançado foi considerado o mais vendido na categoria de filme de animação nos Estados Unidos, com mais de 7 milhões de cópias vendidas. Hans Zimmer levou o Oscar de melhor banda sonora, o Globo de Ouro de melhor banda sonora original e o Grammy Award pelo seu trabalho. É realmente icônica a cena inicial, com pano de fundo a música Ciclo Sem Fim. Ele soube transportar as pessoas para a África com os arranjos musicais empregados.



O Príncipe do Egito (1998)


Hans Zimmer tem vários trabalhos em filmes de animação, como em O Príncipe do Egito, que narra a história bíblica de Moisés desde sua vida como príncipe adotado do Egito até sua missão de salvar os hebreus da escravidão do império egípcio. O desafio maior era de buscar uma trilha que se encaixasse no tema religioso, sobretudo que trouxesse calmaria a quem assistisse. O resultado foi o lançamento de três álbuns, no qual o oficial da trilha sonora combina elementos do trabalho orquestrado por Hans Zimmer.


Gladiador (2000)


Foi indicado ao Oscar e BAFTA de 2001 e venceu o Globo de Ouro de melhor trilha sonora. O filme estrelado por Russell Crowe foi um grande sucesso de bilheteria e é considerado um dos melhores filmes históricos fictícios, já que o personagem principal, Maximus, não existiu. Hans Zimmer mais uma vez procura seguir a trilha sonora como um acompanhamento da imagem. Geralmente, suas obras no audiovisual são assim: seguem o que está passando na cena. Se Maximus está triste, a trilha é triste; se Maximus está na batalha, a trilha tem um som mais carregado. A música tema, Now We Are Free, traz o sentimento de luta dos gladiadores pela sobrevivência, ao mesmo tempo que a melancolia do que sofrem.


Pearl Harbor (2001)

Novamente, assim como em Gladiador e na maior parte das canções para a franquia de Piratas do Caribe, Zimmer misturou o uso de sintetizadores com fundo orquestrado. A junção deles traz a emoção que o diretor pretende imprimir nas imagens, que conta de forma bastante americanizada a história da disputa entre EUA e Japão na Segunda Guerra Mundial. A base naval Pearl Harbor, localizada nos Estados Unidos, sofreu um ataque aéreo dos japoneses, e esse feito foi o que lançou os Estados Unidos na guerra ao lado dos Aliados. É claro, para envolver aqueles que não estavam muito interessados na história biográfica, há a construção de um romance entre protagonistas estadunidenses, também com canções “emotivas”, o que força ainda mais o clima de “pobres dos Estados Unidos que sofreu com o ataque”.


Quando o filme foi lançado, o professor de história João Bonturi escreveu para a Folha de S. Paulo que a história foi mostrada de forma superficial, pois “o ufanismo característico do cinema dos EUA foi mais uma vez exagerado, com a colocação dos bonzinhos e inocentes norte-americanos lutando contra os malvados japoneses”. Apesar disso, o trabalho de Zimmer no filme é um dos mais prestigiados que já fez, e foi indicado a melhor trilha sonora no Globo de Ouro daquele ano.



Spirit (2002)

A composição para Spirit é de grande importância para contar a história de animação do corcel indomável, já que os animais não são retratados como seres antropomórficos, ou seja, como se falassem como seres humanos. Ao longo de todo filme, os cavalos do filme se comunicam através de sons e linguagens de cavalos comuns, relinchando o tempo inteiro. Há quem não goste, mas a sensibilidade que as músicas de Hans Zimmer tocam cada sentimento dos personagens nos faz entender o que eles querem dizer nas cenas.


Além disso, também há canções compostas e interpretadas por Bryan Adams (aqui no Brasil, acredito por ter um tom de voz parecido, foi escolhido o cantor Paulo Ricardo como intérprete da versão em português). A partitura instrumental é toda de Zimmer, que utilizou arranjos inspirados no oeste americano.


O Último Samurai (2003)


Considerada uma das melhores trilhas sonoras que compôs, em O Último Samurai o compositor busca novamente, com seus arranjos simples mas bem detalhados, transportar o telespectador ao período em que o Japão estava saindo do sistema feudal para iniciar o processo de desenvolvimento econômico. Todas as músicas foram compostas, arranjadas e produzidas por Hans Zimmer, e seu trabalho ganhou reconhecimento, alcançando a 24ª posição na parada Top da Billboard EUA.




Franquia Piratas do Caribe (2003 - 2011)


São poucos os compositores que conseguem orquestrar uma música tema que imediatamente identificamos o filme, como em Harry Potter ou Star Wars. Hans Zimmer entra nessa lista. Colaborando conjuntamente com Klaus Badelt, já que estava ocupado com O Último Samurai, no primeiro filme da franquia de Piratas do Caribe os dois compositores correram contra o tempo para fechar a trilha sonora. Depois, em outros três dos cinco filmes da franquia, ele trabalhou sozinho na trilha.


Sherlock Holmes (2009)


Foi preciso ilustrar por meio de música a inteligência do detetive mais famoso de romances policiais do mundo. E quando se ouve a música tema, conseguimos identificar a personalidade de Sherlock Holmes. O som é despretensioso, nos coloca no lugar do personagem na capacidade de dedução e transporta para a terra natal do investigador, a Inglaterra.



A Origem (2010)


Um dos aspectos mais comentados pelos críticos foi a edição entre as cenas e o acompanhamento da trilha sonora. Hans Zimmer disse que toda a trilha foi baseada em uma única música de Edith Piaf, “Non, Je Ne Regrette Rien”. De forma eletrônica, ele também utilizou guitarra para finalizar as canções. Christopher Nolan, diretor do filme, é conhecido por inserir temas sociais filosóficos sobre a existência humana e tempo-espaço, com uma narrativa não-linear, um verdadeiro quebra cabeça. Provavelmente, você deve assistir várias vezes A Origem para entendê-lo!


Interestelar (2014)

Outro filme de Christopher Nolan que trabalha relação tempo-espaço. Foi preciso de um físico teórico para trabalhar na consultoria científica da história. Interestelar tem como pano de fundo uma equipe de astronautas que viaja num buraco de minhoca à procura de um novo lar para a humanidade e explora o relacionamento entre pai e filha.


A colaboração musical de Zimmer foi iniciada logo na pré-produção, o que lhe configurou sensibilidade para produzir a canção tema com piano e órgão. O trabalho com sintetizadores também foi realizado neste filme, que recebeu indicação de melhor trilha sonora no Oscar, mas não levou a estatueta (o que para muitos foi uma das maiores injustiças do Oscar daquele ano).






Próximos trabalhos: Mulher Maravilha 1984, Duna e 007: Sem Tempo para Morrer


Não listamos, mas Zimmer também compôs a trilha de vários filmes do Batman. Dentro desse universo da DC Comics, ele também faz parte do próximo filme da Mulher Maravilha. Foi divulgada a primeira faixa do longa 1984, que retrará ficção com realidade dos conflitos da Guerra Fria. Nessa canção revelada por Zimmer, o telespectador viajará à ilha natal de Diana Prince, Temiscira. O filme tem estreia programada para dezembro deste ano.



Duna é um romance de ficção científica do escritor estadunidense Frank Herbert e agora recebe uma nova adaptação para os cinemas. Envolvendo política e religiosidade, conta a história do planeta deserto Arrakis e do controle do lugar pela família do jovem Paul Atreides. O local, também conhecido como Duna, produz um recurso valioso disputado por famílias nobres e é Paul quem deve desenrolar a trama. A história é complexa, e para transportar as pessoas a um local pós-apocalíptico, Zimmer colocou uma versão de Eclipse, do disco Dark Side of the Moon, do Pink Floyd. Isso pode ser conferido no primeiro trailer do filme, previsto para ser lançado em dezembro.



Zimmer também fará a trilha sonora neste novo filme com Daniel Craig interpretando o agente James Bond aposentado na Jamaica. O agente 007 será convocado novamente para voltar à ativa na CIA. Essa é a primeira vez que Hans Zimmer trabalha na franquia e foi escalado de última hora para a produção no início do ano. Depois de uns meses, foi revelado que a canção tema tem como intérprete a jovem cantora Billie Eilish, um dos maiores talentos da nova geração. A música composta por Billie foi lançada em fevereiro, produzida pelo seu irmão, Finneas e com arranjos de Hans Zimmer. O filme só estreará em novembro no Brasil.


Curiosidade!


Além de ter ganhado mais de 100 prêmios e recebido mais de 170 indicações em composições feitas para obras da sétima arte, Hans Zimmer é costumeiramente convidado em projetos paralelos. Recentemente, ele criou o som de uma nova abertura para a plataforma de streaming Netflix. Aquele “tudum” que aparece com a logo em letra N logo no início das produções conta com uma versão estendida para cinema produzida por ele. Quando as salas de cinemas abrirem e filmes originais da plataforma entrarem em cartaz, as pessoas vão se deparar com uma abertura a um som parecido com aqueles de super-heróis, tipo Marvel Studios. Confira abaixo!



Percebemos com esse tanto de trabalho que Hans Zimmer realmente ama o que faz, né? A lista que trouxemos não cabe nem metade de todas as obras que ele fez. Faltaram muitas importantíssimas! Então esperamos que esse post tenha te dado uma pontinha de curiosidade e faça você buscar mais informações sobre esse veterano de trilha sonora. Até a próxima!


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