• Heloísa Cipriano

Além das Trilhas: Malhação 2004

Atualizado: há 2 dias

Um dia desses, cheguei em casa do serviço e na TV passava Malhação. Com a pandemia da Covid-19, atividades que precisam de contato físico foram suspensas - como do mundo da teledramaturgia - e a Globo resolveu reprisar a temporada de 2017, Vidas Brasileiras. Para muitos essa temporada de Malhação foi maravilhosa; eu particularmente achei horrível. Mas o curioso dessa novela que mais parece uma série para adolescentes é que ela foi feita num momento especial da sua vida. Aquela que você se interessa por se encaixar num grupo, ter um romance, e vive várias confusões dentro de si tentando se entender (ok, até depois de velho você tenta se entender). A minha fase de gostar de Malhação foi aos 17 anos, na temporada do casal Perina (Malhação Sonhos). Todos os dias, religiosamente, comprava pães, passava manteiga e tomava café com leite para assistir às 17h30. Depois, comentava com minhas amigas do Ensino Médio na escola. Mas essa não foi a primeira vez que me topei com Malhação. Foi em 2004, quando eu tinha apenas 7 aninhos de idade, que já acompanhava um pouco do Gigabyte, do Múltipla Escolha e, claro, da Vagabanda. Lembro de flashes dessa época, porque pequenina demais pra dar detalhes. Só consigo lembrar principalmente que ficava extasiada com a rebeldia da Marjorie Estiano e achava super cool o cabelo vermelho dela. As músicas então… pelo menos na época, em São Paulo, estouraram demais. Todas as adolescentes queriam ter o CD Internacional que estampava a Daniele Suzuki na capa. E é sobre a trilha sonora de Malhação 2004 que o Além das Trilhas comenta hoje.


Feita especialmente para os rockeiros e os emos dos anos 2000, a trilha sonora internacional de Malhação se encaixa perfeitamente na vida que os adolescentes levavam na época. Afinal, um rock mais "recluso", com uma expressividade peculiar estourava nas rádios. Falo de Avril Lavigne, Three Days Grace, Green Day, Panic! At The Disco. A trilha analisada vai além das histórias do casal protagonista - a doce Letícia (Juliana Didone) e o carismático Gustavo (Guilherme Berenguer) - e dos outros personagens, como a rebelde vilã Natasha (Marjorie Estiano), o baterista Catraca (João Velho) e a fofoqueira Bel (Laila Zaid). Quem não se lembra de importunar os pais a comprar um discman para ouvir o CD que tinha músicas como I Hate Everything About You, Behind Blue Eyes, I Miss You, Don’t Tell Me, Here Without You? A trilha sonora de Malhação 2004 afetou principalmente o público alvo.

CD Internacional, com Daniele Suzuki na capa (Foto: Som Livre)

Essa temporada também decidiu colocar atores que realmente se encaixavam na proposta da trama, com personalidades diversas e que faziam os telespectadores se sentirem representados (mas ainda assim, o pessoal já era velhinho o bastante para interpretar jovens de 16/17 anos). O CD Malhação 2004 marcou uma geração, principalmente a galera que hoje tem 32/33 anos. Cuidado: essa propaganda te trará uma nostalgia perigosa. Não recomendada para maiores de 23 anos.

Mas não só vivemos de Internacional, também abrimos espaço para o CD Nacional, que trouxe à tona grandes sucessos e grandes cantores. Foi nessa época que Pitty começou a ser reconhecida no rock nacional, uma das únicas figuras femininas que faz sucesso até hoje nesse gênero musical predominantemente marcado por homens.


A temporada de 2004 teve a ousadia de criar uma multimidialidade com a fictícia Vagabanda. Formada pelos personagens Gustavo, Natasha e Catraca, as músicas da banda fizeram muito sucesso nos meios de comunicação (internet ainda era banda larga então não tinha muito piratations por aí). Por isso, as músicas compostas por Marjorie Estiano a consagraram no topo das paradas de sucesso do Brasil em rádio e TV, e foi assim que Marjorie pôde mostrar seu talento nato não só para atuação, mas também para música. Inclusive, acho que ela é uma das artistas mais injustiçadas na indústria musical; sua voz é tão serena, e suas composições são lindas demais para ela não ter o reconhecimento que merece. Aí vai uma de suas canções que fez parte do CD Nacional, Você sempre será.


A música Amanhã Não Se Sabe do LS Jack, foi tema romântico do casal Letícia e Gustavo e também embalou muitas vidas de adolescentes da época. Não se lembra? Aposto que com esse refrão você vai lembrar: “Me abraça, me aceita, me aceita assim meu amor”. Também são memoráveis as canções Musa do Verão, de Felipe Dylon (o colírio Capricho); Só Por Hoje, do Detonautas; Teto De Vidro, da Pitty; Todo Mundo Quer Cuidar De Mim, da Brava.


CD Nacional, com Ícaro Silva na capa (Foto: Som Livre)

Como disse anteriormente, o CD Internacional vale pra quem gosta de rock estilo emo 2000. Quem é adepto de punk, pop rock e eletrônica também vale (essa última pra faixa Satisfaction, que bomba até hoje nas baladas). Já o CD Nacional é cheio de rock nacional nostalgia pura… sabe aquele rock 2000 que não se faz mais igual? É nesse sentido.


A Vagabanda (Foto: Divulgação)

Deu saudade? Aqui também! Agora vale dar uma rememorada nessa temporada e ouvir as faixas dos CDs, o que acha? Até a próxima!

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