• Thais Ferraz

Clássicos Modernos: “After Hours”, The Weeknd

É isso mesmo, temos série nova na área! “Clássicos Modernos” chegou para falar daqueles álbuns lançados recentemente que já nasceram com o status de CLÁSSICO e foram direto para a galeria de ícones da historiografia musical. Pois muito que bem, começamos com nada menos que o aclamadíssimo (embora esnobado por aquela premiação - sim, estamos falando com você, Grammy) After Hours, do gênio incrível Abel Tesfaye, mais conhecido como ele mesmo, The Weeknd.


Capa do álbum

E por que After Hours nasceu clássico? Bom, analisando primeiramente a sonoridade, é perceptível o desvio que Abel fez do R&B que o levou ao estrelato para uma pegada mais pop oitentista, recheada de sintetizadores e referências à estética sonora vaporwave. Ao mesmo tempo em que nos transporta ao passado, o After Hours tem uma produção quase futurista, com synths siderais, de um modo que parece uma trilha sonora cinematográfica. Essa atmosfera sonora é completamente conceitual e artística, alçando o álbum ao patamar de clássico instantâneo e, sem medo de errar, a maior obra da carreira de The Weeknd - até agora.


Além disso, o álbum inteiro é denso e melancólico, e, entre os beats sensuais característicos do artista, conta uma história que tem som, imagem e textura, e aqui não podemos falar dele sem falar dos clipes e de toda a estética visual que permeia a obra. The Weeknd explora um personagem - que é ele próprio, para quem conhece um pouco da história do cantor - autodestrutivo, descompensado, fora de si. Curiosamente, muito parecido com o personagem interpretado por Adam Sandler no filme Joias Brutas, no qual Abel fez uma pequena participação e cujo compositor também é produtor do After Hours, talvez indicando aí uma influência da vida atual de Abel no álbum. Aqui o personagem de Abel se veste com um terno vermelho (olá, Coringa, é você?), luvas de couro pretas e óculos escuros, numa estética que se perpetua por todos os clipes lançados do álbum, todas as ações promocionais, teasers, aparições televisivas e mesmo a apresentação icônica no intervalo do Super Bowl. A persona de Abel está vivendo uma longa e tumultuada noite que acompanhamos clipe a clipe.



Enquanto a história contada pelas faixas do After Hours explora melancolia, experiências vazias, vícios e autodestruição, a narrativa visual segue a mesma toada, aqui sendo um espetáculo à parte, especialmente para os cinéfilos: os clipes são repletos de referências cinematográficas dos anos 80, e temos uma miscelânea de influências, principalmente de Martin Scorcese - vide o próprio título do álbum, homônimo ao filme de 1985 do diretor -, com referências de filmes como “O Rei da Comédia”, “Casino”, “Chinatown”, “Coringa”, “Vestida para Matar”, “O Massacre da Serra Elétrica”, “Joias Brutas”, “Batman - O Cavaleiro das Trevas”, “De Olhos bem Fechados” e “Medo e Delírio”.

Vamos ver algumas das referências cinematográficas em imagens?


1. O Massacre da Serra Elétrica


Aqui temos a clara influência dos clássicos slasher, filmes de terror dos anos 80, no clipe de In Your Eyes.


Cena do filme

cena do clipe de "In Your Eyes"

2. Coringa


A cena icônica do Coringa dentro do elevador é referenciada quase literalmente no clipe de After Hours.


Cena do filme Coringa

cena do clipe de After Hours


3. Casino


Tanto Casino quanto O Rei da Comédia, ambos dirigidos por Martin Scorcese, foram referenciados nos clipes do After Hours. Aqui temos, em Heartless, uma cena parecidíssima com a de Robert De Niro em Casino.

Robert De Niro em "Casino"

The Weeknd no clipe de "Heartless"


4. De Olhos bem Abertos


O clipe de Save your Tears serviu referências belíssimas ao filme De Olhos Bem Abertos, com um baile de máscaras em que os personagens mal têm expressões - assim como o próprio Abel, cheio de intervenções “estéticas” no rosto.


baile de máscaras em “De Olhos Bem Abertos”

cena do clipe de “Save your Tears”


5. Chinatown


O próprio Abel, em entrevista à revista Variety, confirmou que o nariz quebrado presente na estética dos clipes a partir de Blinding Lights, era uma referência direta ao filme Chinatown.


Jack Nicholson em “Chinatown”

Abel em “Blinding Lights”

6. Alucinações do Passado


A cena do metrô no clipe de In Your Eyes também tem referência cinematográfica, dessa vez ao filme Alucinações do Passado, de 1990.


cena do filme

cena do clipe de “In Your Eyes”

7. Joias Brutas


Com participação breve de Abel, sua persona em After Hours começa o clipe de Blinding Lights com uma cena semelhante ao personagem de Adam Sandler no filme.


Adam Sandler em “Joias Brutas”

Abel no começo do clipe de “Blinding Lights”

Ouça ao "After Hours" na íntegra no Spotify!




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