• Heloísa Cipriano

Clássicos Modernos: "Blossoms", Blossoms


Já não é novidade que apoiar a cena local é crucial para que um artista independente se desenvolva e seja reconhecido cada vez mais pelo público. A arte sobrevive por meio do reconhecimento para quem a consome, entre eles, os fãs. Isso acontece para diversas bandas musicais mundo afora: uma delas é de Stockport, a vizinha menos popular de Manchester, no norte da Inglaterra, que começou a ser reconhecida na região e logo alcançou ouvintes de outros países e continentes. Estamos falando de Blossoms, banda indie pop formada em 2013 por vários amigos que se conheceram num ambiente propício para formar uma banda… na escola.


A formação de Blossoms. Foto: Getty Images

Em janeiro de 2014 lançaram seu primeiro single, "You Pulled a Gun on Me"; mas foi com o lançamento do single "Charlemagne" em 2015 que os cinco amigos conquistaram sucesso comercial e receberam boas avaliações da crítica especializada. Na época, a faixa ficou em primeiro lugar na BBC Radio 1 e apareceu na lista “Spotlight on 2016” do Spotify.


Foi com o primeiro álbum de estúdio que Blossoms disparou comercialmente na competitiva indústria da música. Mas antes de Blossoms (2016) ser lançada com todas suas 12 faixas, 7 delas foram divulgadas aos poucos, como EPs. São elas: Blow, Cut Me and I'll Bleed, Blown Rose, Charlemagne, At Most a Kiss, Getaway e My Favorite Room.

Capa do álbum Blossoms (2016).

A primeira faixa já é o single mais popular da banda, com mais de 58 milhões de reproduções no Spotify: Charlemagne. A utilização de teclados, órgãos e sintetizadores é possível de se perceber logo nas primeiras notas, e a sensação para muitos é de como se estivessem ouvindo um pop-rock da década de 1980, como da banda A-ha, com o sucesso Take on Me. A letra de Charlemagne pode ser confusa para quem não conhece a origem da composição, completamente pessoal, escrita pelo vocalista Tom Ogden. Segundo contou numa entrevista para a NME, ele rebatizou o nome da música, que seria “Made of Lead” para “Charlemagne” como homenagem ao rei medieval dos francos, Carlos Magno. Seu irmão, que estudava história na época, o ouviu cantando o refrão “Hello, hello / Who put love in my head? / I know, I know it's made of lead / Hello, hello / Science came, a kingdom reigned” e perguntou se ele conhecia a história de Carlos Magno, o primeiro Imperador do Sacro Império Romano-Germânico. E foi assim que se originou a letra.


Logo depois, temos a enérgica At Most a Kiss. Como bem escreveu o site de notícias britânico The Guardian, nessa faixa, assim como em Honey Sweet, a banda relembra paradas de sucesso da década de 1980 e poderia ser uma daquelas descobertas feitas por John Peel, um DJ e radialista britânico que divulgou grande parte das maiores bandas ocidentais das últimas quatro décadas, como Velvet Underground, Nirvana e U2.


Acredito que o que faz esse primeiro álbum de Blossoms ser um clássico moderno é justamente por nos tele transportar para um som antigo, mas também bastante atual. Todas as faixas me transmitem a sensação de que estou passeando de carro numa cidade grande, escutando o som pela rádio. Especialmente em Getaway, essa sensação é mais forte, assim como pressentir que a banda preza por liberdade, tanto na letra quanto na sonoridade.


Honey Sweet cabe perfeitamente numa playlist de lojas de departamento, vamos combinar?! É perfeita para ilustrar uma pegada mais fotográfica, editorial de moda… a letra mais uma vez acredito ser um pouco confusa, mas tem novamente explicação pessoal. De acordo com entrevista ao NME, Tom Ogden informou que a gravadora deu a ideia de escrever uma música que poderia ser cantada por Taylor Swift. Foi com Honey Sweet que receberam esse reconhecimento.


Depois vem Onto Her Bed, mais introspectiva e com menos elementos sonoros, dando destaque ao piano; e Texia, que soa ligeiramente o gênero disco, mas sem sair do pop-rock. O The Guardian classificou a canção como intrigante, e que se destaca do resto do álbum, sugerindo que a banda pode mostrar mais do que parece ter inicialmente. A canção é uma das que tem menos reproduções no Spotify, mas sabe aquelas músicas subestimadas pelo fandom? Acredito que Texia é uma delas. O som remete também à eletrônica Blue Monday, da banda New Order, coincidentemente também formada em Manchester.


Blown Rose é apaixonante já nos primeiros acordes. Aliás, a maioria das canções de Blossoms começam sem muito fade-in, já com os instrumentos em alta. Aqui em Blown Rose, especialmente o quinto elemento torna tudo mais moderno: o teclado nos envolve numa nostalgia que parece até nos levar a um baile de formatura bem clichê dos anos 1980, com rei e rainha da noite.


Smashed Pianos começa mais grunge, com aquele efeito de voz abafada em Tom Ogden. Depois, a canção vai crescendo, mas continua com um ar introspectivo. Cut Me And I’ll Bleed é bem indie pop e remete rapidamente à canções mainstream já conhecidas por esse público, como What You Know, de Two Door Cinema Club.


My Favourite Room tem um refrão bem fácil de pegar para grudar na cabeça e conta com elementos sonoros como violão e pandeiro que, juntos, tornam a música super romântica e facilmente vendável para produtos audiovisuais para jovens adultos. Eu consigo visualizar My Favorite Room em filmes como Simplesmente Acontece ou Para Todos os Garotos que Já Amei.


Blow e Deep Grass finalizam o álbum cada um com sua proposta bem alinhada. Blow tem coro de vozes dos integrantes ao fundo em diversos momentos, o que desperta uma referência da banda Queen. De certa forma me lembra um pouco country music, mas isso apenas na voz do frontman, em determinados momentos. Já Deep Grass também parece ser subestimada, e se ouvida mais vezes, é possível perceber que é bem característica. É um produto bem executado.


Em resumo, Blossoms (2016) introduz as pessoas a conhecerem a banda com um som voltado ao new wave e ao pop music dos anos 1980, dançante e alegre, com melodias marcantes, poderosos riffs de guitarra e o toque final dos teclados. A influência de Oasis, Stone Roses, The La’s e gêneros como funk, soul e electro originaram o que hoje eles são para a indústria da música pop-rock.

Ouça Blossoms (2016) aqui:


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