• Anna Clara Fonseca

Clássicos modernos: "Harry Styles", Harry Styles

Atualizado: Mar 11

Todos precisam de um tempo para pensar e colocar novas ideias em perspectiva e foi exatamente o que Harry Styles fez ao manifestar sua nova persona ao mundo da música em 2017.


Após o hiato da boyband britânica One Direction, cada integrante seguiu seu caminho para focar em seus respectivos trabalhos solos, utilizando a liberdade sonora que antes não tinham devido ao conceito carro-chefe da boyband. Claramente não entrava em coesão com a sonoridade principal. Foi um momento crucial para analisarmos como eles eram diferentes, musicalmente falando. Quando os membros começaram expressar a musicalidade própria em seus solos, percebemos que muitas possibilidades haviam sido suprimidas para agradar a maioria, que de fato, agradou. Agora eles queriam agradar apenas a eles mesmos e Harry não tardou em mostrar sua verdadeira arte.

O rock clássico sempre teve uma influência muito recorrente na vida de Styles. Logo não retraiu-se em usá-la como referência principal. Na edição especial sobre Harry para a revista britânica Another Man lançada em junho de 2017, Styles compartilha seu apreço único pelos clássicos lançados nos anos 60 e 70, como o memorável e considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos pela Rolling Stones Pet Sounds do The Beach Boys, Rumors do Fleetwood Mac (banda favorita de Harry), Hunky Dory do David Bowie e The Complete Sun Senssions do Elvis Presley, além de comentar a importância do álbum The Dark Side Of The Moon, do Pink Floyd em sua vida.


Capa do álbum

Através de suas escolhas e preferências, as referências que permeiam a musicalidade do artista podem se tornar ainda mais clássicas e especiais. Esperávamos algo que suas músicas poderiam entregar sonoridades próximas de suas bandas preferidas, e foi exatamente o que ganhamos. Ainda melhor. O autointitulado Harry Styles foi lançado no dia 12 de maio de 2017, contendo 10 faixas inéditas com um som mais robusto e trabalhado, cheio de autenticidade e conseguindo, finalmente, reconhecer que é um projeto dele. Uma mistura de rock, soft rock e britpop comandam boa parte da sonoridade, parecendo até que foram lançadas em outra década.



A contagem baixa inicia a faixa Meet Me In The Hallway. O violão e a voz distante no início nos fazem lembrar a canção Breathe, do Pink Floyd. A melancolia da letra por vezes encontra o som celestial ressoando de maneira calma e com força ao alcançar o refrão com “I gotta get better”. A morfina, que uma vez já foi a resposta para suas dores, está sendo injetada duplamente na esperança de se livrar da dor latejante de seu peito. Ele sabe que sua melhora apenas significará que a chance de dar certo é apenas um talvez. É uma bela homenagem a uma de suas bandas favoritas.

O single Sign Of The Times foi o primeiro lampejo da carreira solo de Harry para o que um dia seria seu maior diferencial. A corpulência da canção carrega uma identidade singular que ganha força no refrão e com o acompanhamento de riffs de guitarra, a elegância toma forma do começo ao fim, entregando uma ressonância épica, quase orquestral para iniciar sua jornada solo honrando com suas próprias virtudes. O disco toma outro rumo em Carolina, um pop rock carregado de bateria e vozes secundárias para compor a ambientação que a canção pede, entretendo o ouvinte com uma história sobre uma boa garota e como ele a deseja desesperadamente. Rumores afirmam que a música é sobre uma fã que conheceu uma vez. Domir no ponto? Aqui não, diz Harry.

A delicadeza de Sweet Creature e Two Ghosts flerta com romances ideais o suficiente para acreditarmos no amor novamente ao ouvi-las, acalentando os corações com a voz inconfundível daquele que consegue transmitir os sentimentos mais intrínsecos que seu coração pode sentir. O sons melódicos sensibiliza ainda mais a composição romântica sobre pessoas que se amam e que mudanças pessoais acontecem ao mesmo tempo. Eles estão estão convivendo com isso, por mais que seja difícil. Mais uma vez nos vemos tomando outro caminho com Woman, onde a sensualidade promove um contato mais íntimo e próximo com o que está cantando enquanto Kiwi e Only Angel contêm excessivas doses de rock n’ roll com uma mistura a lá The Rolling Stones com Electric Light Orchestra. A serenidade é alcançada com a última faixa From The Dining Table, sendo responsável em finalizar o primeiro trabalho do britânico de uma maneira sensível e com gostinho de quero mais.


Harry para Another Man em 2017.

O disco recebeu críticas positivas do público e de vários artistas importantes do ramo fonográfico como Liam Gallagher, vocalista do Oasis e Nick Mason, baterista do Pink Floyd. Os dois assumiram gostar do trabalho de Harry, Mason até se propôs a tocar bateria na banda se o próprio concordasse que, obviamente, não negou a possibilidade. Esse início foi essencial para a carreira de Harry, que foi fincar ainda mais seu legado na música contemporânea. Atualmente seu segundo disco Fine Line é considerado um dos melhores do ano e contempla até mesmo uma indicação no Grammys 2021 na categoria “Best Pop Vocal Album”.

Se a intenção de Styles é voltar o vintage em nossos corações, ele pode levantar a mão aos céus como John Bender faz na cena final de Clube dos Cinco porque ele conseguiu. Suas referências musicais contribuíram numa sonância extremamente singular, mesmo que conseguimos sentir outras influências, o que é algo bom. Ouvir o disco de Harry é como ouvir um trabalho clássico sem perder sua essência. Honra seus heróis da maneira mais única possível. Ele se tornou responsável em repassar e manter um legado a essa nova geração.


Ouça Harry Styles aqui:

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