• Bárbara Bigas

Coletivo afro-nórdico Monoswezi se prepara para o lançamento de seu 5º álbum


Monoswezi é um coletivo musical em constante evolução. Formado por integrantes de diferentes nacionalidades, o grupo possui esse nome devido a uma contração das quatro nacionalidades dos membros fundadores: Moçambique (Mo), Noruega (No), Suécia (Swe) e Zimbábue (Zi).


A influência de cada cultura é audível na discografia do coletivo, uma alternativa para os ouvidos cansados das fusões cosméticas e artificiais da chamada "world music".


Shanu, o nome do 5º álbum do grupo, a ser lançado em 29 de outubro, significa simplesmente "cinco" na língua Shona do Zimbábue, país da vocalista e instrumentista Hope Masike. Este álbum é sem dúvidas o mais aventureiro dentro da discografia do coletivo, incorporando elementos eletrônicos pouco usuais ao seu som, mesclando-os com a bagagem de jazz nórdico do grupo.



Imagem do coletivo musical afro-nórdico "Monoswezi"
Da esquerda para a direita: Calu Tsemane (Moçambique), Hallvard Godal (Noruega), Putte Johander (Suécia), Hope Masike (Zimbábue), Erik Nylander (Suécia).

A novidade está na utilização do Mellotron (um tipo de órgão) pelo compositor e multi-instrumentista Hallvard Godal, que queria aproveitar o potencial do instrumento acrescentando mais harmonias e cor ao som do Monoswezi. Nas palavras de Hallvard: “Eu já havia tocado harmônica Indiana em composições anteriores mas estava à procura de algo mais exuberante, menos característico, mantendo ao mesmo tempo a sensação acústica, e o Mellotron tinha isso”.

A música do Monoswezi não é excessivamente pensada ou pretensiosa e as 9 faixas de Shanu comprovam que evoluíram na forma típica de um coletivo, permitindo que ideias se materializassem sob o impulso do momento, ao invés de tentar alcançar um conceito. Como disse Hallvard, "Quando componho, o processo não é pré-definido. Brinco com ideias e coisas diferentes para desenvolvê-las, depois levo-as para a banda e continuamos juntos”.


A música africana continua a ser a inspiração central do Monoswezi. O processo de composição se baseia na bagagem musical de Hope Masike (Zimbábue) e Calu Tsemane (Moçambique) para ser adornada pela inclinação ao jazz nórdico do restante do coletivo.


As letras revelam uma rica gama de diferentes temas, característica principal de Hope, uma contadora de histórias nata, com canções sobre perder as raízes e se distanciar da própria herança (Para entender melhor, ouça “Tsika Dzako”), ou sobre o problema contínuo da desigualdade entre gêneros, penoso para as mulheres (presente em “We Crown You Nehanda”) e da ganância e egoísmo dos governantes (relatada em “Zvorema”).


O instrumento tradicional de Zimbábue, a mbira, é primordial para o som do Monoswezi. Hope carrega essa bandeira para as mbira players mulheres em todos os lugares onde se apresenta, desbloqueando rotas rítmicas através do som em todas as faixas, incluindo a intitulada “Where Is My Mbira?”, uma canção sobre o anseio e o olhar para a herança de alguém.


Em preparação para o lançamento de Shanu, Monoswezi lançou o single "Woshanda", já disponível nas plataformas digitais. É um ótimo começo para os que ainda não conhecem o coletivo, além de demonstrar um pouco das experiências que serão oferecidas pelo novo disco do grupo.

Ouça aqui o single "Woshanda":




Estamos ouvindo!

LEIA TAMBÉM