• Lukas Ramos

Tem mana no rap! Hiran chega na cena exigindo respeito

Atualizado: 12 de Set de 2019


Gay, preto e baiano, Hiran é um dos fenômenos em ascensão do rap nacional. (Créditos: Uran Rodrigues)

Ó, o viadinho chegou! Até hoje essa frase pode ser usada para chacota. Mas aqui, ela é sinônimo de empoderamento e servirá de introdução para anunciar que tem mana no rap. Hiran chegou para reforçar o bonde que já conta com nomes como Rico Dalasam e Quebrada Queer.


Natural de Alagoinhas, no interior baiano, Hiran Fernandes Santos tem uma relação com música desde muito cedo, cantando desde os 9 anos de idade. Mas, esse relacionamento só passou a ter um status mais sério há 2 anos, quando ele lançou seu primeiro single, Choque de Bass. O rapper é um desses fenômenos em ascensão e que promete chegar no topo rapidinho. Portanto se você ainda não tava atento no boy, conheça mais sobre HIRAN.



Apesar do rap compreender e retratar a luta da minoria negra e periférica, esse estilo ainda é contaminado pelo machismo. Isso dificulta a presença de mulheres e LGBTs nesse espaço. Por conta disso, Hiran, que é homossexual, chega na cena exigindo respeito.


""O rap", como o povo fala, é cheio de machismo e homofobia. Comentários homofóbicos são normais em batalhas, a gente não é chamado para compor os festivais, a galera não acha que a gente merece o mesmo respeito que os homens héteros. [..] A gente tem que furar essas bolhas e conseguir se sobressair", disse o cantor em entrevista à Bocada Forte.


No ano passado, o rapper lançou seu álbum de estreia, com o título Tem Mana no Rap. O disco tem 8 faixas e conta com a participação de Don Maths, Vandal, Galf e Colibri. Logo na primeira música, a faixa título, ele diz: "Eu não sou pauta pra tuas ofensa / Tuas piada burra, tua demência / O seu freestyle poderia ser mais criativo / Dando mais passos para trás, em que mundo eu vivo?". E, é assim, com versos de tom crítico e assertivos que ele constrói uma narrativa sobre representatividade, quebra de paradigmas sociais e as dificuldades de um gay ocupar o espaço do hip-hop.



Além dos trabalhos próprios, Hiran também já colocou seu nome ao lado de outros artistas da música nacional. O rapper fez participação na música Arruda, do grupo Quebrada Queer, e divide os vocais com Majur em Náufrago. Ele também estrelou a campanha da Melissa x Rider, junto com Ludmilla e Duda Beat, na qual o trio gravou uma nova versão do hit Cheguei (Ludmilla).


Recentemente, Hiran foi parar nas telas da maior emissora do país, a Rede Globo de Televisão. Hiran, juntamente com Majur, apresentou Náufrago durante o especial do Altas Horas para o Criança Esperança desse ano. Detalhe que eles foram os convidados especiais de Caetano Veloso para o programa.



O mais recente trabalho de Hiran saiu há pouco tempo. No dia 28 de agosto, ele lançou Lágrima, em parceria com a drag Gloria Groove, o rapper Baco Exu do Blues e o grupo ÁTTOOXXÀ. Com um time de peso desses, não tinha como ter outro resultado além de um super sucesso que está gritando para ser hit e dominar as pistas e playlists pelo Brasil afora.



Lágrima marca uma nova fase na carreira do rapper, com mais influências de outros gêneros. Além do hip-hop, típico de Hiran e que ganha ainda mais peso com Baco, é possível perceber a forte influência da música pop e R&B, que são guiados com maestria pela voz potente de Gloria. E, ainda tem o som característico do grupo baiano, que dá aquela apimentada e levanta as batidas da música.


Em entrevista ao Observatório G, o cantor falou sobre as novas influências que são agregadas ao seu som. "Eu nasço no hip-hop e me expando até onde o meu corpo e a minha energia permitirem. Eu tô num momento de experimentação muito louco. Eu sei que sou rapper e que tenho uma fundação ali, mas acho que consigo me desmanchar na musicalidade de outros estilos e eu tenho bem caçado isso", comentou Harin.


Até os espaços de minorias estão suscetíveis a sofrerem fortes influências de uma sociedade machista. Na luta pela diversidade é importante ver a inclusão e o sucesso de artistas LGBT em um cenário como o do hip-hop, seja com os feats, como foi em AmarElo, ou com eles protagonizando suas próprias rimas, como faz Hiran.

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