• Heloísa Cipriano

Ei, Escuta meu Som? - Felipe Martins & Damn Free Doom


Você com certeza já ouviu a palavra “underground” no meio cultural. Ela tem tudo a ver com a cena autoral e independente; porque é no cenário underground que conhecemos novas bandas, novos artistas e novas composições… E nos apaixonamos por elas. Para vender, antes, precisou passar por um processo de adaptação do gosto do público consumidor; e nós da Sidetrack Magazine temos absoluta certeza de que é preciso valorizar a cena regional de cada um dos quatro cantos do Brasil.


Agora que começamos a fazer parte da Groover Brasil - uma plataforma na qual artistas independentes pedem feedback de curadores musicais e profissionais da área - pensamos… porque nunca fizemos uma coluna que fale APENAS sobre o trabalho dos profissionais da música conhecidos por um público fiel, mas que não são do mainstream? O review da banda tocantinense Soprü, Enquanto a Orquestra Não Vem, foi outro motivador para chegarmos aqui.


Então hoje apresentamos o primeiro post da coluna que batizamos como “Ei, Escuta meu Som?”. Nela, você só vai conferir reviews e entrevistas com artistas independentes do nosso país e do mundo. E começamos com o review do álbum da banda experimental Damn Free Doom. Ela tem como integrante Felipe Martins, que também faz parte da banda tocantinense Wizened Tree. Confira!


Quem não conhece a Wizened Tree, pode conferir nesse post aqui um de seus trabalhos. Felipe Martins é baixista dela; e ele também lançou um segundo projeto na banda experimental Damn Free Doom no mês passado, ainda em abril. O som é despretensioso; chama a atenção as experiências sonoras que são encaixadas, e tudo de forma instrumental. Quem curte um som assim, pra se ouvir enquanto trabalha ou apenas para relaxar, vai curtir o trabalho.



Para conhecer melhor o projeto, fizemos algumas perguntas a Felipe. Dê uma lida na entrevista!


SDTK: Além da Wizened Tree, da qual você faz parte como baixista, você também trabalha em projetos da banda experimental Damn Free Doom. Em agosto do ano passado, foi lançado o primeiro álbum com 8 faixas; e agora, você lançou um segundo álbum, o Vol. 1 com 21 minutos e 31 segundos de duração. De onde saiu inspiração para lançar esse segundo projeto, que tem uma pegada espacial na identidade e composição das faixas?


FM: Damn Free Doom é um projeto de música experimental onde não há barreiras. A maior inspiração, tanto do primeiro álbum, quanto desse último é a mesma... é pegar tudo que tá rolando na mente e tentar encaixar entre novas experiências sonoras. Um detalhe que inspirou a mixagem é que o álbum inteiro está dentro de uma sintonização de rádio, com interferências e ruídos. Essa sacada tem no álbum do Queens of the Stone Age, no “Songs for the Deaf”.


SDTK: Nessa nossa nova coluna, queremos trazer o trabalho de artistas independentes e dar um espaço para que mais pessoas conheçam suas trajetórias. Para você: qual a sua relação com a música e desde quando se interessou em trabalhar com isso?


FM: Música é minha religião, é meu alimento da alma. Tive oportunidade de trabalhar e estudar várias coisas na vida, e a certeza é que a música sempre fará parte de mim.


SDTK: Como surgiu a Damn Free Doom? Durante a pandemia? Há mais integrantes que te auxiliam nas composições eletrônicas?


FM: Damn Free Doom é um grupo de seres fictícios, vindos de diferentes lugares, e assim trazendo diferentes influências. Atualmente é formada por Slizzer, Jimmy, Anisha e Joey. E eu, Felipe Marinho atuando nas produções. Surgiu durante a pandemia com a composição do primeiro álbum, feita inteira dentro do quarto com o celular. E conforme o universo flui adiante mesmo na pandemia, Damn Free Doom também, tendo evoluído em alguns aspectos sonoros, e sempre levando em frente a liberdade criativa e o ímpeto artístico musical.


Eu acredito que hoje em dia, as possibilidades de fazer música são muito maiores do que antigamente, porém ainda existem barreiras sim, como também existiam antes… Só que hoje eu acredito que as maiores barreiras são as que nós mesmos construímos, nos limitando e deixando o medo tomar conta, apagando assim a luz dos nossos sonhos. Damn Free Doom representa a quebra dessa barreira, fazendo música e expondo arte de forma destemida.


SDTK: Como você define o público interessado pelo trabalho da Damn Free Doom? Você pretende atingir qual estilo com suas obras?


FM: Difícil dizer qual o público tem mostrado interesse pelo projeto... Espero que já exista um público que curta essa pegada meio rock meio eletrônico, com temas diversos, passando por animes, filmes de terror, ficção científica, games, arte antiga e moderna, e sem medo de escutar um rock mais garagem ou mesmo demos de diversas composições, as quais um dia podem virar composições de estúdio. Se não existir esse público ainda, espero pelo menos influenciar outros artistas a comporem outras coisas a partir dos diversos experimentos que serão realizados ao longo da trajetória da Damn Free Doom.


SDTK: Na divulgação desse segundo álbum, foi informado que houve uma mistura de temas como missões espaciais da Nasa a Marte e o plano de Elon Musk de colonizar o planeta vermelho até 2050. Qual o motivo de criar o álbum inspirado nesse tema espacial?


FM: Há muitos anos já existem teorias que vamos colonizar Marte. Várias delas com suas previsões de como será, e quando será. Eu acredito que estamos chegando perto dessa época. Novas sondas super tecnológicas já estão executando missões que darão mais embasamento nas ideias de como colonizar Marte. Outro fator está no enredo do anime Cowboy Bebop, que se passa lá pelo ano de 2071. E o personagem principal, Spike Spiegel, é um Marciano nascido em 2044. Vale lembrar que o anime é de 1998, 23 anos atrás. E seguindo essa conta, daqui 23 anos nasceria o Spike em Marte. Bate certo com a previsão do Elon Musk.


SDTK: Por fim, há um novo projeto da Damn Free Doom sendo trabalhado? E da Wizened Tree?


FM: Sim, Damn Free Doom acho que vai rolar umas singles soltas de outras experiências. “Se pá” até já role um feat. com algum artista local, mas aí é surpresa. E a Wizened Tree também tem coisa por vir… Estamos com algumas composições de músicas novas, e até já começamos a gravar uma delas para dar sequência no trabalho… Para logo mais podermos voltar à ativa como banda e apresentar novas músicas com novas mensagem psicodélicas e filosóficas dentro do rock n roll tocantinense.


Ficaram curiosos em conhecer mais o trabalho da Damn Free Doom? Ouça-os no Spotify!





Estamos ouvindo!

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