• Anna Clara Fonseca

[ENTREVISTA] O amor de Babi Dewet

Atualizado: Fev 2

Por Anna Clara Fonseca, Barbara Bigas e Leonardo Henrique


"Qual o seu artista favorito?"

Foto: Arquivo Pessoal

Essa é uma resposta que tende a mudar constantemente conforme crescemos e desenvolvemos, dando espaço para novas experiências regidas pela escolha de nosso coração. É difícil encontrar alguém que não admire alguém de alguma forma. Todos nós temos ídolos, artistas que apreciamos, figuras interessantes que entregamos boa parte do tempo de nossas vidas para ouvi-lo cantar, atuar, escrever ou simplesmente respirar. Entretanto, o senso comum apenas admira, nada mais que isso. Existe um amor vestido de admiração poderoso, capaz de mover montanhas e cruzar oceanos para encontrar um elo que não conhece sua face, mas conhece seu coração. Estamos falando do amor de fã. Ser fã, para muitos, é uma arte incompreendida. A sociedade não entende o porquê amamos alguém que não sabe da nossa existência: esse é o discurso que todo fã ouve, incluindo o de que é só uma fase. O que as pessoas não entendem é que não estamos ali a toa. Somos atraídos aquela situação, que no futuro pode acabar mostrando algo sobre nós mesmos. Harry Styles sempre foi fã de Fleetwood Mac, Liam Gallagher é um grande apreciador de The Stone Roses e McFly foi a gasolina perfeita para Babi Dewet cravar seu legado em forma de livro no mundo. Todos esses fatos nos comprovam outro fato: artistas criam outros artistas.


O estimado amor que Babi dedica com tamanha amabilidade ao seus artistas favoritos é tão admirável que no fundo queremos ser amados do mesmo jeito em algum momento de nossas vidas.


Nascida no Rio de Janeiro, música sempre foi a melhor amiga de Babi. O amor pela primeira arte tomou força na pré-adolescência quando conheceu os Hanson e sua primeira boyband foram os irlandeses do Westlife, que fizeram com que ela passasse a frequentar fóruns, fã-clubes, entre outros. Um belo dia, os ingleses do McFly decidiram fazer uma pequena visita e acabaram criando morada em seu coração. A banda não foi apenas um simples amor do dia-a-dia; eles mudaram a vida dela para sempre, possibilitando apresentar sua primeira obra literária ao mundo.


Os fãs da McFly foram um dos principais disseminadores de fanfics no Brasil. O país descobriu um novo jeito de contar histórias de forma envolventemente despojada. Uma das principais fanfics do fandom se chamava ‘Sábado à noite’. Escrita por quem? Isso mesmo, a fada Babi Dewet. Seu sucesso era inegável, era a favorita entre a maioria das fãs e acabou se tornando referência no assunto. A partir daí, ela fincou seu nome no mundo da literatura e da música com louvor, evangelizando a palavra do k-pop através do Brasil, conquistando o coração de muitos.

Em um ameno sábado à tarde (não à noite, como na obra de Babi), tivemos a honra de conversar com duas mulheres incríveis: Babi e Sayuri, sua partner in crime. Queríamos entender com precisão o que aconteceu com o k-pop no Brasil e não haviam pessoas melhores para responder essa questão para nós.


SDTK: Conta pra gente como a música foi introduzida na sua vida. Qual é a sua primeira memória musical?


B: Meu pai era de uma banda cover dos Beatles. Quando era criança, tenho uma memória de abrir os armários do meu pai e ter vários posters do Led Zeppelin dentro porque minha mãe não deixava ele colocar na parede. Minha mãe também vem de um passado musical. Quando criança, ela era cantora de moda de viola no interior de Minas. Minha irmã tem todos os dons musicais do universo, ela aprendeu a tocar todos os instrumentos musicais sozinha. Eu nunca tive talento pra nenhum instrumento, nunca levei jeito pra esse lado, mas cresci envolta de pessoas que sempre tiveram facilidade com isso. Cresci no meio de muita música o tempo todo, era muito natural ter música em casa. Eu acho que pelo fato de ver a família inteira e todo mundo ser muito talentoso musicalmente e eu não ter essa veia, acabei focando em criar personagens que tinham, era como poder ter um pouco dessa vivência que eu nunca tive. Eu acabo me realizando através dos personagens.


SDTK: E deve ser muito legal você poder trabalhar com isso hoje em dia, ficar próximo disso pelo menos um pouco.


B: Sim! Quando eu era criança, nunca quis ser escritora. Eu gostava de escrever, mas queria ser professora, paleontóloga, trabalhar com biologia de genética; você quer ser muita coisa e não foca em nada. Acabei escrevendo fanfics quando tinha uns 15 anos. Aprendi que podia e gostava de escrever para outras pessoas, ler outras histórias por fanfics de Harry Potter, depois passou pra fanfics de Westlife, depois pra McFly e agora são as de K-Pop.


Eu acabei fazendo faculdade de cinema, procurei focar mais em produção do que em roteiro. Sempre gostei da bagunça do backstage por conta dos shows do meu pai. Com o tempo, fui vendo que essa era uma área que eu realmente tinha interesse, mas também não era o principal, fazia mais como um hobby. Lembro que em 2009 peguei pra reler uma fanfic do McFly chamada 'Sábado à noite' e pensei em lançar como um livro independente. Na época, não tínhamos espaço no mercado nacional para livros juvenis. Foi muito bacana. Os fãs do McFly foram os que mais me apoiaram, vendi mil livros em um ano, que hoje em dia é muita coisa, mas naquela época era MUITA coisa. Logo após, comecei trabalhando com produção de show de k-pop. No fim das contas, foi um caminho muito longo, não foi de repente. Hoje eu tenho 33 anos, fiz minha faculdade com 17. Foram muitos anos tentando encontrar algo que eu realmente quisesse fazer e ser feliz fazendo. Muitas pessoas começam muito novas e querem tudo naquele momento, mas se você olhar a histórias de outras pessoas a sua vida, que muitas vezes é um caminho muito longo, você acaba entendo que dá pra ter um pouco de calma.


Foto: Arquivo Pessoal

Por vivenciar tantas experiências nesse mundo de produção e do k-pop, Babi tem bagagem o suficiente para nos explicar sobre esse universo e até onde seu glamour vai.


B: Trabalhar com k-pop demanda muitos privilégios. O povo acha que a gente fica rico trabalhando com isso, só gastamos dinheiro, porém é um processo. Estamos investindo em algo que vai nos deixar feliz e que no futuro pode virar algo promissor pra gente. Temos o privilégio de investir nisso. Sei que é muito chato dizer “não é só seguir os seus sonhos”. Na teoria é muito bonito, mas não é prático pra ninguém. Mas também não é pra desmotivar, é entender que pode levar tempo.



SDTK: Você nos falou sobre o McFly e nós queremos saber: como começou esse amor? Você entrou de cara ou já conhecia antes?


B: Eu gostava muito de Westlife e acompanhava tudo sobre eles na época: fóruns, fanfics e tal. Em um dos fóruns, vi que uma menina tinha foto do McFly super bonitinha. Estava com uma amiga e falamos "que fofinho, vamos procurar?”. Faz muito tempo! O YouTube nem era grande coisa e tínhamos que baixar tudo por outros programas. Eu lembro que baixamos uns vídeos deles pra ver, o primeiro que vi foi um vídeo deles fazendo cover dos Beatles e fiquei “aaaaah”! Ali me conquistou e comecei a acompanhar. Minha primeira paixão foi o Danny Jones. O Danny é chato pra cacete? É! Ele é terrível? É! Se eu fosse escolher hoje em dia, talvez ele não fosse o meu preferido? Talvez não fosse! Mas o coração é Jones. Foi muito de repente: vendo uma foto, um vídeo... Como sou muito viciada nas coisas, fui procurando coisas e também foi quando comecei a escrever e ler fanfic, fazer site (na época eu tinha o McFly Addiction). Pensamos em fazer um site pra falar deles porque na época tinha um site no Brasil que quase não era atualizado e já que gostamos de se meter com coisa de fã, fizemos o site. Foi uma loucura, mas foi assim que aconteceu.


Foto: Arquivo Pessoal

SDTK: Quando você começou a escrever fanfics, você imaginou que sua vida chegaria no estágio onde chegou?


B: De jeito nenhum! (risos). Eu nunca pensei em ser escritora, eu só queria escrever. Eu não pensei que era possível ser escritor no Brasil porque quando eu era mais nova ser escritor sempre foi tipo Machado de Assis. Eram pessoas muito inalcançáveis, você não conhecia nem a cara delas. Eu era apaixonada pelo Pedro Bandeira, não sabia que era velhinho (risos). Os livros que eu tinha dele não tinham foto e no dia que vi que ele era um velhinho, continuei apaixonada, mas de um outro jeito. Eu não imaginei que esse tipo de carreira fosse possível no Brasil, talvez na época ainda não fosse. Hoje é possível e ainda é muito difícil, naquela época era negativo. Eu não pensava que chegaria nesse ponto. Quando eu vi que era algo que gostava e que podia investir, comecei a incluir na minha vida como hobby, e foi crescendo e virando mais do que isso. Depois foi: “Agora vou me ferrar cem por cento, bora pra São Paulo viver disso”. (risos)


SDTK: Nos conte como foi sua introdução ao k-pop.


B: Na verdade, comecei no k-pop e na cultura coreana com os dramas. Eu já escrevia e já tinha um livro lançado. Uma amiga minha lá de Brasília, a Carlinha, assistia muita coisa e ela sempre mandava vários links pedindo pra eu ver filmes, uns filmes indianos, das Filipinas e eu ficava “ah não, tenho muita coisa pra fazer”. Assistia um ou outro e achava legal, mas não era aquilo. Um dia ela me mandou um drama coreano e disse que era a cara dos meus livros, “bem idiota e bobo igual seus livros” (risos). Ela me recomendou Boys Over Flowers. Não aconselho começar por esse. Hoje em dia sabemos os problemas que ele tem, na época eu não via problema nenhum. Quando assisti, falei “é isso”. Tinha o Lee Min-ho sendo lindo, incrível e sendo escroto como o bad boy que amamos em fanfics. Eu gostei muito e comecei a pesquisar mais. Uma das músicas do drama era do Shinee, ouvi a música, vi um clipe do BIGBANG, Fantastic Baby, e quando assisti, pensei “era tudo que eu precisava pra suprir a falta do McFly!”. Comecei a estudar muito, pesquisar, ir atrás, não tinha na época canais brasileiros que falassem de k-pop, e aí pensei em fazer um canal pra falar de k-pop. Eu não tinha nenhum amigo que gostava, mas eu tinha um amigo que eu forçava a fazer os vídeos de k-pop comigo. Eu literalmente forcei e ele lia os meus roteiros. Ele também começou a gostar. Gostava de Block B e da Hyuna, então começamos a falar um pouco sobre isso e é aí que estamos hoje.

SDTK: Qual foi o momento mais importante da sua vida com o k-pop até agora?


B: Tem 3 momentos onde aconteceram coisas muito diferentes. O primeiro foi o primeiro show que eu produzi, do Lunafly. Foi muito importante porque eu encontrei algo novo pra mim. Eu já gostava de k-pop, já trabalhava com isso, apresentava evento e tal. No Lunafly foi quando voltei pro hostel onde estava hospedada aqui em São Paulo e comecei a chorar porque não queria ir embora. Eu estava trabalhando por 5 dias seguidos e pensei “por mim eu continuava trabalhando”. Era aquele sentimento de “eu QUERO trabalhar” e foi a primeira vez que eu me toquei. Eu estava numa depressão por 3 anos e era uma depressão muito difícil, que tinha tirado minha vontade de fazer tudo que eu gostava. Eu parei de assistir filmes, de ler livros, parei de fazer tudo e aí quando você finalmente encontra uma fagulha, você pensa “é isso”, foi aí que comecei a chorar de felicidade.


O segundo momento que mudou muita coisa foi apresentar o show do BTS. Por mais que na época eles fossem mais um grupo rookie que a gente apresentava, foi muito marcante pra mim. Antes do BTS ser o que ele é hoje em dia, se tivessem me perguntado naquela época, eu também diria que foi um dos shows que eu mais gostei de apresentar. Eles foram muito legais, genuinamente legais e foi algo que já tinha acontecido com outros idols sim, mas não nas mesmas circunstâncias. Eu precisava da ajuda deles no palco e eu tive essa ajuda sem pedir. Eles perceberam que precisava. Foi muito legal, pra mim foi uma marca muito importante e também foi a primeira e única vez que o BTS teve MC na carreira deles, foi incrível poder estar nesse papel. E o meu terceiro momento foi entrevistar o SF9.


Sayuri: Foi a única entrevista em que a gente tremeu. Nós nunca ficamos nervosas, mas nessa estávamos tipo “Meu Deus, eu to com dor de barriga, onde fica o banheiro desse hotel?”.


B: Quando terminou, a gente ficou um tempão sem saber o que fazer. Estávamos arrumando as coisas do lado de fora na entrevista e mentalmente pensando “e agora?”.


Sayuri: Agora eu sou muito fã”.



B: Eu lembro que eu não conseguia olhar pra eles durante a entrevista. Foi emocionante, como um outro ponto de partida para nós. Foi uma coisa que a gente precisava pra voltar a acender aquela chama de como aquilo era importante pra gente. Não que tivesse acabado a chama ou que a gente não gostasse mais de k-pop, mas porque nós tínhamos passado por umas poucas e boas dentro do k-pop. A gente só passa perrengue na verdade. E quando acontece algo assim, é algo pra levar a gente de volta. Recentemente com os meninos do Spectrum foi assim. Foi algo que fez a gente pensar que o k-pop era mesmo divertido e que trabalhar com isso também era divertido. São pequenos momentos que ajudam a nos manter sãs no meio disso tudo. Trabalhar com arte no Brasil é muito difícil, você tá sempre desmotivado. E parece que a gente tá fazendo drama 24h por dia no twitter. Esses dias falei sobre o meu tratamento de ansiedade e recebi um comentário dizendo que eu só fazia drama. Eu pensei que raramente digo publicamente sobre esses problemas e quando falo escuto que to sendo dramática, é realmente complicado. A falta de motivação às vezes é muito grande.


SDTK: Você foi uma das primeiras espectadoras da primeira vinda do BTS ao Brasil. Como se sente ao vê-los onde estão hoje em dia como alguém que apresentou o show deles em 2014 para 2 mil pessoas e hoje no Allianz Parque? Você imaginava essa febre?


B: A gente sempre espera, mas nunca imagina, a verdade é essa. BTS foi uma surpresa muito boa, eles foram muito bem trabalhados pela empresa deles. Eles passaram por muitas dificuldades, então dão muito valor para pequenas coisas. Eles fizeram sucesso fora da Coréia muito antes de fazerem sucesso dentro da Coreia. Quando vieram pro Brasil em 2015, foi um show lotado no Espaço das Américas. Quando voltaram pra Coreia, nem todo mundo conhecia eles lá. O que eles fizeram foi um caminho, um passo a passo, não estouraram logo de cara. Eles fizeram um sucesso internacional que é muito merecido e fizeram no começo da carreira não só porque são incríveis. Realmente, eles são incríveis, são bonitos, dançam bem, cantam bem, tem músicas lindas, eles tem tudo. Outros grupos também tem, porém qual foi a diferença do BTS? Nós acreditamos estudando a onda Hallyu, que o maior diferencial é o fandom. Como eles fizeram sucesso fora da Coreia pra depois fazer dentro, os primeiros fãs que conquistaram foram os internacionais. E nós sabemos que fã internacional trabalha diferente, eles movem e consomem diferente do fã coreano. Muita coisa que o BTS impulsionou para fora da Coreia foram por conta desses fãs, tanto que todas as primeiras premiações que eles ganharam foram de votações de melhor fandom. Se tem como votar, o Army vai ganhar.


SDTK: Sendo uma das precursoras da cultura Hallyu no Brasil, como você acha que isso impactou o dia-a-dia e a vida dos fãs brasileiros? Acha que conhecer essa cultura foi agregador e interessante?


B: Total! Qualquer nova cultura ajuda a gente a sair da nossa bolha. O k-pop ajudou muitos jovens, você vê crianças hoje aprendendo a falar coreano, galera de 12 anos que sonha em estudar numa universidade na Coréia do Sul. Quando nós tínhamos essa idade, o sonho era ganhar a barbie nova. Claro que é de geração, nenhuma é melhor do que a outra, mas acho que quando você aprende uma nova cultura, realmente te abre os olhos. Acredito que o que o k-pop e a Hallyu fizeram foi abrir os olhos e estourar essa bolha pra muita gente. Não só a bolha para uma nova cultura, mas a bolha para o preconceito. Claro que hoje em dia dentro dos próprios fandoms ainda existe isso. Ainda existe galera correndo atrás de família asiática no shopping… Mas ao mesmo tempo que temos isso, temos pessoas entendendo muito mais uma cultura alheia, valorizando e respeitando muito mais. São contrapontos, sempre vai ter o extremista esquisito e desrespeitoso. Mas ao mesmo tempo, a maior parte está aprendendo com isso, está criando uma geração de pessoas mais conscientes, que estão querendo aprender.


SDTK: Como foi a ideia de produzir um podcast para falar sobre k-pop? Aliás, parabéns por ser um dos podcasts mais ouvidos do Brasil!


B: Foi ótimo porque eu gosto muito de falar, a Érica gosta muito de falar, então ter a oportunidade de falar e ganhar dinheiro pra isso é incrível, inclusive falar sobre algo que a gente gosta. Foi uma experiência muito bacana! Foi muito legal o Spotify ter dado essa oportunidade pra gente, que realmente, como é um nicho muito pequeno, era sabido que não é uma coisa que todo mundo ia ouvir, mas era pra ser algo especial para a galera de dentro do próprio fandom. Nós sabemos que mesmo o fandom não estar acostumado a ouvir podcast, que podcast é uma coisa nova, os jovens não tem muito costume de ouvir podcast ainda, então esperamos que com tempo, a galera possa ouvir os episódios anteriores, possa acompanhar, etc. Nós sempre tentamos levar a história do k-pop ali dentro, a história da Coreia, não só sobre k-pop. Então nós falamos sobre padrão de beleza de beleza coreana, saúde mental, hip-hop dentro da Coreia, etc. A gente falou sobre um monte de questões diferentes que envolve a Hallyu no geral para tentar mostrar que existe outros lados, entende? Gostamos de grupos de kpop, da música e tudo mais, mas é importante entender que tem uma cultura por trás daquilo.


SDTK: Falando um pouco sobre a indústria do entretenimento e cultura do fã. Na sua opinião, qual é a maior diferença entre o fã ocidental e oriental?


B: São duas completamente diferentes, mas é por conta da cultura. É totalmente cultural. O tipo de consumo é diferente. Não sei se é por questões econômicas, mas a gente viu agora no fandom do EXO, o fã clube chinês do Sehun comprou 60 mil álbuns para doar para as fãs. Elas botam propagandas do tipo “você não tem como comprar, nós compramos e doamos pra vocês”. Elas têm dinheiro pra isso, pode ser a questão econômica. Pode ser que o álbum lá seja muito mais barato que aqui. Então, existe essa questão do consumo que é muito diferente. Ao mesmo tempo que por ser uma coisa da Coreia, elas estão acostumadas a ver isso com mais frequência. A gente quando vê isso aqui, tipo “Caraca, que lindo! É novo!”. Na Coréia, isso é tão comum que não é novidade. Então, a forma de consumo é muito diferente ao mesmo tempo que aqui no ocidente temos o amor de fã. A gente berra, grita, tira o sutiã e joga no palco! Mas é a questão passional do fã, nós temos isso, que muitos fãs asiáticos no geral não tem.




SDTK: Você acredita no poder do amor de fã?


B: A minha vida mudou sendo fã. Minha vida hoje em dia é ser fã! Eu acho a cultura do fã incrível. Eu sei que tem muita gente que critica, que chama de fanatismo e etc. É claro que vai existir a parte extrema e nada em extremo é muito bom. Mas a cultura do fã é muito incrível. A cultura do fã não beneficia só ele. Beneficia o artista, beneficia uma indústria inteira, beneficia alguém que tem uma lojinha que tá vendendo, beneficia alguém que faz um conteúdo pra internet. É uma cultura muito positiva em diversas formas e o k-pop salvou minha vida em diversos momentos. Hoje em dia se eu não tiver o k-pop pra me distrair, os meus grupos favoritos pra eu poder parar e pensar que tem algo ali que enche a gente de amor… Às vezes, a gente acaba se perdendo em muitas outras coisas. O k-pop foi o momento de encontrar coisas que eu gostava muito, encontrar muito amor. A cultura do fã pra mim é muito importante, então eu defendo muito. Sejam fãs, com responsabilidade sim, mas sejam fãs. Entender seu limite e o limite do artista. Ele não é seu objeto, ele não vive pra você. Se o artista some da internet, se ele não te responde, se ele tá puto um dia e ele vira a cara, ele não vive pra você. Você tem que entender isso.


SDTK: Quais são suas maiores inspirações, tanto no mundo do k-pop pop quanto fora?


B: Beatles foi minha primeira inspiração de criança. A minha maior inspiração é o McFly, acho que pra tudo na minha vida. Se eu tiver que escolher, vai ser eles. Dentro do k-pop, talvez tenha sido o Bigbang. Como fui apresentada ao k-pop, a questão do espetáculo Bigbang, sempre foram pioneiros nisso. Nesse ponto, foi muito importante pra mim. Acho que inspirações em questão de administração e negócios, o JYP sempre foi uma inspiração muito grande. Tanto JYP quanto Lee Soo Man, pra mim eles são duas pessoas que investiram no sonho deles e nos de outras pessoas e eles são muito inovadores, por mais que não dê certo às vezes (risos), os caras estão tentando coisas diferentes. Ser pioneiro num mundo tão capitalista, onde às vezes o que você vai fazer de novo talvez seja sua ruína, ser pioneiro é muito corajoso.


SDTK: Para finalizar, deixe aquele recado pra quem não conhece k-pop.


B: Eu entendo que é gosto pessoal. Tenho amigos muito próximos que não gostam de jeito nenhum, mas dê uma oportunidade porque é pop como qualquer outro pop! É música como qualquer outra música. Estamos acostumados a olhar e falar “Não vou gostar porque é de outra língua, porque é asiático e não estou acostumado com isso”, mas, na verdade, se você tirar alguns fatores, é pop como qualquer outro! Mas ele traz uma bagagem cultural muito grande. Além de ser música, ele é cultura. Então, aprecie como cultura. E se você já gosta de K-Pop, tenha responsabilidade, estude sobre isso porque você está gostando de uma cultura que não é a sua. Entenda a cultura do cara porque você vai entender o porquê ele faz o que ele faz e porque ele fala as coisas que ele fala.


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