• Letícia Lucena

“It Won’t Always Be Like This”, álbum debut do Inhaler, é um início promissor para a banda irlandesa

o primeiro grande passo da banda em sua história deixa a promessa de que o Inhaler está pronto para se tornar um dos grandes nomes da nova geração do rock europeu.

É muito fácil, e até preguiçoso, resumir o Inhaler apenas como “a banda do filho do Bono”, entretanto, é difícil não fazer essa associação quando um jovem músico é relacionado ao vocalista da banda mais famosa de seu país relativamente pequeno, como uma fofoca sendo passada de boca em boca em uma cidade de interior, porém em escala ligeiramente maior.


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© Lillie Eiger/Press

Assim como qualquer jovem em busca de reconhecimento, o quarteto formado pelos irlandeses Elijah Hewson (vocais), Josh Jenkinson (guitarra), Robert Keating (baixo) e Ryan McMahon (bateria) busca caminhar com suas próprias pernas, e ao lançar seu aguardado debut, a banda foi de pequenas casas de shows ao redor da Europa ao topo das paradas do Reino Unido e Irlanda em uma velocidade impressionante. “It Won’t Always Be Like This”, nome escolhido para o disco, foi uma das primeiras canções lançadas de forma avulsa em 2019, quando a banda ainda engatinhava rumo à carreira como músicos profissionais. Em 2021 o título ganha um novo significado por motivos que já sabemos, dando a oportunidade para a banda se apresentar ao mundo oficialmente trazendo uma mensagem de otimismo no título de seu álbum de estreia. A faixa também ganhou uma nova versão para o álbum, melhor produzida e com Hewson mostrando-se muito mais confiante de seu potencial vocal, que é melhor explorado na faixa.

Independentemente do frontman ser filho de quem é, era inevitável não haver uma mínima influência do U2 em uma banda de rock irlandesa, e essa influência é claramente perceptível em diversos momentos do álbum, destacando-se as faixas “My Honest Face”, “Cheer Up Baby” e “When It Breaks”, todas lançadas como singles, e que trazem para o álbum a sonoridade intensa e envolvente que consagrou a banda do Hewson original. “It Won’t Always Be Like This” também tem em sua bagagem de influências alguns grandes nomes do britpop como The Stone Roses e Oasis, e bandas mais recentes na indústria britânica, como The 1975 e Blossoms, todas da região de Manchester.

“My King Will Be Kind” é certamente um dos maiores acertos da banda em sua estreia. trazendo um contraste interessante entre arranjos suaves, vocais melancólicos e uma composição cheia de ressentimento e angustia, a faixa se destaca ao mostrar um lado mais maduro da banda. Além dela, a inédita “Strange Time to be Alive”, um curto interlúdio de pouco mais de um minuto traz uma quebra interessante ao substituir os vocais de Hewson pelos de Keating, que canta sobre o sentimento que todos nós vivenciamos durante a quarentena do ano de 2020.


Com a grande maioria das faixas já divulgadas, divididas entre singles promocionais e faixas antigas não lançadas, a falta de faixas novas no material (consequências do alto número de prévias lançadas) talvez tenha prejudicado no efeito surpresa para os fãs mais antigos que aguardavam ansiosamente pelo lançamento, e pode ser algo a ser repensado para o futuro em um próximo álbum. Apesar de ainda estarem na fase das casas de shows, o Inhaler traz em sua bagagem um ótimo material para shows de arena e festivais, e a última faixa “In My Sleep” é um bom exemplo disso. Enérgica, contagiante e jovial, a canção escolhida para fechar o primeiro grande passo da banda em sua história deixa a promessa de que o Inhaler está pronto para se tornar um dos grandes nomes da nova geração do rock europeu.

NOTA: 7,5/10

Ouça ao álbum "It Won't Always Be Like This" na íntegra abaixo:


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