• Anna Clara Fonseca

[LISTA] Álbuns que são irmãos de mães diferentes!

Uma das melhores partes sobre música é como se reinventa na mão de cada artista. A dissonância sonora entre um som e outro é visivelmente perceptível, uma vez que os estilos musicais se tornam o cartão de visita para encontrar seu público e agradar novos ouvintes. O leque musical é tão extenso e diverso que se torna impossível não se deparar com aquilo que é ideal para você. Esse encontro possibilita a imersão em artistas que têm o mesmo segmento, porém sem perder a própria autenticidade.


Hoje conheceremos álbuns que se assemelham em detalhes sonoros e líricos remetendo ao pensamento: “me lembra aquela música!". Segue o fio!



“Pompom”, Ariel Pink > “A Wizard, A True Star”, Todd Rundgren


O músico norte-americano Ariel Pink faz da sua música experimentos ousados comicamente cinematográficos responsáveis em criar ambientações lúdicas e cenários fantasiosos, sempre regidos por sintetizadores e diversos instrumentos, o que segue a mesma linhagem de Todd Rundgren em 1972 quando lançou 'A Wizard, A True Star', iniciando a viagem do disco com ‘Internacional Feel’. Não há limitações no que diz respeito à arte de Pink e Rundgren. Mesmo que por vezes encontremos uma dose de sanidade como emOne Summer Nightde Ariel eJust One Victory’ de Todd, convenções e tradições estão bem longe da realidade artística que ambos artistas desejam entregar, possibilitando encontrar música em uma realidade caótica e contemplando uma bagunça ligeiramente organizada.


Para conferir!


Pompom (Ariel Pink): Nude Beach A Go-Go e Picture Me Gone.


A Wizard, A True Star (Todd Rundgreen): Zen Archer e When Shit Hits A Fan / Sunset Blvd.



“The Balcony”, Catfish and The Bottlemen > “Moonrise”, Day6


A inerência conduzida através da aura dessas duas bandas é capaz de transmitir uma perspectiva sobre uma intensidade palpável coexistindo com o admirável instrumental, não deixando de conter alegorias líricas sobre relacionamentos, como é o caso de ‘Cocoon’ em 'The Balcony', ou diálogos profundos como emI Need Somebody’, em 'Moonrise'. A veia alternativa do Catfish and The Bottlemen se origina com riffs autênticos e sets de bateria executados com esmero e atenção. Com Day6, uma banda dentro do gênero do K-POP, conseguimos ouvir e reconhecer todos os instrumentos regidos ora de forma robusta, ora de forma cuidadosa. A resistência instrumental adjacente a um conteúdo lírico sensível e sem rodeios é onde está o encantamento instantâneo das duas bandas. A semelhança entre eles está nos detalhes.


Para conferir!


The Balcony (Catfish and The Bottlemen): Hourglass e Pacifier.


Moonrise (Day6): I loved you e I like you.



“Village”, Jacob Banks > “Not Your Muse”, Celeste


A elegância da voz de Jacob Banks entra em perfeita coesão com a sofisticada energia da cantora e compositora Celeste. No álbum de estreia da cantora, ‘Not Your Muse’, a contemporaneidade do jazz e blues identificado logo na primeira faixa, Ideal Woman’, manifesta a genuinidade de sua arte no vocal rouco e melódico que alcança níveis autênticos, muito semelhante a poderosa naturalidade de Banks no álbum, ‘Village’, impressionando de imediato com o single,ChainsmokingeBe Good To Me’. Jacob e Celeste reinventam gêneros musicais tradicionais com maestria, destrinchando métricas e desenvolvendo novas formas de abordagem para enriquecer o encantamento do ouvinte por eles. Claro que dá muito certo ;D


Para conferir!


Village (Jacob Banks): Kumbaya e Love Ain't Enough.


Not Your Muse (Celeste): Strange e Stop This Flame.



“Miss Anthropocene”, Grimes > “Kikuo Miku 6”, Kikuo


O futuro da música envolve doses altas de sintetizadores, conceitos com histórias distópicas e personagens virtuais como integrantes das bandas. Uma artista que está em apresentando o início dessa revolução é Grimes. Seu último álbum lançado em fevereiro de 2020, ‘Miss Anthropocene’, dita com sutileza o tipo de música que encontraremos daqui para frente como o single,Violence’, ou a música para o jogo Cyberpunk 2077,4am’. A instrumentalidade metalizada e a voz sintetizada lideram uma singularidade que a cantora japonesa virtual Kikuo também consegue realizar uma expressividade interessante, como acontece 'Hole Dwelling' e 'Searching for your Love', canções do disco, 'Kikuo Miku 6'. Algumas pessoas costumam não entender onde ambas desejam chegar, uma vez que não se encaixam na forma convencional musicalmente falando, mas é aí que está a magia delas. Grimes e Kikuo estão lidando com o futuro no presente.


Para conferir!


Miss Anthropocene (Grimes): Darkseid e We Appreciate Power.


Kikuo Miku 6 (Kikuo): The cat's dinning table e Cotton Candy.




“Cry Baby”, Melanie Martinez > “Lil’ Golden Book”, Princess Chelsea


O conto de fada conceitual usado por Melanie Martinez em 'Cry Baby' flerta com a proposta fantasiosa de Princess Chelsea no álbum 'Lil’ Golden Book'. Engana-se aquele que acredita que a infantilidade do rosa vitoriano exagerado de Melanie é sobre uma adulta brincando de boneca, quando na verdade, a veia pulsante de todo conceito está no conteúdo lírico lidando com temas extremamente intensos como depressão, busca vazia pelo padrão de beleza, abuso emocional e sexual, machismo, trazendo tais assuntos em 'Teddy Bear' e 'Mrs. Potato Head', equivalente com as metáforas de Princess Chelsea em canções comoCigarette Duetou ‘Ice Reign’, regidos por uma sonoridade utópica transportando o ouvinte a sua fábula favorita. A narrativa desenvolvida na arte de Chelsea e Melanie envolve brincar com a imaginação estando ciente da realidade atual, confabulando com histórias sobre o contexto atual e metaforizando com elementos fantasiosos e infantis, facilitando para o entendimento de todos.


Para conferir!


Cry Baby (Melanie Martinez): Carousel e Mad Hatter.


Lil’ Golden Book (Princess Chelsea): Overseas e Monkey Eats Bananas.



*Cigarette Duet vem ganhando popularidade no TikTok, então provavelmente já deve ter escutado por ai.

Estamos ouvindo!

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