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[Lista] 10 álbuns que marcaram os jovens da última década

A presença da música em nossas vidas é fato consumado. Ela é o nosso porto-seguro preferido, o momento onde nos sentimos verdadeiramente entendidos através de composições e melodias. Essa existência sonora ganha força na adolescência quando estamos em processo de descobrimento sobre o que mais nos agrada. Se você estava vivendo este processo entre 2012 e 2016 como um jovem indie, é quase certo que seu ouvido se interessou por algum dos álbuns abaixo. Hoje vamos listar aqueles discos que não saíram do seu repeat e provavelmente já foram seus parceiros de crime.

© Letícia Lucena

Electra Heart, Marina and The Diamonds (2012)


Décadas podem passar e a adolescência permanecerá intacta. A juventude entra em nossas vidas com uma porção de sentimentos complexos a ponto de precisarmos recorrer a arte. Graças a Deus existe Marina. A incandescência das composições da cantora impressiona com o alto nível de realismo descrito de forma simplista, ao mesmo tempo que encaramos uma força inegável a cada canção. A personagem principal do disco, Electra Heart, carrega consigo alguns arquétipos determinantes do comportamento inconstante e quase suicida. Marina aborda temas como ansiedade, depressão, autodepreciação, feminismo, machismo e sexualização sem rodeios ou passadas de pano. Ela apresenta e enfrenta a verdadeira face da adolescência. Vale lembrar que temos uma review completa do Electra Heart, clique aqui para acessá-la.


Músicas: Teen Idle, Homewrecker e Lies.



Born To Die, Lana Del Rey (2012)


A beleza clássica de Lana Del Rey está ligada não só em seu olhar cálido autêntico ou em sua voz aveludada, como também se encontra no Born To Die, o disco que colocou Lana no mapa da indústria fonográfica. Lançado em janeiro de 2012, Born To Die foi um dos grandes feitos daquele ano. Apesar das declarações polêmicas feitas pela cantora e do conteúdo lírico ser contraditório e subjetivo, ninguém nega a influência poderosa e presença que Born To Die tem até os dias de hoje. Sua sonoridade é extremamente rica e Lana sabe ousar disso com maestria. A energia romântica flerta com o épico em Born To Die e Off To The Races, mistura o pop com rap em National Anthem, de vez em quando se encontra com o gótico em Dark Paradise e Carmen e cria verdadeiros hinos nacionais em Ride. A versatilidade de sons faz com que todos encontre sua canção favorita e coloque Lana no seu radar, como foi o que de fato aconteceu.


Músicas: Radio, Ride e National Anthem.


Night Visions, Imagine Dragons (2012)


Hoje em dia é difícil imaginar que Imagine Dragons já foi uma banda considerada do nicho pertencente aos jovens indie, aliás não ter ouvido Radioactive, Demons ou It’s Time uma vez na vida é praticamente impossível em pleno 2020. Mas o caminho para entrar na lista de artistas mais ouvidos da história da Billboard começou em 2012, com o lançamento do primeiro álbum da banda de Las Vegas: Night Visions. As músicas que vieram a definir o estilo do indie rock dos 2010s (junto com o AM) refletem vários lados diferentes do gênero, tendo influências de dubstep, MPB, hip-hop e pop, com letras indo do básico para fazer sucesso até os mais profundos pensamentos do cantor Dan Reynolds. E foi justamente nessas últimas mencionadas que o álbum conseguiu falar tanto com os jovens, que passando pela fase de maior confusão emocional na vida se viram nas falas do grupo sobre solidão, amor, tristeza, frustração, alegria, culpa, euforia, raiva e agonia geral de viver com tantos sentimentos ao mesmo tempo ao longo da sua montanha-russa em forma de 20 canções. E também, quem não se sentia muito roqueiro Pamela dark punch ouvindo Hear Me e Bleeding Out não é mesmo?


Músicas: Amsterdam, Tiptoe, Selene.


Pure Heroine, Lorde (2013)


Com apenas 16 anos, Ella Yellich O’Connor, ou simplesmente Lorde, chegava na indústria como a nova promessa do Indie Pop, a princípio cheia de opiniões polêmicas (como da vez que ela afirmou que Taylor Swift era “perfeita demais”, e que David Guetta era “nojento”). Apesar de todo o começo conturbado, Lorde nos presenteou com Pure Heroine, seu álbum de estreia que conquistou vários jovens por suas letras que relatam a vida no subúrbio e dilemas da juventude, como amor e amadurecimento. Royals, maior sucesso da cantora até então, foi um dos grandes hits de 2013, que rendeu a ela suas primeiras três indicações ao Grammy do ano seguinte, das quais venceu duas, Canção do Ano e Melhor Performance Solo de Pop, além de também ter concorrido a Melhor Álbum Pop Vocal com o Pure Heroine.


Músicas: Glory and Gore, Buzzcut Season, 400 Lux.


AM, Arctic Monkeys (2013)


Apesar de ter sido renegado por alguns dos fãs mais antigos por ser “muito comercial”, não há dúvidas que o AM foi um ponto de virada na carreira dos Monkeys. Aclamado pela crítica e sucesso estrondoso de vendas, o quinto álbum da banda também trouxe muitos novos fãs, o que o tornou um clássico moderno para várias pessoas, além de dar ao Arctic Monkeys a terceira indicação da banda ao Mercury Prize, e terem ganho a principal categoria do Brit Awards de 2014, de Melhor Álbum Britânico. A NME, que deu 5 de 5 estrelas ao AM, o descreve como “um álbum sobre sexo, luxúria, frustração e isolamento, e sobre ficar muito, muito ‘alto’. [...] é um disco totalmente da Costa Oeste [dos Estados Unidos], que tem tanto hip-hop dos anos 1990 quanto som do rock dos anos 1970.”


Músicas: Arabella, Snap Out of It, One For the Road.


Cry Baby, Melanie Martinez (2015)


O conceito extremamente fofo envolta do álbum Cry Baby engana aqueles que acreditam que encontrarão letras bobinhas e melodias infantis. Citando assuntos como relacionamentos abusivos, depressão e baixa autoestima, Melanie cria um universo metido à “perfeito” e através da personagem e porta-voz Cry Baby, conhecemos a verdadeira faceta dessa sociedade, do quão abusivamente podre alguém se torna só de estar ali. Usando metáforas visuais, brincando com palavras e utilizando elementos infantis como ursos, chupetas e carrosséis, as letras inteligentes de Melanie desenvolve uma história que contraria toda ingenuidade do visual, confidenciando a realidade cruel e artificial. Muito parecido com o que vivemos diariamente.


Músicas: Alphabet Boy, Play Date e Tag, You’re It.


Blurryface, Twenty One Pilots (2015)


No não tão longínquo ano de 2015, ao ver alguém trajando roupas vermelhas e pretas, às vezes acompanhados de tinta escura nas mãos e pescoço, ou um ( |-/ ) desenhado em qualquer lugar, pode-se ter certeza que ali estaria um(a) fã de Twenty One Pilots. A era que alavancou o duo para o sucesso mundial também foi marcante para muitos jovens na época, que se identificaram com as letras tão características do vocalista e compositor Tyler Joseph, da mistura de ritmos que englobam influências do rock alternativo ao reggae e hip hop, mas que ao se juntarem não se encaixam em um gênero musical em específico, o que foi traduzido pela banda e pelos fãs como “Ukulele Screamo”.

O Blurryface também foi o primeiro álbum da banda a conseguir certificado de ouro e/ou platina em todas as faixas, e logo após, o álbum anterior Vessel (2012), também atingiria esse marco, dando ao Twenty One Pilots um feito inédito na história da música atual, sendo eles a única banda a terem 2 álbuns com todas as faixas tendo pelo menos um certificado de ouro.


Músicas: Heavydirtysoul, Message Man, Hometown.



Blue Neighbourhood, Troye Sivan (2015)


Em setembro de 2015 Troye Sivan lançou WILD, o EP predecessor do seu primeiro álbum de estúdio, com as 6 primeiras canções presentes nele, e junto o primeiro vídeo da Blue Neighbourhood Trilogy. Esses vídeos, contando a história de um casal gay através de Wild, Fools e Talk Me Down, transformaram o cantor de um dos maiores youtubers em um dos músicos LGBTs com maior importância dos últimos tempos. Blue Neighbourhood foi lançado em dezembro do mesmo ano e no decorrer de 16 músicas o artista encapsulou a experiência de ser um jovem apaixonado, sensível e perdido, que quer sair de sua cidade para viver grandes aventuras, que amou e teve seu coração quebrado, que lutou para aceitar sua sexualidade. Contendo de melodias sensuais e letras profundas refletindo sobre a solidão do amor adolescente até batidas alegres para sair dançando a noite com seus amigos e hinos da comunidade - como a lendária Heaven - o jovem sul- africano se consagrou como um verdadeiro músico, transcendendo sua bolha inicial de YouTube e marcando a juventude dos indies, principalmente de quem não era hétero, da última década.


Músicas: Suburbia, Youth, Too Good.


Badlands, Halsey (2015)


Depois do EP Room 93 explodir no mundinho indie em 2015, todo mundo daquele lado da sociedade parecia estar a espera do primeiro álbum da cantora Halsey, aliás ela era a epítome da famigerada “Tumblr Girl” com seu cabelo azul (o melhor de todos, vamos concordar) e sua aesthetic de quem ouviu Fluorescent Adolescent muitas vezes nos seus anos formativos. O interesse sobre o que estava por vir na carreira da jovem se espalhou entre todos que queriam uma cantora nova para descobrir e só aumentou com o lançamento do vídeo de Ghost. E podem ter certeza que quando Badlands saiu, mais tarde naquele ano, ninguém ficou decepcionado. Com singles como New Americana e Colors, o álbum, assim como sua cantora, era a definição do Tumblr da época: com histórias sobre ser um jovem incompreendido, que não sentia que se encaixava na sociedade e em suas regras, que estava atrás de um romance louco (talvez até um pouco problemático) e que, com certeza, queria ser Effy Stonem, mesmo que negasse. Mesmo tendo esses elementos de nicho, o álbum se sustenta ao ser ouvido novamente até hoje. Com melodias marcantes, letras extremamente bem escritas e um sentimento de compreensão e pertencimento misturado com nostalgia, Halsey conseguiu definir a personalidade de quase todos que ouviam esse álbum sem parar naquele período. Aliás, se você nunca viu uma foto extremamente editada com uma letra do Badlands em cima, será que você realmente foi um jovem indie nos 2010's?


Músicas: Hurricane, Gasoline, Young God.


Wiped Out!, The Neighbourhood (2015)


Todo jovem indie sabe que The Neighbourhood praticamente criou o preto e branco. Desde o lançamento do seu primeiro álbum - I Love You - em 2013, a banda entregou uma sonoridade genuína composta de conteúdos líricos refletindo sobre amor enquanto tentam entender a complexidade do sentimento e após a explosão do hino imortal Sweater Weather, não tinha quem não prestasse atenção no quarteto. Em 2015, eles retornam com o tão esperado Wiped Out! (que é na verdade o terceiro da banda, mas todo mundo finge que o segundo não existe) trazendo singles como R.I.P 2 My Youth e Daddy Issues - tornando até uma parte da personalidade de diversas pessoas que cresceram nesse meio dizer que sofriam do conceito, mesmo não tendo nenhum problema com seus pais ou realmente saber o que um daddy issue envolve. O álbum narra através de suas letras a perda da inocência em relação ao mundo, encarando a realidade sobre o sentido da vida e tentando contato com o amadurecimento pessoal. Ao declarar a morte da sua juventude na última música o grupo encerrou a fase de sua carreira que os fez ter sucesso entre os jovens indies e, de uma maneira simbólica, fechou esse ciclo também em nossas vidas, nos preparando para os próximos anos nos quais todos os artistas aqui mencionados voltaram com estilos diferentes e nos carregaram para o futuro.


Músicas: Greetings for California, Prey, Cry Baby.


Mas é claro que a experiência de um jovem indie na última década não consegue ser definida em apenas 10 álbuns, por isso temos aqui algumas menções honrosas que não poderiam ficar de fora:


Shangri La (Jake Bugg), Ceremonials (Florence + The Machine), Melophobia (Cage The Elephant), The 1975 (The 1975), I Love You. (The Neighbourhood), Currents (Tame Impala), Jake Bugg (Jake Bugg), Bad Blood (Bastille), Torches (Foster The People), Kicker (Zella Day), Coexist (The XX), Know-It-All (Alessia Cara), Atlas: 1 (Sleeping at Last), The Balcony (Catfish and the Bottlemen).


Quer matar a saudade desses álbuns icônicos? Nós os reunimos na playlist abaixo, dá o play!


Texto: Anna DeMarco, Anna Clara Fonseca e Letícia Lucena

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