LEIA TAMBÉM

  • Letícia Lucena

[Live Review] Inhaler @ HEAVEN, Londres


© Letícia Lucena

Há não muito tempo atrás, antes de ser travada uma disputa global por papel higiênico e álcool em gel, várias bandas estavam por aí, rodando o mundo, e uma delas era a Inhaler. A banda de Dublin, recém chegada da primeira turnê pela América do Norte, após abrir os shows do Blossoms nos Estados Unidos e Canadá, além de um festival no México no currículo, estava de volta a Londres para o maior show no Reino Unido até então.


O público que se juntava na fila reunia pessoas de todas as idades, desde jovens beirando os vinte, a adultos com seus quarenta e poucos anos, provavelmente também fãs de U2. Para quem não entendeu a relação entre as duas bandas, aqui vai a explicação: Elijah, o vocalista do Inhaler, nada mais é que filho do vocalista da outra banda irlandesa citada acima: ele mesmo, Bono Vox.


Algo que despertou curiosidade por quem estava aguardando o show foi esquema de segurança montado na porta da Heaven, considerado por alguns um pouco acima do esperado para um show relativamente pequeno. O boato que se passava pela fila era que o motivo seria que o próprio Bono estaria na casa, mas se realmente estava, ninguém o viu.


© Letícia Lucena

Quem foi responsável por aquecer o público da Heaven foi a banda FEET, um quinteto do interior da Inglaterra com um vocalista com um quê de Liam Gallagher, e pode-se dizer que eles deram conta do recado. Uma palavra que pode definir a FEET é: irreverência. A energia contagiante do grupo foi passada ao público com sucesso, que mesmo sem conhecer as músicas, aproveitou ao máximo cada minuto. Na página no Spotify da banda é dito que "os melhores discos devem soar como a melhor noite que você já teve: cheio de emoções, reviravoltas, histórias alucinantes, coisas que você nunca esquecerá, mas com algumas partes que você não vai conseguir se lembrar claramente", e essa é a melhor tradução possível para o show que durou pouco menos de uma hora, se encerrou com membros e instrumentos atirados no chão, e ovacionado pelo público. Ficou curioso(a) sobre o som dos caras? English Weather é uma boa música para começar, fica aqui a indicação!


Apenas alguns minutos separaram o fim do show de abertura e a entrada da atração principal da noite, que iniciaram o show intercalando o set entre músicas mais conhecidas do repertório, como Ice Cream Sundae e It Won't Always Be Like This (que foi o debut do quarteto, lançado no início do ano passado), e canções não lançadas oficialmente, como A Night On The Floor e My King Will Be Kind, que mostram um Inhaler bastante influenciado pelo Britpop dos anos 1990.

© Letícia Lucena

O apresentação teve seu momento mais marcante durante a performance do single mais recente do grupo, lançado há apenas algumas semanas antes, We Have To Move On. Talvez essa seja a música que colocou a banda de vez entre as promessas do rock na atualidade, e no palco isso se torna muito mais nítido. Ousado, carismático e (muito) charmoso, Elijah Hewson esbanja simpatia com o público de forma com que pareça que está falando com seus amigos mais próximos, indo até a grade para ficar mais perto dos fãs ao cantar o maior hit da banda até então, além de sempre interagir com todos entre as canções, junto com os outros membros da banda, o baixista Robert Keating, o guitarrista Josh Jenkinson, e o baterista Ryan McMahon, mesmo de forma mais tímida, se mostravam tão contentes com o show quanto o público.

© Letícia Lucena

O show se aproximava do fim ao serem anunciadas Cheer Up Baby, There's No Other Place, e finalmente My Honest Face, que levou Hewson para os braços do público (literalmente falando, ele se jogou na plateia), para consolidar o fim de um grande espetáculo. Por incrível que pareça, o show não acaba quando termina. Ao final, com instrumentos já sendo devidamente recolhidos, poucos vão embora. Muitos vão para o lado de fora da casa, mesmo com a sensação térmica de 0ºC, outros socializavam aos arredores do bar da Heaven, incluindo os membros da banda de abertura, que trocaram ideias com diversos novos fãs.


No meu caso, tive a oportunidade de ter alguns minutinhos de conversa com o baterista do Inhaler (e alguns segundos com a modelo/amiga da banda/filha do ex-guitarrista do Oasis, Anaïs Gallagher). Ryan foi divertido e atencioso o tempo inteiro, e ao perguntá-lo sobre quando a banda desembarcaria no Brasil, soltou um desanimado "até onde eu sei não será muito em breve", parou por um segundo ou dois e me perguntou: "Espera aí... Você veio do Brasil para ver nosso show? Nossa, agora eu estou me sentindo mal (risos)".


Muitas dúvidas que eu tinha sobre shows fora do Brasil foram respondidas naquela noite, a maior delas para mim, e para algumas pessoas que vieram me perguntar depois, era sobre o engajamento do público: definitivamente os ingleses não deixam a desejar no quesito energia, as várias quedas e um pequeno roxo na perna estão aí para não me deixarem mentir. Mosh pits, pessoas nos ombros dos amigos e alguns muitos empurrões (sem maldade, claro) são uma parte essencial da experiência de um show de rock em Londres.

Confira o clipe de We Have to Move On abaixo:


SIGA-NOS NO INSTAGRAM!

Estamos ouvindo!

  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Twitter
  • Preto Ícone Pinterest
  • Preto Ícone Flickr

© Sidetrack Magazine