• Heloísa Cipriano

[My 00's] Mamma Mia! e a liberdade de ser quem somos

Ser autêntica não é fácil. E o desafio pesa o dobro quando somos treinados a seguir regras, andar "conforme a linha" e não dizer o que realmente pensamos sobre tudo. A impressão é de que as pessoas preferem ser enganadas ao invés de ouvir palavras sinceras. Só que essa mania de sempre agradar cansa; e não precisamos esconder o que sentimos para corresponder as expectativas dos outros. É por isso que Mamma Mia! (2008) não é apenas um musical repleto de músicas do grupo ABBA; é um filme pra refletir como a naturalidade e a autenticidade são qualidades tão gostosas - e raras - de se ver em uma pessoa.



Na maioria das vezes, nos privamos de fazer o que queremos; quer pelo julgamento dos outros, ou pela preocupação do que vão pensar com a nossa atitude. E aí é que isso se torna uma prisão dentro de nós.


Imagine o seguinte: você sabe o que quer, você sabe quais as responsabilidades, quais as expectativas que devem ser controladas, quais os cuidados que deve seguir... mas mesmo com toda essa sabedoria, você deixa a vontade do outro te guiar ao invés da sua. E perde uma oportunidade de viver uma experiência que pode te tornar mais forte ou mais independente.


Isso não acontece com a personagem Donna, interpretada pela maravilhosa-incrível-talentosa-não sei qual outro adjetivo posso completar para caracterizar essa mulher - Meryl Streep. Acho que gosto tanto dessa personagem porque ela tem qualidades que me identifico: é divertida, sincera, leal, carinhosa, decidida, além de um pouco sonhadora (demais), tonta e teimosa. A atuação de Meryl Streep nesse filme pra mim é uma das melhores que ela já fez, porque corresponde a uma alma livre - e ao mesmo tempo, atormentada com o passado - que ela conseguiu transmitir de uma forma super natural.


A história de Mamma Mia! centra no desejo de Sophie, interpretada por Amanda Seyfried, conhecer seu pai antes de se casar, para que ele também a leve ao altar. Só que ela não sabe quem ele é, já que a mãe, Donna, deixou a entender num diário antigo que poderia ser um dos três romances que teve no passado: Sam Carmichael (Pierce Brosnan), Bill Anderson (Stellan Skarsgård) ou Harry Bright (Colin Firth). Sophie convida os três homens de diferentes personalidades e diferentes vidas a ir até a Grécia, onde mora com a mãe, para o casamento. E assim a história toda se desenrola, mostrando as personalidades fortes de mãe e filha, embaladas pelas canções do grupo pop sueco ABBA, um dos grupos de maior sucesso comercial na história da música.


A direção é de Phyllida Lloyd, que brilhantemente adaptou a peça musical de teatro ao cinema e não poderia haver outra Donna que não fosse Meryl Streep. Sem contar também na parceria que ela tem com as atrizes Julie Walters e Christine Baranski, que fazem suas amigas Rosie e Tanya. A amizade das três é daquelas que gostaríamos de ter, que tem diversão e conforto nas horas difíceis, e nessas horas podemos contar com a palhaçada das amigas pra dar uma animada.



Quando assisti esse filme pela primeira vez tinha 11 anos, detestava musicais e não prestei muita atenção no enredo. Hoje, com um olhar mais maduro sobre a história, com certeza está na lista dos filmes que mais amo e indico pra todos assistirem. Motivos: além das músicas do ABBA serem animadas, a personagem Donna é uma mulher inspiradora. Assim como é decidida e não se importa com o que os outros pensam como já mencionei, ela sabe ser pé no chão nos momentos que precisa disso. Criou a filha sozinha, administra um hotel sem ninguém como sócio, sabe o que quer e sabe se divertir com o que tem.



Mas não é sempre que nos sentimos seguras. Donna tem suas frustrações, e não esconde isso de ninguém. Como na cena em que canta The Winner Takes It All, uma letra que encaixa perfeitamente no sentimento que ela tem de insegurança com o maior amor de sua vida, Sam Carmichael, que a largou para se casar com outra mulher.


O que também me chama a atenção, é claro, é o estilo de Donna. É muito próprio, inspira sua personalidade maluca mas, também, centrada. Os anéis então... são lindos demais!




Sua relação com a filha é de um imenso carinho e zelo, para que não sofra os mesmos obstáculos que sofreu em ser mãe solo. Todo o elenco faz a diferença nesse musical, que traz tanta leveza ao longo de 1 hora e 30 minutos de duração que parecem mais 2 minutos de tão rápido que passa. Mamma Mia! é isso: é leve, despretensioso, divertido e reflexivo, perfeito para assistir quando precisa de um ânimo naqueles dias que parecem confusos. Também é perfeito para se encontrar como uma mulher empoderada e autossuficiente.


Sequência: Mamma Mia! Here We Go Again.

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