• Anna Clara Fonseca

O excepcional Jacob Banks


Trench Magazine / Edward Cooke

O artista inglês Jacob Banks foi agraciado pelos deuses com o dom da música. A descoberta com a primeira arte aconteceu após os 20 anos quando estava estudando engenharia civil. Jacob diz que foi tarde, mas a verdade é que nunca é tarde para descobrir o talento. Não precisamos fazer longas buscas na discografia de Banks para encontrarmos um leque vasto de gêneros musicais que contemplam a sonoridade de sua musicalidade, porém nunca deixando o Soul e R&B. Quando o mesmo encontrou a música, viu-se apreciando gêneros como gospel, hip-hop, reggae, entre outros, que mais tarde, tornaram-se referência para suas inspirações, seja para compor ou cantar.


Nascido na Nigéria e crescido na ambientação cinza de Birmingham na Inglaterra, a composição de Jacob carrega uma veia poética pulsante. Ele já escrevia poesia antes, logo para escrever músicas foi apenas um passo expressivo capaz de compor os sentimentos pairados em seu coração. Entretanto, aprendeu a tocar violão na faculdade Youtube, o disseminador de educação contemporâneo. Com sonoridade autêntica e a honestidade metafórica de sua poesia que encontramos a essência revolucionária de Banks coexistindo com entre gêneros musicais que honra todas suas maiores qualidades.


Grace Rivera / Samm McAlear

O álbum de estreia veio em 2013 com o álbum The Monologue colocando o single Worthy em evidência ao mundo, com a benção da rádio britânica BBC Radio 1 tocando-a sem parar. The Paradox chegou em 2015 trazendo canções como Grace e Unknown (que mais tarde ganhou a versão Unknown To You), além de contar com a participação do rapper Avelino em Monster. A primeira música do álbum The Village carrega um poder imensurável. Chainsmoking entrega um dos singles mais promissores da carreira do cantor, dando abertura para conhecer o resto do álbum com Love Ain’t Enough, Kumbaya em colaboração com Bibi Bourelly e Be Good To Me com Seinabo Sey. O nome do disco carrega tal nome por ser uma referência a frase “It takes a village to raise a child” (Tradução livre: É preciso uma aldeia para criar uma criança), uma celebração a todas as mudanças que foram responsáveis em tornar quem ele é hoje em dia, uma vez que nasceu na Nigéria e se mudou para a Inglaterra aos 13 anos.


Se um dia se deparar com a música dele em algum filme, série ou jogo, não se impressione. É intencional. Worthy participou do episódio 9 da terceira temporada da série norte-americana Suits, Love Ain’t Enough está no Fifa19 e podemos encontrar Baptize Me na trilha sonora de Game Of Thrones, uma colaboração com X Ambassadors. A explicação de Jacob para esses eventos está em sua voz. Ele diz que combina melhor em produções cinematográficas do que para rádios, pois sente que sua música não é o pop que as estações de rádio procuram. Em contrapartida, sempre se sentiu bem recebido em produções de televisão ou para o cinema. Cresceu assistindo filmes e jogando vídeo games, então para ele é natural e faz mais sentido estar nesse universo criando para essas artes.


O single For My Friends foi lançado em 12 de março reunindo as últimas canções lançadas até esse momento, além de algumas exclusivas. O projeto tomou forma na casa de Jacob em Londres ao lado do seu colaborador e co-produtor de longa data Sillkey, dando ao cantor total controle de sua própria arte.


Capa do single 'For My Friends'

O início agudo seguido da voz corpulenta de Banks abre alas a Parade, uma junção bem sucedida entre os elementos que tornam sua música única. Apreciamos a viagem entre o jazz contemporâneo flertando com os sintetizadores oferecendo uma experiência interessante ao lado da composição altamente importante sobre a luta contínua contra o racismo na sociedade. Os protestos anti-racismo ocorridos por toda Inglaterra tornaram-se inspiração para escrever a canção, disse para a Clash Magazine em fevereiro: “Eu esperava experimentar um sentimento de orgulho ou algo assim, mas não experimentei nada disso. Eu me senti derrotado pelo fato de ainda ter que fazer isso depois de todos esses anos. Todos nós estamos arriscando nossas vidas com a pandemia que existe. No entanto, isso mudou na minha cabeça. Não importa o quão difícil seja para os oprimidos, a civilização ainda não se move sem o nosso consentimento. Foi fascinante para mim. Eu encontrei poder nisso. A sociedade exige aqueles que estão na linha de frente e marcham. Ele precisa de todos os grupos marginalizados e privados de direitos, então entre a bordo ou se acostume com isso.”


Continuamos com os acordes calmamente expressivos de Devil That I Know lidando com a parte mais intrínseca e nocividade do amor. Perseguir a incerteza e riscos do sentimento acompanha apenas uma questão no final de tudo: “Valeu a pena tudo?”. Stranger explora o lado contador de história do artista adicionando metáforas literárias e figuras de linguagem expressadas também sonoramente. Numb questiona os sentimentos românticos latentes enquanto tenta procurar por culpados por estar sentido tais sensações.



Os acordes na guitarra de Too Much analisa, junto com o R&B e coros de fundo, até que ponto a relação pode ser suficiente para ambos, entregando vocais limpos e expressivos de Banks, além de solos singelos de guitarra. A transparência sentimental de Black N White é dedicada ao momento quando aceitamos a beleza do amor circundar a história de nossas vidas quando diz: “I'll always see you in colour / Rainbows in autumn / You know this is more than black and white”, conseguindo a redenção ao sentimento em Found. A finalização chega em forma de Rizla, reunindo reggae com soul, são responsáveis em deixar o ouvinte esperançoso para os próximos trabalhos de Jacob Banks.


SDTK FAVORITES: Parade e Black N White


Ouça For My Friends:


Fontes: 1 / 2 / 3

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