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  • Lukas Ramos

Orville Peck: o mistério por trás da máscara

Atualizado: 10 de Set de 2019


Créditos: Gordon Nicholas/VICE

Um mistério surge na música em 2019. De identidade desconhecida e com o rosto coberto por uma máscara de franjas, Orville Peck rouba a cena como uma das figuras mais intrigantes deste ano. De antemão, avisamos que vai ser difícil descobrir quem está por trás da máscara, mas o pouco que sabemos já nos deu motivos suficientes para ficarmos atentos.


Até agora ninguém sabe quem é o homem que dá vida ao cowboy mascarado. Seu verdadeiro nome e a idade exata não foram revelados. Quando questionado sobre quem realmente é, ele diz: Tudo que sei é que sou Orville Peck, e sou uma estrela do country.


A persona do cantor é inspirada pela figura do cowboy mascarado como um fora-da-lei e também remete a suas memórias infantis, época em que era encantado por personagens desse estilo. “Eu sempre fui obcecado pelo imaginário dos cowboys e com a ideia de que eles são anti-heróis. Cresci sem muitos amigos, então, sinto que sou uma espécie de alma solitária”, contou o músico à Paper Magazine.


Créditos: Maya Fuhr/Paper Magazine

Apesar de mostrar-se como essa figura enigmática, Orville não utiliza a máscara para esconder-se. O cantor encontrou na contraposição, uma forma de expor sua história e deixar a atenção para suas músicas extremamente pessoais. Em entrevista à Fader, ele explicou o conceito por trás do adereço: “A máscara definitivamente me deu a confiança de ser mais aberto e exposto, mesmo que seja algo que me cubra. Tem sido essa algo incrivelmente libertador, porque eu sinto que, finalmente, esse é o tipo de música e arte mais verdadeiro que já fiz”.


E é através da sua música que ele se revela. Peck lançou seu primeiro álbum de estúdio em março deste ano, intitulado Pony. O disco é uma compilação de histórias sobre paixões implacáveis e descontentes perdas. As 12 faixas narram um personagem que cavalga solitário, carregando seu coração partido e muita melancolia. Tudo isso transmitido em clássicas baladas do country americano, que ganham força com os riffs de guitarra típicos do dream pop e uma ecoante percussão.



O debut alcançou nota 79 no Metacritic, com base em 7 críticas, garantindo uma nota verdinha para a nova estrela do country underground. O All Music considerou o Pony como uma das melhores e mais fascinantes estreias de um artista do country alternativo em um bom tempo. “Seu talento é tão impressionante quanto suas ideias são inteligentes e inesperadas”, afirmou. Para a revista Clash Music, com seu trabalho, Orville tem um produto inovador e brilhante, “capaz de limpar a grande maioria das composições exageradas, roucas e insípidas que tomaram conta do gênero [country] ao longo das últimas três décadas".



O que Orville faz é uma ressignificação da figura do cowboy. O cantor transforma o personagem principal de um gênero tão tradicional e conservador, que geralmente seria representado como bruto, rústico e sistemático, em um ser instigante, complexo e queer.


Assumidamente homossexual, o cantor serve como representatividade para os fãs do gênero. “Eu acho que uma das coisas mais tocantes e validadoras que ouço sobre minhas músicas ou sobre mim como artista são as mensagens que recebo: são jovens gays ou até mesmo mais velhos, homens ou queer em geral... honestamente, muitas pessoas que sentem-se banidas da sociedade. [...] Isso é realmente adorável porque eu cresci de forma bem semelhante, amando tantos tipos de música e não me vendo realmente representada nela”, disse o cantor em entrevista.


E o cantor não poderia ter vindo em momento melhor. Orville reforça a quebra de barreiras (ainda) tão visíveis no country ou na representação dos artistas do gênero, conhecidos pela sigla WGWG (white-guy-with-guitar / homem-branco-com-violão). Lil Nas X, negro e, também, homossexual, é um dos casos recentes de fusão de gêneros (hip-hop e country) que gerou controvérsias para os conservadores fãs do estilo musical e resultou em declarações e atitudes carregadas de racismo. Também temos Mitski e Solange, de gêneros distintos e distantes do country, que utilizaram a figura do cowboy para falar sobre suas raízes em seus últimos lançamentos - Be the Cowboy e When I Get Home, respectivamente.




Parece que há um ressurgimento da cultura dos cowboys e que bom que ele está vindo com diferentes perspectivas e sonoridades. Talvez, assim, desvendamos o que se esconde por trás da máscara de Orville Peck: um artista diverso e complexo.

Para ouvir o álbum do cantor mascarado não tem muito mistério, só pegar o link do Spotify abaixo.



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