• Maria Eduarda Ferraz

Redescobrindo o passado: Pearl Jam

Atualizado: Abr 9


Foto: Lance Mercer

Em uma escala de zero a dez, quanto dos anos 90 está presente nas suas músicas escutadas em 2020? Nas minhas muito, em especial no que diz respeito ao grunge. Sou uma criança dos anos 90 e, às vezes, me pego pensando como teria sido para mim se no lugar de ter vivido parte daquele tempo como uma garotinha, eu tivesse vivido como a jovem adulta que sou hoje. Minha experiência teria sido completamente diferente e acho que teria aproveitado muito mais a música de uma época que tanto amo.


Me pergunto como eu seria e ainda me vem em mente se teria o mesmo gosto por fotografar shows, coisa que, hoje em dia, faço sempre que posso, nem sempre por estar trabalhando em uma cobertura, mas por paixão mesmo. Filmes como Vida de solteiro (1992), de Cameron Crowe; 10 coisas que eu odeio em você (1999), de Gil Junger; As patricinhas de Beverly Hills (1995), de Amy Heckerling, entre outros, me aproximam daquele tempo que parece tão distante e tão próximo, e me fazem lembrar de pequenos detalhes, modismos e sons de um momento que me dá saudade, mesmo das coisas que não vivi.


Distante daqui, no estado de Washington, nos Estados Unidos, surge, ainda na década de 1980, um estilo musical que ficou conhecido como grunge. Esse gênero, que é parte integrante e uma das subdivisões do rock’n’roll, veio a explodir, de fato, nos anos 1990, tendo como “capital", para sempre, a cidade de Seattle, próxima ao solo canadense.


Em meio a muita distorção de guitarra, camisetas xadrez, feitas de flanela, coturnos e tênis velhos, além de cabelos enormes e bagunçados, muitas bandas foram reveladas. A partir dali, nomes importantíssimos deram seu salto para a história, tendo entre eles Soundgarden, Nirvana, Alice in Chains e Pearl Jam.


Pearl Jam via Last FM.

Composto por Eddie Vedder (vocal e guitarra), Jeff Ament (baixo), Matt Cameron (bateria), Mike McCready (guitarra) e Stone Gossard (guitarra), o Pearl Jam tem hoje 30 anos de estrada. No princípio, antes de ter o nome que os faria conhecidos, os integrantes chamavam o grupo de Mookie Blaylock, e foi com esse nome que, no começo de 1991, deram início a uma breve tour na Costa Oeste dos Estados Unidos, onde abriram para o Alice in Chains. Pouco tempo depois, em uma entrevista dada por Vedder e Ament, para uma estação de rádio, a dupla revelou a mudança de nome da banda.


No livro Pearl Jam 20, de Cameron Crowe, os integrantes revelam como se deu a escolha. Segundo Ament, em uma viagem para Nova York, ele e Vedder, viram um show de Neil Young, em que o artista tocou suas canções em formato de jam session. E foi isso, uniram o jam, de jam session, a pearl, e o título estava montado. Na entrevista a Crowe, Ament comenta que “é um nome meio idiota, mas tem muito significado. Tem um peso por trás dele, apesar de não parecer”. Eles também mencionam que Eddie gostava de dizer as pessoas que o nome era, na verdade, proveniente de uma receita secreta de sua bisavó, chamada Pearl.


Falando em Cameron Crowe, lá em cima fiz menção a um de seus filmes, o Vida de Solteiro (Singles), de 1992, e esse trabalho está muito ligado aos primórdios do Pearl Jam. É que Vedder, Ament e Gossard foram personagens integrantes do enredo. Em algumas cenas do longa, o trio aparece como parte da banda fictícia “Citizen Dick”. Mal sabiam eles, que muito pouco tempo depois, a banda real se tornaria um enorme sucesso.



Seu primeiro álbum de estúdio, Ten, foi lançado em agosto de 1991. O trabalho inclui faixas que marcariam a carreira do quinteto, como Alive, Jeremy, Even flow e Black - isso! Aquela que a gente escuta em um dia chuvoso, arrastando as mãos no vidro da janela do carro e dramatizando todo aquele sofrimento, que provoca identificação no adolescente que acabou de viver a primeira desilusão, e também no adulto, já calejado por tantas histórias. É logo no primeiro álbum que vemos Vedder se revelar um grande frontman, aprontando um bocado nos palcos em que a banda se apresentou, coisa que podemos ver no clipe de Even flow, por exemplo.



Eddie Vedder em foto de Lance Mercer.

No ano seguinte ao lançamento, a faixa Alive chegou a posição 45º da parada de rock mainstream da Billboard, ficando por mais de 20 semanas e chegando a 16º. Foi também no mesmo ano que o grupo fez suas primeiras apresentações no continente europeu, gravou sua participação no MTV Unplugged e se apresentou no programa Saturday Night Live, da tv estadunidense.


Os anos subsequentes foram cheios de produção. Fora lançado, em 1993, o segundo álbum do Pearl Jam, que recebeu o título de Vs. e foi um grande sucesso já na estreia, ficando no 1º lugar dos discos mais vendidos da Billboard. Foi também em 93, que o quinteto abriu shows enormes, em algumas das apresentações do U2, na tour do disco Zooropa, o oitavo da banda.


De lá para cá, o PJ trouxe ao público mais 10 discos, sendo eles: Vitalogy (1994); No Code (1996); Yield (1998); Binaural (2000); Riot Act (2002); O compilado Lost Dogs (2003); Pearl Jam (2006); Backspacer (2009); Lightning Bolt (2013) e o mais recente, Gigaton (2020), sem contar, é claro, com os discos ao vivo.



O último trabalho, Gigaton, lançado em 27 de março, chegou ao público em um momento muito esquisito no mundo: a pandemia do Coronavírus, que tem apresentado números altíssimos de infecções e mortes em diversos países, tendo sido observado que uma das principais medidas para a diminuição do número de casos, é o isolamento social.


Por causa da situação, vários shows, festivais e turnês de grupos de todo o mundo foram cancelados, e vários artistas têm se mobilizado para fazer apresentações online, através de suas redes sociais oficiais, em uma tentativa de ajudar as pessoas a passarem por esse período e a ficarem em casa, não saindo sem necessidade.


Desta maneira, o Pearl Jam também precisou cancelar as ações que pretendia executar, com o novo trabalho, que seria divulgado, primeiramente, em salas de cinema, proporcionando uma experiência audiovisual diferente para os fãs. Mas apesar do cancelamento, a banda manteve o lançamento online e o álbum, que tinha gerado grandes expectativas, depois do lançamento da faixa “Dance of the Clairvoyants”, não decepcionou. Muito pelo contrário!


Gigaton marca o retorno do quinteto de maneira grandiosa, misturando experimentação, novidade e sensação de reconhecimento ao mesmo tempo. É como se houvesse um refresh. É um Pearl Jam do jeito que conhecemos e ao mesmo tempo um Pearl Jam renovado, disposto a explorar possibilidades diversas. O álbum traz mensagens importantes e se mostra grandioso, sendo talvez um dos melhores lançamentos do grupo, com 12 faixas ao todo, entre elas Dance of the Clairvoyants, Quick Escape, Superblood Wolfmoon e River Cross.


Foi anunciado esta semana, que a banda se juntará aos vários artistas que têm se mantido próximos dos fãs neste momento tão caótico, e assim fará em 18 de abril, às 21h, uma live com o vocalista Eddie Vedder. A ação faz parte da parceria firmada entre a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Global Citizien, que recebe doações para ajudar a conter o COVID-19. Além de ser uma forma de ajudar a causa, também se constitui em uma maneira mais divertida e bem acompanhada (virtualmente), de passar o tempo de isolamento dentro de casa.


Aqui entre nós, o dia 18 está sendo bastante aguardado! A arte tem um papel fundamental nas nossas vidas, inclusive em tempos de crise. Lembremos sempre o papel desempenhado pelos artistas e valorizemos o seu trabalho. Um mundo sem música, filmes, livros e ideias, é um mundo sem graça.


Se você gostou de ver o Pearl Jam pelo lado de cá, fique ligado na coluna. A cada novo texto, relembramos os trabalhos de grandes grupos que fizeram e fazem história na música. Você também pode sugerir alguma banda ou artista solo que gostaria de ver por aqui, a gente adoraria saber! Por hoje é isso e nos falamos em breve!







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