• Maria Eduarda Ferraz

Redescobrindo o passado: The Stone Roses

Atualizado: 6 de Set de 2019


Foto via Classic Album Sundays.

Eu não vivi a década de 1980, na verdade, sou uma criança dos anos 90 e posso afirmar que muitas das minhas influências musicais e até mesmo de moda, vem de lá. Mas existe em mim uma nostalgia oitentista que não sei ao certo de onde vem. O que sei é que ela se aflora e muito quando escuto algumas músicas do período.


Atribuo parte do meu interesse pelo passado a minha mãe, porque conscientemente ou não, desde muito nova, quando ela fala sobre as bandas que gosta de ouvir, traz junto alguma história, algum momento da vida dela que já passou, mas onde aquela música, aquele cantor, aquele look X esteve presente, e vê-la contar sobre coisas assim sempre foi uma fonte inesgotável de imaginação para mim.


Eu não estava lá em 1982 nem em 1988, mas isso pouco importa quando certas músicas batem. É quase como se por 3 ou 4 minutos eu fosse levada direto para lá. Foi pensando exatamente neste sentimento que resolvi trazer, aqui para a Sidetrack, uma série que chamei de “Redescobrindo o passado”, onde explorarei um pouco da história e do trabalho de alguns grupos que gosto de ouvir, formados em outros tempos, conhecendo um pouco mais, junto de vocês, sobre sua história e sonoridade. Para começar, escolhi falar sobre The Stone Roses.


Formados em 1983, em Manchester, na Inglaterra, a banda trouxe aos ouvintes um rock alternativo, pós-punk. Seu primeiro álbum, homônimo, só veio a ser lançado no fim dos anos 80, em 1989, sendo considerado por muitos um dos trabalhos mais importantes da década, contendo 11 faixas, entre elas, I wanna be adored, clássico do grupo.


A canção traz uma melodia leve e ao mesmo tempo franca, como um desabafo de alguém, repleta de ondas nostálgicas que vão se dilatando ao longo dos seus quatro minutos e meio. Na letra, Ian Brown grita que quer ser adorado e a composição, aparentemente simples, que pode até nem ao menos ter tido esse intuito, traduz um pouco do sentimento de ser jovem e querer ser reconhecido, ter seu lugar no mundo.


Em This is the one, a voz suave de Ian une-se a uma melodia um pouco mais agitada, que imagino poder, facilmente, fazer parte da trilha sonora de uma festa da época, trazendo calor aos corpos em movimento, dentro de uma casa de shows, assim como em I am the ressurrection, canção com pouco mais de oito minutos, que traz em sua letra um sentimento mais dolorido e um certo tom de desprezo. O tipo de sentimento que une pessoas em um clube, passando por situações semelhantes, sem ao menos se conhecerem.


Em 1994, cinco anos depois do primeiro, o grupo lançava seu segundo álbum de estúdio, intitulado Second Coming, com 13 faixas. A canção de abertura, Breaking into heaven, trouxe uma forte presença de John Squire, com uma guitarra muito mais marcante, assim como podemos ver em Driving South, melhor dizendo, assim como podemos ver em praticamente todo o álbum, que tem uma sonoridade, em geral, bem mais movimentada, agitada, que o primeiro.


Mas a verdade é que nesses cinco anos entre um álbum e outro, gerou-se uma certa expectativa sobre o que viria do Stone Roses, após tanto tempo, e a crítica recebida pelo Second Coming acabou não sendo tão boa, o que não quer dizer que o trabalho seja ruim. Muito pelo contrário. Fãs, espalhados pelo mundo, consideram que o álbum é um dos melhores produzidos naquele período, e que ele foi subestimado pelos críticos.


Após alguns anos de banda, o grupo se separa em 1996, unindo-se novamente em 2011 e ficando ativo até 2017. O fato é que, em hiato ou não, a contribuição do Stone Roses para o movimento britpop é inegável, tendo servido como inspiração para várias bandas que vieram depois, não só na mesma década de surgimento, mas hoje em dia, entre as novas gerações.


Se você gostou de ver o quarteto por aqui, fique ligado e acompanhe a série Redescobrindo o Passado, neste mesmo espaço. Outros grupos aparecerão pelas bandas de cá, trazendo uma nova oportunidade de conhecer, reconhecer e adorar (ou não), produções feitas em um passado não tão distante.




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