• Anna Clara Fonseca

[REVIEW] 7, uma ode a essência da alma do BTS

Atualizado: Jun 18


Colaboração: Bárbara Bigas


Faz exatamente sete anos que a Big Hit Entertainment lançou estrelas aos céus. Agora, após um impacto mundial inspirador e sem precedentes, essas estrelas, vulgo BTS, ainda continuam genuinamente motivados a entregar a melhor versão de si mesmos para seus fãs, sempre acreditando na sinceridade do coração de cada um e prontos para mostrar uma honestidade genuína em seus trabalhos.


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A segunda parte do Map Of Soul veio ao mundo hoje (21) sob o nome de 7, um número simbólico para o grupo já que são 7 membros e 7 anos de carreira. “Acho que simboliza tudo.” Namjoon respondeu quando foi perguntado sobre o disco na entrevista para Rádio Disney e salientou “Já que o título é sete, existem algumas… almas mágicas especiais por dentro.” Segundo Jimin, 7 seria mais intenso do que qualquer coisa que nós tenhamos visto antes. A questão da intensidade do disco é um ponto sempre lembrado pelos membros quando questionados sobre o que esperar. E não é que a lenda avisou?

Foto: BTS (Facebook)

O disco inicia com as faixas do mini álbum anterior, Persona, como a intro regida por Namjoon, o single Boy With Luv, Make It Right, Jamais Vu e Dionysus, já que ele também é um repackage do mesmo.


Em seguida, somos transportados ao 7 propriamente dito com o interlúdio de Suga, Shadow, onde não poupa palavras em relatar a humanização da influência do grupo ao mundo, querendo manter sua essência e virtude, agora coexistindo com os holofotes incandescentes. Já Ego, entoada pelo sol humano J-Hope, tem ritmos vivos e alegres, com a presença igualmente brilhante de trompetes no refrão, exaltando o “ego” no seu sentido mais glorioso, de uma autovalorização íntima que se constrói passo a passo conforme se vive:


Sete anos de angústia finalmente acabam

Opressões todas resolvidas

As respostas vêm de quem eu mais confio para meu coração

A única esperança, a única alma

O único sorriso, o único você

A resposta definida para a verdade do mundo

Apenas o único e imutável eu, certo.


Acordes clássicos dão abertura para Black Swan abrir suas asas e voar. Ela chama atenção por apresentar uma sonoridade completamente diferente. A contemporaneidade mescla com elementos quase eruditos, encontrando o rap e pop em alguns momentos, mas sempre flertando com a letra sobre uma luta interna incessantemente dolorosa, bem semelhante ao que a personagem Nina Saywer vive no filme Black Swan (laudo: cinéfilos). “Ela tem uma vibe bem fria, mas acho que essa música é bem pessoal. É sobre nossa imaginação e nossas sombras.”, Namjoon explica sobre a canção. A complexidade da coreografia segue o mesmo caminho dos elementos contemporâneos, coincidentemente que temos alguns clássicos, acompanhando a intensidade emocional da canção, se inspirando no Lago dos Cisnes de Tchaikovsky subliminarmente.


Jimin utiliza toda sua envolvência elegante e expõe sua sensualidade em Filter, quase um reggaeton com La Rosalia, onde o próprio propõe te levar em um mundo novo, atraindo sonoramente a dançar um tango contigo, enquanto Jungkook, seguindo para um caminho oposto, utiliza My Time para nos contar sobre seu desenvolvimento artístico e pessoal, fazendo de sua canção um apelo para compreendermos que sua jornada é de sucesso mas que sempre esteve ligada a muitas dúvidas e à sensação de deslocamento. Já em Inner Child, a profundidade na voz de Taehyung nos revela com intensidade todo o amor que ele pode oferecer, tal sentimento que se tornou sua salvação e fortaleza durante todos esses 7 anos. De forma sincera, esse amor é expressado com pureza e delicadeza, sem rótulos, numa melodia tranquila e confortável. Em Moon, Jin segue a atmosfera amorosa de Inner Child, entoando a letra que é como uma carta do BTS para seus fãs, uma declaração de amor e companheirismo àqueles que os ajudaram a crescer de tantas maneiras; no entanto, expõe também sofrimentos e fraquezas, assumindo que isso é parte dele também:


Eu estarei ao seu lado / Mais brilhante na noite escura / Me manterei ao seu lado / De repente eu me pergunto se você está me olhando agora?/ Você não vai descobrir toda a minha dor?

Foto: BTS (Facebook)

A vocal line nos presenteia com Zero O’Clock, que tem acordes perfeitos de uma música que procuramos escutar em nossos momentos mais reflexivos e pessoais: a canção vem novamente trazer o lado humano do grupo, expondo o sentir da culpa, o receio de errar e as expectativas que no final das contas representam também nossas frustrações. Brindando junto de sua melodia esperançosa, o refrão e as partes secundárias da música contrastam todos aqueles sentimentos com a esperança, que nunca deixou de caminhar ao lado deles.


O espírito de amizade é quase um oitavo membro entre eles e esse coleguismo é apresentado em Friends quando Jimin e Taehyung conversam entre si sobre sua relação de amizade, que começou há muito tempo. A camaradagem da melodia é capaz de confortar corações com sua leveza amigável, compartilhando confidências de momentos únicos e como estão felizes em ter um ao outro em suas vidas. Uma carta de gratidão aos anos de companheirismo.


Em Respect, Namjoon e Yoongi não deitam para a xenofobia, exclusão ou comentários de ódio que ainda os perseguem. Afinal, eles entenderam o conceito e usam e abusam disso para levar à frente o melhor que aprenderam até com as más experiências. UGH lida com situações parecidas, porém do jeito mais sincero possível, mostrando um outro lado da personalidade da rap line, onde se defendem com muito mais atitude.


Composta por Troye Sivan, Allie X, Leland e Bram Inscore, Louder Than Bombs, de fato, é alta e poderosa. O crescimento gradativo ganha força no refrão, expandindo sua força com a voz de Jimin e Jungkook, contrastando com a de Taehyung, nos oferecendo todo poder que ela veio mostrar ao mundo.


A presença persevera em On e como o próprio nome sugere, a música não apenas toca: ela acontece. Com a presença de uma fanfarra e mais para frente uma banda marcial, o MV de On investiu em uma formação diferente, com um plano único de filmagem e performance e uma coreografia que exigiu o melhor de cada integrante, distribuindo muito bem os centers, além de um dance break totalmente eletrizante para combinar com a batida pop que a rege. Elementos épicos aparecem na medida certa mostrando que o BTS sabe ser lendário sem necessariamente produzir um hit universalizado e chiclete. Eles resolveram ser eles mesmos antes de agregar à música elementos que teriam prestígio popular. A versão de On (ft. Sia), mesmo sem muitas linhas vocais para a aclamada cantora, foi uma das muitas demonstrações de poder que esse disco proporcionou.


O gatilho se fez presente We Are Bulletproof: the Eternal, uma homenagem a história que eles construíram nestes anos. Juntos, eles mostraram o poder do acreditar no seus sonhos pode fazer ao seu coração, o amor incondicional que seus fãs depositaram/depositam todos os dias é o combustível ideal para os próprios dominarem o mundo com tudo o que eles tiverem porque será o suficiente. Ela conclui o primeiro capítulo deste livro que vem sendo uma honra estar viva para lê-lo. É nostalgia que os armys e entusiastas do BTS estavam esperando, é a música que mostra ainda mais potencialmente que nada abala esses 7 artistas, que juntos deram vida a uma discografia inspiradora.


Map Of The Soul: 7 é uma celebração à liberdade artística. Ele despe o grupo com sua veia cultural pulsante nos entregando uma intensidade bela e positiva. Sentimos verdade a cada faixa, inovam em sonoridade, criando efetivas junções entre som e letras, que como sempre, nunca deixam sua virtude realista, mantendo viva a melhor essência deles. Eles nos contam a luta e o sucesso que passaram nesses sete anos e que agora estão preparados para aceitar esse lado brilhante sem ofuscar a principal essência.


Você pode ouvir o álbum na integra clicando aqui!

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