• Bárbara Bigas

REVIEW: O recado místico e libertário de Butterfly, EP do grupo LOONA

Atualizado: Jan 6

     

Estive pensando por dias em como eu começaria esse post, em como eu demonstraria a complexidade de Butterfly, a música mais recente do grupo feminino de k-pop, LOONA.


Sou suspeita para falar, afinal LOONA se tornou um dos meus grupos favoritos e tudo isso se despertou principalmente pela magia de Butterfly e hoje posso dizer que esta música foi uma revolução na carreira dessas meninas e, na minha opinião, uma das melhores do k-pop em 2019.

O grupo, composto por 12 integrantes, (HeejinHyunjin, Haseul, Yeojin, Vivi, Kim Lip, Jinsoul, Choerry, Yves, Chuu, Go Won e Olivia Hye), foi lançado ao mundo do k-pop por meio de solos. A cada solo, uma nova garota era anunciada como parte do grupo. Em sequência, formaram-se 3 sub-unidades: LOONA 1/3, Odd Eye Circle e yyxy. Os clipes de cada unit foram lançados e a estreia (debut) oficial ocorreu em 19 de agosto de 2018, com a música Hi High e seu pré-debut se deu com Favorite, ambas disponíveis no EP [+ +].

A empresa responsável por LOONA, a BlockBerry Creative, inovou por meio desta formação, muito diferente da convencional. Por meio desta, LOONA pôde deixar várias de suas marcas, através da singularidade e da graça de cada garota, antes mesmo de vermos as 12 juntas como parte de um mesmo grupo.

As personalidades fortes e marcantes se manifestam nos solos, pelos diferentes conceitos e coreografias.



CONSIDERAÇÕES PRINCIPAIS SOBRE BUTTERFLY


Butterfly é uma música com um conceito único, muito diferente do conceito de debut, Hi High, que é um cute concept. Existem muitos detalhes nela que a tornam extremamente especial diante das outras:

Um ponto bem chamativo que se evidencia logo no princípio é a sincronia: As meninas possuem uma atenção e habilidades muito desenvolvidas para a dança. Além do talento corporal, visível em cada uma delas, a quantidade de integrantes também colabora com isso: grupos grandes conseguem tornar a coreografia mais complexa e interessante, por existirem diversas possibilidades de criação. Em Butterfly, encontramos várias killing parts, partes que causam uma impressão diferente em quem assiste, e tudo isso só na coreografia.

Tal sincronia executada pelo grupo se uniu perfeitamente à ideia da música: os movimentos livres, soltos e graciosos, complementaram o conceito de liberdade, renovação e delicadeza, representados pela borboleta. Sobre essa mesma ideia, o MV (music video) nos mostra diferentes mulheres, de várias etnias, raças e nacionalidades, que durante o clipe aparecem de diversos jeitos: em alguns momentos sérias, inexpressivas, e em outros, usando seus corpos para comunicar sua liberdade. A melhor interpretação que fiz para isso foi a de representatividade e luta: todos somos como borboletas que carregam belezas inimagináveis dentro de si e que precisam ser libertadas.

 Este conceito feminino e maduro trouxe uma nova cara para o grupo. Quem imaginaria que aquelas garotinhas simpáticas usando saia em Hi High se apresentariam tão “crescidas” e ao mesmo tempo, tão joviais e modernas? As linhas foram muito bem distribuídas entre todas as integrantes, uma coisa que é difícil de se fazer em um grupo tão extenso, e isso acrescentou muito na experiência musical. Mais um ponto positivo para a lista.

LOONA, de uma só vez, variou seu modo de fazer arte (canto, dança e conceito) trazendo muitos elementos que agora fazem parte de sua essência. Tudo isso de um modo muito surpreendente e novo.

VISUAIS E KILLING PARTS


 Para quem já está mais imerso no mundo do k-pop, não é novidade citar que o visual conta muito dentro de um grupo, tanto na aparência física dos artistas que o compõem, quanto na produção dos clipes, conceitos e figurinos.


O figurino projetado para este comeback é simples, mas não pode deixar de ser exaltado. Calça preta e blusas com mangas balonê formaram uma combinação neutra, mas que com certeza conferiram uma movimentação melhor para a coreografia. As mangas, sendo mais soltas, complementaram muitos dos movimentos amplos feitos com o braço e somaram a dança com elegância.



Investiu-se também muitas cores de cabelo totalmente ousadas: Choerry, com seu roxo intensamente marcante e Vivi com um vermelho também muito notável. Kim Lip saiu do loiro para investir num castanho claro que destacou ainda mais o rosto angelical que ela possui. Yves e Chuu deixaram seus cabelos mais escuros e Haseul apareceu com um novo corte sensacional.



    E falando em killing parts: elas são tantas que se eu fosse falar de todas detalhadamente esse texto nunca mais acabaria. Mas deixo aqui algumas das que mais se destacaram e que se tornaram minhas favoritas:

 Uma das que mais tivemos o privilégio de presenciar foi o rap inesperado, feito por uma dupla imbatível: Choerry e Gowon. O rap não é uma das partes mais elaboradas da música, porém o trabalho delas duas juntas foi uma boa surpresa.

E a coreografia, impecável e linda, não deixou de ser espetacular em nenhum momento. Nos showcases e stages (as apresentações das músicas em emissoras de tv coreanas), Choerry, Heejin, Yves, Kim Lip e Olivia Hye tomam a cena fazendo um movimento no chão que requer muita flexibilidade, mostrando ainda mais o potencial de dança que o grupo possui, fazendo os fãs descobrirem a sensualidade que elas podem transmitir, retomando a ideia de maturidade falada anteriormente.

     E para finalizar, a parte que mais ansiei citar: o center da Hyunjin.


Hyunjin é linda e uma dançarina incrível. Ver ela no centro, dançando com tanta potencialidade, me dá arrepios (no melhor dos sentidos, é claro). Hyunjin foi capaz de manifestar, em poucos segundos, uma força e intensidade que o seu rosto delicado e seu jeito meigo não permitem perceber logo de início.

A coreografia caminha para o final com passos de dança que só dão certo se feito em grupo, o que nos dá aquele desejo de nunca mais parar de assistir, só para ver até onde essa colaboração nos leva. E é claro: ela nunca decepciona.


MAIS SOBRE O EP


A intro, intitulada "XX é composta apenas de um beat (inclusive, ótimo para dançar) que abre o EP de maneira poderosa: ela vem pra dizer que é isso que podemos esperar dele.

Após ela, a principal do EP: Butterfly. No seguinte trecho:

“Começa com um leve bater

Agora, dentro de meu coração, um furacão

Estive, estive lá, nunca estive, estive lá

O mundo fica cada vez menor

Leve-me para lá, bem longe, onde tudo é novo

Neste momento, sonhos, sonhos podem virar realidade”


Entendemos a necessidade de que voar como uma borboleta liberta o eu lírico de suas aflições mais íntimas, e durante a letra, percebemos que sua interpretação pode ser entendida como um entoo, um pedido de ajuda para alcançar a libertação.

Sattelite é a faixa que segue, com uma letra romântica, incluindo elementos do universo, como o nome sugere. Misturando tais elementos com uma mensagem de amor e uma música doce e que gruda na cabeça, ela traz a seguinte frase em seu refrão:

“É uma lembrança

Eu sou seu planeta

Algum dia perto de você

Até tocar

Chegue mais perto de mim

Me devolva a gravidade

O destino não pode nos impedir”


Extremamente lendária!

 Seguindo a linha romântica de Sattelite, temos Curiosity: com uma letra um pouco mais ousada, falando sobre a curiosidade de desvendar um amor, as meninas apostam numa música mais suave nos vocais e com uma batida mais presente.

Colors é a música que, aparentemente, eu diria ser a mais inocente de todas, mas que carrega em sua letra a presença das cores no sentimentalismo do eu lírico. Dando um ar sinestésico e mais uma vez falando de amor e de descobrir novas possibilidades, LOONA sugere investir com toda certeza nele:


“Eu vou, eu vou, eu vou

Eu só quero sentir

Eu sou um impulso instintivo

Eu vou, eu vou, eu vou

Eu só quero te amar

Tudo isso é fixo, cena, sim”

Aquela música que emociona e toca o coração não pode faltar, já que o tema principal de [X X] envolve também uma certa tristeza e melancolia.

Where you at, a última do EP, fechando com chave de ouro, fala sobre uma reviravolta nessa paixão avassaladora que o álbum por vezes relata: a dor de deixá-lo ir embora e da saudade.


“Memórias suas

Lentamente, lentamente

Estão descolorindo e desaparecendo

Se você se sentir do mesmo jeito

Eu quero voltar mais uma vez”


​LOONA realmente surpreendeu nesse último trabalho e deixou muitas expectativas sobre o futuro do grupo. Com toda a certeza, despertou nos fãs e em todos aqueles que estão no caminho para conhecê-las melhor um sentimento novo e confortante, que nos aproxima da bela mensagem sobre o amor que [X X] tanto trabalha.



Conheça mais sobre o trabalho de LOONA:

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