• Lukas Ramos

REVIEW: O debut da Kim Petras, Clarity, é uma grande celebração da música pop


Clarity, álbum de estreia de Kim Petras, tem o potencial para fazer essa princesa do pop grudar na sua cabeça enquanto faz sua peruca voar. (Créditos: Spencer Byron)

De I Don't Want It All a 1, 2, 3 dayz up, Kim Petras ascendeu como uma potência do pop underground, com uma sonoridade construída a base de muito bubblegum pop. Sua música transborda essa essência pegajosa e cativante que só a música pop consegue emitir. Kim funciona como uma união de Madonna, Britney e Christina em seus passos iniciais misturada aos modernos synths de Charli XCX, SOPHIE e Robyn.


Capa do álbum Clarity.

Depois da sucessão de 11 singles que formaram a Era 1, no dia 28 de junho, o mundo conheceu Clarity, o álbum de estreia de Kim Petras. O disco contém 12 faixas com potencial para fazer essa princesa do pop grudar na sua cabeça enquanto faz sua peruca voar.


O álbum começa com o pop leve de Clarity. A faixa-título representa uma tradução da principal proposta de Kim, que é a produção de músicas com essa pegada fofa e animada. Na música, ela diz que não está preocupada com nada a não ser que seja grifes famosas ou viagens com destinos paradisíacos. Muito da estética de Petras envolve esse mundo de patricinhas como Paris Hilton - tanto que a icônica socialite é uma referência para Kim e participou do clipe de I Don't Want It All - e a canção serve como um agradável boas-vindas a esse universo.


A faixa seguinte é Icy, um hino para as cold-heart-bitches. A música fala sobre aquela pessoa que teve seu coração partido e transformou-se nessa figura fria, como se tivesse congelado seu coração. A música parece uma resposta aquele romance de Heart to Break, em que ela não se importava em deixar seu coração seu quebrar por diversas vezes. Agora, as coisas mudaram. Ela está em um novo patamar e agradece a esse amor por ter tornado-a essa figura forte. A música ganha ainda mais destaque pela sonoridade obscura, com uma produção que remete ao EP Turn off the Light, Vol. 1, lançado no ano passado, no qual ela transformou seu colorido bubblegum pop em um estilo mais dark, sedutor e misterioso. Assim, ela mostra que é mais do que aquela figura estereotipada de 100% feliz e animada do pop chiclete.



O trabalho de Petras é uma eterna celebração ao que tem de bom na música pop e isso transparece nas duas músicas seguintes. Got My Number tem a cara daquele pop com traços de soul/hip-hop que transitaram entre os anos 90 e 2000, estilo que vem sendo revisitado por artistas como Ariana Grande, em thank u, next, e Normani no seu debut Motivation. Já, Sweet Spot é aquela efervescência do pop com referências da disco music, que nos lembra os clássicos Spinnin' Around e In Your Eyes, da diva Kylie Minogue.

A quinta faixa do disco, Personal Hell, é outro ponto importante para a estreia de Kim Petras, pois tira essa imagem imaculada de pop princess que a cerca. A música é cheia de metáforas sexuais e permite a ruptura da imagem de "boa moça" em cima de Petras, tal qual aconteceu com Britney em I'm Slave 4 U e Christina em Dirrty. Sem falar que a música é um hit pronto para curtir muito nas pistas das baladas.



Broken e All I Do Is Cry vêm em seguida e trazem de volta os fins de relacionamento para a roda. Dessa vez, ela foge da persona fria e fala de como ficou com a separação. Em ambas as faixas, ela é aquela figura que sofre exageradamente, que não consegue superar, chora por dias e até perde o apetite. As músicas passam longes de transmitir emoções como Adele, mas também não é isso que ela quer. São canções fáceis de se relacionar e continuam a leve audição do disco.

Se Personal Hell abre as portas para o mundo de luxúrias de Kim, na oitava faixa do disco, Do Me, ela explicita tudo o que rola nesse universo de desejo intenso. A música é aquele sex anthem, com um lirismo erótico cercado pela sonoridade voluptuosa.



O tom leve do álbum é retomado nas faixas sequenciais. Meet the Parents, Another One e Blow It All são três músicas que complementam o conjunto do álbum. Apesar de não terem força suficiente para brilharem sozinhas, as canções não afetam de forma ruim o disco. A faixa que encerra esse trabalho é Shinnin', uma canção dedicada aos fãs, que carrega uma linda mensagem sobre confiança, bem naquele estilo Firework e Roar de Katy Perry.

Clarity não é aquele debut que chega para transformar a música pop com novas sonoridades ou composições profundas. Mas, o álbum merece ter sua força reconhecida por incorporar a essência desse gênero e transmiti-la de forma perfeita, como se fosse uma eterna celebração às referências de divas pop que acompanharam o crescimento da jovem cantora.


NOTA: 72/100

Não esqueça de deixar seu stream em Clarity e incluir as músicas do álbum nas suas playlists de pop perfection.



LEIA TAMBÉM

SIGA-NOS NO INSTAGRAM!

Estamos ouvindo!

  • Preto Ícone Instagram
  • Preto Ícone Spotify
  • Preto Ícone Twitter
  • Preto Ícone Pinterest
  • Preto Ícone Flickr

© Sidetrack Magazine