• Lukas Ramos

REVIEW: ft. (pt 1), novo álbum do Jaloo é tudo o que tem de bom na música brasileira

Atualizado: 9 de Set de 2019


No ano passado, Jaloo deu início aos trabalhos do seu segundo álbum de estúdio. E, nesta sexta (6), no dia do seu aniversário, o cantor fez a festa dos fãs com o lançamento do tão aguardado ft. (pt 1). O álbum chega 4 anos depois do #1, e ao contrário do disco de estreia em que Jaloo produziu e cantou todas as músicas sozinho, o novo álbum é um resultado do processo colaborativo do paraense com outros 14 artistas dos mais diversos gêneros da música brasileira.

Capa

O novo trabalho de Jaloo é repleto de novidades e uma delas já chega nos primeiros versos da faixa que abre o disco, Dom. O cantor que já tinha dado uma mostra do seu inglês no disco anterior, dessa vez dá uma palinha do seu espanhol. A música começa com os versos "dueno de mí mismo / hesbalando en palabra y pensamiento / ese es mi momento / y tu odio es combustible de mis sueños", no qual se mostra confiante com seu trabalho. Ele chega como essa figura "dona de si mesma" e não se abalará com hates e críticas pois seu ódio é combustível dos sonhos do rapaz. Como faixa de abertura, a música também nos dá uma ideia do processo de criação do álbum. Jaloo diz que sem pressão, rompe as barreiras do seu próprio som. E, isso fica claro com as batidas de trap e hip-hop que marcam a canção e ganham ainda mais força com a participação de Karol Conká e o toque de pop produtor Pedrowl, responsável por alguns sucessos de Lia Clark e da Banda UÓ.


A faixa seguinte é Q.S.A., colaboração com a também paraense Gaby Amarantos. E para quem estava com saudades de ouvir Jaloo brincar com o delicioso tecnobrega típico da sua terra, saiba que essa música é TUDO aquilo que você espera. Os dois transformam o contagiante ritmo em uma música leve, romântica e envolvente. Simplesmente apaixonante e tem tudo para ser um dos principais sucessos do disco.

Depois temos Céu Azul. A parceria com MC Tha saiu em agosto do ano passado e já era uma das favoritas do público antes mesmo de ser lançada. Antes de sair oficialmente como single, a canção fazia parte dos shows do cantor, e o amor só quando ganhou os vocais da funkeira paulista. A colaboração entre Jaloo e MC Tha era também umas das mais esperadas do público que acompanhava a linda amizade dos dois. O resultado da união desses dois talentos é uma obra-prima em que fica claro o porquê deles se completarem tanto.


Na sequência temos Dói d+, o último single lançado antes do álbum sair. A canção conta com a colaboração do produtor curitibano Nave, que estilizou os beats de trap e hip-hop nessa balada que também conta com toques sutis de arrocha e brega. A canção é um ótimo exemplo de que mesmo em parceria, o trabalho não perde a essência da famosa sonoridade de Jaloo e a composição nos retoma a outras poderosas letras como a de Ah Dor.


E então chegamos ao ponto mais alto do álbum. Sem V.O.C.E. transcende o pop-eletrônico-alternativo típico do cantor e isso é possível graças a junção das mentes brilhantes do paraense com a do carioca Diogo Strauz - produtor que já trabalhou com Alice Caymmi. Além disso, a história melancólica da canção ainda conta com os angelicais vocais da sensação da MPB, a cantora Céu. A beleza dos vocais e a calmaria do ritmo afastam os pensamentos das fodas vazias e das noites sozinhos. PURO INTELECTO SONORO!!!

As três músicas sequenciais animam o disco pelas batidas que prometem fazer todo mundo dançar. Atabaque Chora é marcada pelo afrobeat e os sons percussivos da produção do brasiliense Jlz. Cira, Regina e Nana, canção de 2010 do baiano Lucas Santtana, virou um brega eletrônico contagiante. E, Movimentá é um funk 150 bpm, mas bem no estilo de Jaloo. A música tem a participação da drag Lia Clark e vai fortalecer muito os set dos bailes e baladas.


Depois chega Eu Te Amei (Amo!) e confesso que foi difícil decidir a minha favorita entre ela e Sem V.O.C.E.. A música carrega as influências da sofrência do brega, da guitarrada e da levada do carimbó. A música conta com a participação de Dona Onete e Manoel Cordeiro. Numa música essencialmente paraense, não poderia ter feats melhores. Com muito orgulho, Dona Onete leva a sonoridade típica do seu estado pelo país (e até fora dele) e Manoel é um expert da música amazônica. Como Jaloo disse em Dom, ele só faz feat com quem sabe mais.

Por fim, temos Say Goodbye, em parceria com Badsista, e Último Recado, feat com Charles Tixier (produtor de Azul Moderno, Luiza Lian). No primeiro single do álbum, ele expõe suas vulnerabilidades e um coração dilacerado em uma das composições mais lindas de toda sua discografia. E na ultima música do disco, a mensagem da canção anterior ganha um P.S. com a curta letra de desapego que marca o fim desse romance.


Jaloo convocou um time de peso para seu álbum e ao fazer isso celebra a beleza da diversidade cultural da nossa música. O disco é uma prova de que essa pluralidade de ritmos nacionais é uma das nossas maiores riquezas. Aqui, nada se ofusca e todos brilham em conjunto. ft. (pt. 1) é puro conceito, coesão e aclamação.


Nota: 95/100

Escute ao ft. (pt. 1) na íntegra abaixo:


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