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  • Bárbara Bigas

[REVIEW]: In/Spectre e a transição entre mundos

Atualizado: Jul 6

“Você escolheu viver olhando apenas para o mundo real. O que vai fazer agora que sabe o que acontece do outro lado?”


Essa frase, proferida um instante antes do início de um complexo e eletrizante clímax, centraliza toda a reflexão e o significado em torno do anime In/Spectre (do japonês Kyokou Suiri).


O anime é fruto de uma novel escrita por Kyo Shirodaira (Spiral, The Record of a Fallen Vampire e Blast of Tempest) que começou sendo ilustrada por Hiro Kyohara e atualmente conta com os lendários traços de Chasiba Katase. Teve suas honras reconhecidas ao ter sido indicado para o Melhor Shonen Mangá no 42º Annual Kodansha Manga Awards em 2018. Em 2020, recebemos sua adaptação, com o roteiro de Noboru Takagi (de Durarara!!, Golden Kamuy, Kuroko's Basketball) e direção de Keiji Gotoh. Coproduzido pela Crunchyroll, totaliza 12 episódios e é a dose certa de sobrenatural e fantasia que, com toda certeza, marcou o primeiro trimestre de 2020.




A HISTÓRIA


In/Spectre conta a bizarra história de Kotoko Iwanaga, uma adolescente de 17 anos que recebeu um convite nada usual no auge de seus 11 anos: ser a Deusa da Sabedoria, tendo a capacidade de conversar e conviver com seres sobrenaturais como fantasmas, ayakashis, youkais, espectros, demônios e muitos outros. Essa história mal contada causa todo um estranhamento, porém quando Iwanaga conhece Kuro Sakuragawa, um universitário misterioso que rapidamente conquista o seu coração, toda a verdade é revelada: ela havia recebido a tarefa de ser a líder de um novo mundo, um mundo a qual todas essas criaturas pertenciam e que não era conhecido pelo mundo real. Assim, ela passou a ter a confiança completa de todos esses seres, agindo como diplomata e mediadora dos conflitos que ocorriam do “outro lado”.


Apesar da incerteza e confusão que a história tem, especialmente em seus primeiros 2 episódios, a habilidade de Iwanaga abre espaço para algo não tão esperado na sinopse fantasiosa do anime: quando um crime cometido por um humano ultrapassa levemente o limite imposto entre as duas existências (real e sobrenatural), a Deusa da Sabedoria logo é convocada para resolver tudo, assumindo um caráter investigativo e até justiceiro. A presença ilustre de Kuro no caminho dela rapidamente é vista como uma peça fundamental para resolver os conflitos, além de ser uma premissa para que o romance que ela tanto sonha tenha uma chance para acontecer.


No entanto, o já mencionado episódio criminoso é apenas o começo para que a influência de um mundo sobre o outro comece a ser alterada e para que In Spectre passe a ser uma história em que mundos se encontram e a magia transcende a realidade.




POR TRÁS DO ENREDO


O ponto crucial de toda história e talvez o que mais chama a atenção é a noção temporal e factual que o cenário e o enredo proporcionam: o futuro é a principal chave para mudar o presente.


É estranho, mas possível de compreender: imagine que você detém todo o conhecimento sobre um mundo totalmente novo, sobre uma nova forma de existir. Informação é poder e isso você domina, tendo todas as noções possíveis da realidade. Agora imagine que você descobre a existência de uma pessoa que pode ver o futuro. Não aquele futuro fatalista, de um fato isolado, mas várias das possibilidades de um mesmo futuro, podendo controlar todos os acontecimentos que levam até ele.


Esse é o exato cenário que dá origem a todos os sombrios episódios à medida que o anime passa. Kuro e Iwanaga colocam em jogo exatamente estes poderes altamente complementares e desenvolvem ferramentas inimagináveis para cuidar de todos os conflitos: como Deusa da Sabedoria, ela tem na palma de suas mãos a capacidade de alterar o curso dos fatos e Kuro segue suas determinações e aborda os diversos futuros que podem decorrer a partir disso.



Em meio a essa leva de mentes brilhantes e vigorosas de não-humanos com capacidades incríveis, vemos, por incrível que pareça, um ser humano atuando de forma direta em todo esse conflito: a policial Yumihara Saki, até então descrente e medrosa com tudo aquilo que foge do convencional. Ao ter seu caminho cruzado com Iwanaga, acontece com ela aquilo que acontece com todos os que a encontram: ela muda totalmente de perspectiva e se desafia a fazer parte desse intercâmbio entre universos, mesmo com maiores limitações.


E o resultado disso tudo são as incríveis disputas entre seres até então nada prováveis na visão humana, que se apropriam de um recurso surpreendente em produções do gênero de aventura: a influência do pensamento e não necessariamente da luta física, corporal. A ideia da mente é uma das maiores reflexões que In/Spectre foi capaz de abordar através de personagens tão singulares e complexos.


De modo geral, o anime tem um efeito eletrizante e ao assistir, ele nos convida a deixar de lado todo o materialismo e a ideia de verossimilhança que costumamos ter. Ao falar de coisas que o mundo real não conhece, apostando em criativas metáforas, ele é como uma anestesia de reflexões e pensamentos fora da caixinha. Se você está preparado para uma viagem totalmente inesperada no mundo dos animes, você com certeza vai se fascinar por In/Spectre.


Nota: 4/5


Fontes:

www.animenewsnetwork.com/news/2019-01-14/in-spectre-supernatural-mystery-gets-tv-anime-by-brain-base/.142034

kyokousuiri.jp/news/


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