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  • Bárbara Bigas

[REVIEW]: The Book of Us: The Demon, de DAY6


A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos. A melodia é a vida sensível da poesia. (Ludwig Van Beethoven)

Trabalhando intensamente suas letras e se jogando numa versatilidade sonora de muita transparência, a banda sul-coreana DAY6 se engrandece a cada lançamento e a popularidade e identificação com seu público crescem exponencialmente.


O foco de criação mais recente da banda está na era “The Book of Us”, que com uma sequência de 3 fases, é um ponto de sua discografia que cria laços entre histórias, vivências e diferentes interações que exprimem seus desenvolvimentos pessoais e novos conhecimentos adquiridos. Dessa forma, fazem de sua arte excelente em nutrir e emergir seus sentimentos mais profundos, culminando na mais atual etapa ‘The Book of Us: The Demon’, álbum da banda lançado no dia 11 de maio.


Seu conceito central é genialmente inspirado numa teoria da física termodinâmica, do físico James Clerk Maxwell. Segundo a teoria, existem “demônios” imaginários que impedem a mistura entre moléculas opostas. Esse desequilíbrio causado pelos demônios é o olhar desenvolvido pelas faixas presentes no disco, voltado para as relações humanas e disposto a retratar também o seu lado mais sombrio e dificultoso.



+ Leia também: Day6 e a página onde escrevemos o amor

FAIXAS


A temática do amor acompanha o DAY6 desde seus primórdios e ao trabalhar esse conceito sombrio, o amor se mostra com uma raiz menos amistosa, em suas piores partes: a perda de sua intensidade, as incertezas e feridas que pode causar.


Nisso, o disco abre de maneira triunfante com a faixa Day and Night, que tem sua melodia serena, marcada pelos sintetizadores nesta mesma ideia. A guitarra segue a batida conduzida pela bateria e tudo vai se construindo calmamente até explodir o refrão e ouvirmos vocais bem mais entregues a toda a confusão e opostos que a letra, um dos fortes em toda música, nos apresenta:


Se você tentar se aproximar cada vez mais,

Você vai desaparecer daqui a pouco e aos meus olhos, oh

Nós vamos ter que passar por isso

Eu vou para cima

E você desce

É sempre o mesmo


A subsequente de Day and Night foi escolhida como a faixa principal. Zombie é o momento onde a sensação do vazio e da perdição é relatada com muita expressividade, por meio de um início marcado por vocais graves e projetados com mais ar, junto da bateria repetitiva e do piano tocando seus poucos acordes. Essa construção inicial começa a tomar corpo a partir do refrão, e a música avança apresentando linhas de guitarra sutis que complementam toda a atmosfera melancólica da faixa. A música também ganhou uma versão em inglês.



Tick Tock nos prega uma peça ao trabalhar riffs e linhas de baixo responsáveis por um levar melódico quase que sedativo, mas que na verdade são apenas panos para cobrir a metáfora do tempo, em um passar agoniante que muda duas pessoas que se amam e acaba levando ao seu relacionamento a sensação de costume e estranhamento, e assim ele fica mais próximo do fim.


Love me or leave me já deixa claras suas intenções desde o começo com a introdução de violão que indica que a música, em algum momento, vai se expandir e tomar uma proporção maior do que imaginamos. Os vocais arrebatadores do refrão se unem ao sintetizador agressivo e agitado e todo esse disparo sonoro caracteriza-a como uma música de urgência: a urgência para entender o futuro daquele amor, que é incerto e sempre acaba sendo responsabilidade do outro:


Vou prender a respiração enquanto espero sua resposta.

Vou deixar isso para você,

Diga-me se é sim ou não

Querida, me ame ou me deixe hoje à noite


STOP de longe é a faixa com os riffs de guitarra mais presentes e notáveis e o uso exagerado de vocais de fundo aumentam a ênfase em alguns versos e palavras da letra, que expressa agora o sentimento raivoso de uma relação que dá errado e que não abre espaço para a melhora ou o entendimento. A perspectiva da desistência é clara e precisa ser manifestada, sem ressalvas. A criação de uma sonoridade mais despojada do que densa torna a mensagem da música mais fácil de ser encarada, podendo até ser dita como uma faixa dançante e animada.


Assim como em Love me or leave me, 1 to 10 já inicia com um grave e uma bateria sutil, num ritmo de suspense, dando-nos a certeza de que a música terá seu ápice, mas não manifesta com tanta obviedade como isso vai acontecer. Dessa forma, a música se desenrola através de um andamento mais lento e um instrumental recluso, ao mesmo tempo que seu refrão tem vocais rígidos, cantados com bastante veemência. Liricamente, a música também traz a temática do desequilíbrio, onde um lado da intimidade retratada se entrega fortemente e o outro lado não consegue estar no mesmo processo. Conforme as palavras de Young K, baixista do DAY6, na entrevista cedida à Apple Music (em tradução livre):

"A quantidade de emoção que estou sentindo não é a mesma que a outra pessoa, então existe esse desequilíbrio".


Ele também explica que na Coreia, 1 to 10 é uma expressão com o mesmo sentido de “tudo”. Então, um lado tem tudo para oferecer enquanto o outro permanece de mãos vazias.


Afraid é a faixa final, repleta de uma calmaria vinda principalmente do piano e do violão. Nesse momento de desfecho, o eu poético compreende que não está sendo bom o suficiente na relação em que está. É uma faixa crua em seu significado e como sempre, não é transmitida com pouco sentimentalismo: a interpretação da banda, abusando de seus vocais mais expressivos, toca o coração dos ouvintes e promove uma identificação emocional muito forte.


Após 8 canções constituídas de muita intensidade e sensibilidade, DAY6 mostra que The Book of Us: The Demon é mais um trabalho digno de atenção. O ato de escutá-lo, percebendo sutilmente cada mensagem, transmite fortemente o poder de refletir sobre o que compõe e mantém acesas as relações que criamos. É a música voltada para o intimismo da forma mais sincera possível.


NOTA: 100/100


Favoritas: Tick Tock; Love me or leave me




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