• Anna Clara Fonseca

REVIEW: O encanto de "The War", do EXO

Por Anna Clara Fonseca


Nesse exato momento, estou sentada olhando profundamente para a tela do computador, vestindo minha camisa do Fullmetal Alchemist e me obrigando a pensar nas palavras mais brilhantes que minha mente pode imaginar para descrever a beleza que envolve o The War. Talvez seja sua simplicidade, a força subliminar, ou então o visual extremamente expressivo, mas ainda sim, dono de algo único. Sempre cultivei um carinho incomum sobre ele, nunca entendi de onde vinha tanto amor. De qualquer forma, gostaria de compartilhar um pouco desse carinho sem precedentes com vocês.


Primeiramente, vamos explicar quem são os criadores do The War, certo?


EXO


Em 2012, a S.M Entertainment debutou o maior grupo masculino de K-pop de daquele ano: EXO nascia.


Eles começaram com 12 integrantes, sendo divididos em sub-units: EXO-K (coreano) e EXO-M (china/mandarim). Os membros do EXO-K cantavam as músicas em coreano enquanto o EXO-M cantavam as mesmas músicas em mandarim. Esse paralelo das sub-units deu certo por um tempo, no entanto, por conta de desavenças entre alguns membros e a empresa, Luhan, Tao e Kris deixaram o grupo entre 2014 e 2015.

         Atualmente é composto por 9 membros: Baekhyun, Chanyeol, Xiumin, Chen, Sehun, Suho, Kai, D.O e Lay.

Da esquerda para direita: Chanyeol, Xiumin, Kai, Sehun, D.O, Suho, Baekhyun e Lay.

       Desde o debut, EXO vem quebrando recordes bastante expressivos, sendo impossível não notar a grandiosidade que isso acabou os levando.

      Tudo começou com o álbum de estreia XOXO em 2013 e tornaram os icônicos singles Growl (으르렁) e Wolf (늑대와 미녀) suas marcas registradas. Gravado em One Shot, o MV (videoclipe) de Growl foi um dos maiores marcos na carreira deles, assim como a música que, sem dúvidas, é um dos maiores sucessos do grupo até hoje, totalizando 14 troféus enquanto ainda estava em ascensão.

     Em 2015, temos EXODUS com CALL ME BABY e na versão Repack, LOVE ME RIGHT se junta com ela, vencendo vários prêmios naquele ano. Ao todo, Call Me Baby ganhou 18 prêmios em programas musicais enquanto Love Me Right levou 11. Vale ressaltar também que foi nesse ano que as sub-units acabaram. EXO se tornava um só.

    Já em 2016, foi à vez do álbum EX’ACT entrar em cena e quebrar todos os recordes possíveis com o single Monster, conseguindo pela primeira vez o 1º lugar na Parada de Músicas Digitais Mundiais da Billboard. Lucky One também não foi esquecida e conquistou o 3º lugar. O MV de Monster é um dos mais vistos do canal da SM até os dias de hoje. Na versão Repack, Lotto se apresenta ao mundo e é uma apresentação e tanto. Também não foi esquecida no churrasco, conquistando prêmios e primeiros lugares.

THE WAR (2017)

Por desavenças na agenda pessoal, Lay não pode participar do álbum.

LANÇAMENTO

       O quarto álbum nem havia sido lançado e já estava sendo aclamado por toda Ásia. As expectativas não eram nada pequenas: fãs esperavam esperançosas, os teasers estavam sendo liberados aos poucos e tudo parecia promissor. Eles mostraram desde o começo um trabalho impecável, obviamente a reação não seria diferente. E então eles voltam, superando/quebrando qualquer ilusão.

     The War foi lançado em Julho de 2017. Chegou quebrando grandes recordes logo na sua estreia: foi a maior pré-venda da história do pop coreano, contabilizando mais de oitocentos mil cópias físicas pré-encomendadas. Obviamente não parou por ai. Não havia passado nem um mês do lançamento oficial e já tinha acumulado mais de um milhão de cópias vendidas apenas na Coreia do Sul, se tornando o disco de k-pop mais vendido de 2017.

MÚSICAS

     Mesmo que eles já tenham provado para mundo os quão talentosos e capazes são, a cada álbum conseguimos ver avanços generosos vindo de todas as partes, inclusive dos membros. Vozes ganhando potência ou ficando mais potentes do que já são, melodias poderosas e experimentações que acabam se tornando icônicas. Gosto de dizer que é no The War onde conseguimos ver esse lado experimental e como ele tem êxito.

전야 (前夜)The Eve faz as honras juntamente com a voz de D.O e estabelece uma experiência ainda  mais fantástica. Sem perceber, ela carrega um quê de sensualidade oculta, que deixa de ser assim que descobrimos a coreografia dela (hihi). Ainda sim, desempenha lindamente o cargo de introduzir o álbum ao mundo.

Ko Ko Bop é o melhor exemplo para descrever os experimentos autênticos que esses homens são capazes de executar.  O acorde mais popular do disco dá o ar da graça e ai o caminho é sem volta. O leve tecno reggae de Ko Ko Bop é o carro-chefe da tracklist: ela simplesmente nasceu pra ser single. Seu dever é cumprido com sucesso, seguindo a vibe de sua letra despretensiosa.

    A positividade de What U Do cativa até mesmo aqueles que não gostam de ser cativados. Com sua melodia amigável, ela transmite algo especial, sendo possível trazer um otimismo involuntário. O mesmo vale para 소름Chill, 다이아몬드Diamond e 너의 손싯Touch It. Enquanto 기억을 걷는 밤Walk On Memories já carrega o posto de canção mais melódica dentre todas as outras.

        A ferocidade de Forever apresenta um pouco do muito que Chen, D.O e Baekhyun são capazes de fazer com suas vozes altamente potentes. Ela não dá voltas: é direta, reta e honesta. Chanyeol e Sehun não ficam atrás, presenteando nossos ouvidos com seus raps puramente legítimos.

        Se 내가미쳐Going Crazy fosse uma joia, seria a mais preciosa. Ela é responsável por encerrar o disco e faz isso com muita classe e poder. Sua introdução nos remete a um ballet contemporâneo forte e ousado protagonizado pelo nosso Main Dancer favorito, Kai. As vozes estão lindamente harmonizadas, o peso da letra casa perfeitamente com a melodia, dando ainda mais significado para o que quer representar. É nela em que sou capaz de sentir a essência da obra, toda a transmissão de sentimentos estão ali e sua beleza é inegável.  Não se fala muito nela, o que é uma pena, contudo, nunca será tarde para engrandecer o que é essa música é capaz de fazer.


VISUAL

       O conceito estético é um fator de extrema importância no K-Pop. Cada grupo carrega o seu e ele vai tomando novas formas durante o decorrer da carreira. Esse elemento é crucial para o processo de criação do disco. Ela representa a proposta e identidade do que eles desejam disseminar para o público.




Se o The War fosse um país, seria o Havaii nos anos 80. Sua paleta de cores extremamente viva e florida nos mostra um lado totalmente diferente de tudo o que vimos no gênero. Começando pela simpleza da capa do disco: uma estrelícia é tudo o que vemos. Ela é considerada uma flor exótica, o que, coincidentemente, é o que eles nos   exteriorizam a todo o momento no photoshoot dos integrantes. A realidade é que ninguém estava preparado para o que seriam esses visuais.



       Os estilistas/direção de arte deveriam estar muito inspirados quando pensaram na perspectiva do conceito. Eles se aventuraram sem piedade em vários estilos, tendências vintages e até mesmo culturas. Quando digo culturas, enfatizo os dreads de Kai dos quais não vemos com muita frequência na Coreia, mas que acabou realizando um lindo trabalho realçando ainda mais a beleza exótica que esse homem carrega. Agora quando digo tendências vintages, um mullet vermelho se materializa na minha mente rapidamente. Seja lá o que eles estavam pensando quando decidiram colocar um mullet naquele homem, gostaria de agradecer do fundo do meu coração por esse feito. Baekhyun, provavelmente, é quem carrega o cargo de visual mais simbólico do disco. A áurea setentista que permeia todo estilo desde cabelo a vestes com estampas étnicas foram perfeitas, ornando ainda mais com todo conceito.

       Sehun e Chanyeol decidiram ousar nas cores dos cabelos. Apostando no laranja, Sehun está, no mínimo, perfeito. Chanyeol sempre cai bem com cores fortes, confiando no rosa, o que foi um investimento rentável. Tais cores se ajustam lindamente com as camisas coloridas e floridas, que como podemos perceber, é bem recorrente no visual de todos.


        Também temos escolhas mais simplistas como a de Suho, Chen, Xiumin e D.O.  Com um ar brash boy, Chen exala elegância com seu cabelo loiro cintilante, trópico pode ser o sobrenome de Suho, o cabelo preto cacheado de Xiumin realça sua fisionomia felina enquanto as disfarçadas pintinhas no rosto de D.O conseguiram completar o look do verão.




​    Desde cedo, apreciei/aprecio músicas de outras décadas. Álbuns de bandas oldies cheirando a mofo são o que acalma meu coração em dias turbulentos. Porém, sempre questionei a imortalidade deles. Exemplo clássico é a notoriedade do The Dark Side Of The Moon do Pink Floyd após quarenta anos da sua estreia. Digo: o que os tornam inesquecíveis a ponto de serem comentados após décadas?


O The War aconteceu há quase dois anos atrás, mas sua presença é tão forte no fandom que parece que foi ontem. O conjunto da obra – música, visual, conceito – fazem algo nunca imaginado no gênero, é como se tivesse nascido pra ser deles, entende? Não teria o mesmo sentido se fosse com outro grupo. Tinha que ser com o EXO. Nunca esqueceremos o cabelo vermelho do Baek, Ko Ko Bop e o ensaio fotográfico mais colorido deles. Conseguimos ver o amor e sensibilidade deles para com seus fãs e eu acredito muito que tais essências são responsáveis por dar significado e amabilidade ao processo.

    Talvez o The War não possa ser o seu álbum favorito do EXO, mas, sem sombra de dúvidas, foi um dos mais importantes na carreira deles.



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