• Anna DeMarco

SIDETRACK Entrevista: CARR

Atualizado: 14 de Set de 2019

                                        Edição: Letícia Lucena

8th Ave EP. © Aaron Sinclair

Faz um tempo que a internet tem sido o melhor lugar para ver artistas novos surgirem. Desde Video Games de Lana Del Rey até Oceans Eyes de Billie Eilish, sua plataforma para artistas indies se tornou essencial, com milhares tentando fazer uma música espalhar todo dia. E semana passada, uma delas conseguiu.


Os fãs de Catfish and the Bottlemen foram pegos de surpresa quando uma música com o nome do vocalista da banda foi lançada. Todas as stans puderam se identificar por causa das letras que diziam: Querido Deus, por favor faça todo homem um pouco mais como Van McCann, ou apenas me dê Van McCann, talvez assim eu gostaria de meninos de novo”. Com a canção sendo o principal tópico de conversa entre o fandom por dias, restava apenas uma pergunta: Quem era a cantora com voz de anjo por trás dela?


Carly McClellan, uma estudante de cinema da costa leste dos EUA, é a responsável. Indo pelo nome artistíco CARR (seu apelido de infância, com um R extra no final para ter uma aparência melhor), ela já tinha lançado a música Strangers e seu vídeo antes de seu primeiro EP 8th Ave sair 6 de Setembro. Com o vídeo de Van McCann (Boys), nós vimos mais de sua estética retrô e seu lado divertido, também demonstrado na própria música.


Tivemos a oportunidade de conversar com ela e mostrar porque ela é uma das garotas mais legais que você vai conhecer. Confira:


SDTK: Primeiramente, parabéns pelo seu EP! Você tem um futuro brilhante pela frente. Como está sendo a recepção até agora?


CARR: Muito obrigada! A recepção tem sido incrível. Só faz alguns dias desde o lançamento e eu recebi tanto amor e apoio das pessoas… Sou realmente muito grata por isso. É um sentimento legal quando alguém entra em contato e fala que sente exatamente como eu me sentia ou que passou por uma experiência similar. Também tive algumas pessoas me contatando para dizer que uma canção os fez chorar ou os lembrou de alguém especial e eu fico tipo “desculpa que te fiz chorar mas fico feliz que você sentiu algo”.


SDTK: Você é muito secreta nas redes sociais, têm poucas coisas que podemos pegar sobre sua vida pessoal por elas - exceto você ser virginiana (que eu adoro, aliás). Então como você começou a fazer música? Quando decidiu que isso era algo que você iria oficialmente ir atrás?


CARR: Hah virginianos são os melhores! Eu definitivamente deixo misterioso e não exponho tudo lá. Eu odeio redes sociais na verdade, me encontro muito mais em paz quando não estou nelas de jeito nenhum. Se eu não gostasse de interagir com as pessoas que gostam das minhas músicas, eu não acho que as usaria então tento limitá-las quando posso. Eu estive muito nelas desde esse lançamento porque tento responder todo mundo que entra em contato para falar o quanto aprecio o apoio. Realmente significa muito para mim. Apenas comecei a fazer música recentemente, o que é meio louco. Minha mãe sempre previu que eu seria uma escritora, porque quando eu era uma criança eu tinha vários diários com todas essas histórias inventadas. Eu sempre estava escrevendo e criando coisas. Terminei fazendo cinema na faculdade, então quando me formei eu fui para Los Angeles para perseguir isso.

Quando cheguei em LA, eu conheci alguém muito frustrante e me encontrava sentada no piano da casa que estava ficando, compondo todas essas músicas sobre ele. Vinha facilmente para mim de algum jeito e era realmente terapêutico e agradável, então eu queria explorar e aprender mais. Consegui um estágio em um estúdio de gravação pequeno onde eu fazia a limpeza em troca de poder assistir às sessões e aprender. Eu era como a Cinderela naquele lugar, comecei debaixo. Me lembro de me sentir extremamente insegura em um ponto porque todo mundo que eu conhecia me falava que estavam trabalhando naquilo desde sempre e escrevendo músicas desde que eram crianças, e lá estava eu nos meus 20 e poucos anos tentando começar. Era difícil, mas me fez amar tudo que vai no processo de fazer música e eu sabia que queria ir atrás disso. Deixei meu estágio e consegui um emprego em um estúdio maior, e de lá para frente conheci muitos amigos musicais, um deles foi Jimmy Keeley, que criou o EP comigo.


SDTK: Ouvindo suas músicas temos esse sentimento de coração partido, estar apaixonada e até estar cansada do amor. De onde você pega sua inspiração? É tudo das suas próprias experiências de vida?


CARR: Eu na verdade pensava que eu queria escrever para outras pessoas até ano passado quando um relacionamento importante acabou. Era com alguém que eu realmente amava e me sentia conectada, então eu estava mais que devastada quando terminou. Eu estava muito triste e comecei a escrever todas essas músicas que eram muito pessoais para dar para outra pessoa. Era muito assustador no começo, mas eu estava tipo “ok, vou fazer isso e começar a compartilhar minhas coisas porque isso é minha história”. Queria ser alguém que conseguisse se colocar no lugar de outras pessoas e escrever músicas para elas, mas não sou. Eu tiro 100% das minhas próprias experiências, tudo é real e pessoal. Tento o mais honesta possível e acho que as pessoas conseguem sentir isso. Ainda estou tentando ficar confortável em me abrir tanto para o mundo.


SDTK: Falando de inspiração, quais artistas você diria que impactaram mais seu estilo musical e de escrita?


CARR: Ohhhh, essa é difícil. Eu escuto muitos tipos de músicas diferentes. Eu diria que para escrever eu não me inspiro em ninguém além de mim. Em relação a sonoridade, eu acho que me identifico com a escuridão que a Billie Eillish traz para música dela. Também gosto do estilo Lo-Fi da Clairo, venho gostando dela desde que o seu  álbum saiu em Agosto. Porém, minha artista preferida do momento é provavelmente a King Princess. Acho que ela é muito subestimada e eu amo ela e suas músicas.


SDTK: Você já fez vídeos para duas das músicas do EP: Strangers e Van McCann (Boys). Ambos têm uma estética parecida, então como foi o processo de fazer-los, desde a ideia inicial até a finalização? Quando você escreve, já tem uma visão de como o vídeo vai ser?


CARR: Sou uma pessoa visual e eu absolutamente amo o processo de criar um vídeo para contar a história de uma música. Antes delas estarem finalizadas eu já sei exatamente o que quero para o vídeo. Para Strangers, eu sabia o que queria desde o começo, o mesmo para Van McCann. Faço questão de trabalhar com amigos que entendam minha visão e consigam trazê-la à vida o melhor possível.

SDTK: Temos que falar de Van McCann (Boys) porque acho que nunca fui tão representada por uma música! Quando você a escreveu você estava com medo da reação das fãs dele? Tinha alguma ansiedade no fato que ele pode chegar a ouvir?


CARR: Haha fico feliz que você se identificou. É engraçado, tive a ideia porque a maioria dos caras de LA tentam TANTO. Eles sempre se gabam por o quão bem sucedidos são ou quem eles conhecem na indústria, e no final do dia eu não poderia ligar menos para isso. Conheço várias garotas aqui que ficam loucas por isso, mas não sou uma delas. Tenho um crush no Van porque ele parece não ligar para isso também, ele só parece um cara legal sem se esforçar, por isso a comparação era sólida. Quando mostrei a ideia para o meu produtor, estava pensando que não tinha jeito dele aceitar fazer essa música… Era tão aleatório e tem muita gente que não sabe quem ele [Van] é ainda nos EUA. Surpreendentemente, ele concordou porque mostra um lado diferente meu em relação as outras músicas do EP. Foi a música mais divertida de escrever também, eu tive que gravar várias vezes já que começava a rir no meio. Nós bebíamos mimosas e pesquisávamos memes de fuckboys, rindo por horas.

Em relação a reação dos fãs: sim eu estava pirando. Eu tive a pior ansiedade quando começou a circular no fandom tão rápido. Não me dei conta de que iria gerar um buzz tão grande nas redes sociais e não estava preparada para isso de jeito nenhum. Mas os fãs dele tem sido incríveis, sou realmente muito sortuda. Eles são honestamente tão legais e dão muito apoio, quero ser amiga de todos. Eles também entendem o humor, o que eu apreciei. Os haters foram difíceis para mim no começo, mas eu aprendi a não ligar ou prestar atenção, nem todo mundo vai gostar de mim ou da minha música e tudo bem. Eu não tive ansiedade dele poder ouvir, o único pensamento que eu tive foi que se ele ouvir eu espero que ele ache engraçado e não me processe.


SDTK: É um dos seus objetivos se identificar com as pessoas quando escreve? O que você espera que as pessoas peguem da sua música?


CARR: Eu escrevo para mim mesma e sobre o que eu estou sentindo ou lidando no momento. Se outras pessoas se identificam com as minhas experiências e sentem a mesma coisa, esse é o objetivo final. Quero que ouçam minhas músicas e sintam algo, sabe? Também conheço o outro lado da história, quando você acha uma música que você se identifica como se você mesmo tivesse escrito. É um sentimento legal.


SDTK: 8th Ave é seu primeiro lançamento então você deve ter trabalhado muito para deixá-lo o melhor que podia ser. Como foi o processo de achar pessoas que iriam te ajudar? Quando você começou a trabalhar nele?

CARR: Sim, parece que foi uma jornada, com certeza. Eu acho que como uma artista nova a maior dificuldade é achar alguém que entenda seu estilo e consiga trazê-lo a vida. Eu e Jimmy apenas nos compreendemos muito bem. Ele entendeu meu som e eu, e foi capaz de produzir algo que eu queria. Nós temos uma amizade boa também e apenas descobrimos que fazemos músicas boas juntos. Eu sou perfeccionista demais, ele lida comigo e com tudo com muita facilidade. Trabalhamos no EP por 8 meses, provavelmente. Tínhamos muitas músicas que eram boas mas não chegaram no lugar que eu queria ou só não pareciam tão especiais para mim. Tem algumas que ainda acho que tem potencial para o próximo projeto se trabalharmos mais nelas.


SDTK: E finalmente, quais são seus planos para o futuro? Podemos esperar por vídeos das outras músicas do 8th Ave ou você já está trabalhando em novas músicas, talvez um álbum?


CARR: Eu estou muito empolgada em relação o futuro, e também estou sempre escrevendo quando sinto a inspiração, então tenho certeza que voltarei ao estúdio muito em breve. No momento estou trabalhando no vídeo Ready Yet, espero que seja lançado em breve. Eu tenho uma visão legal para este e estou produzindo e dirigindo por conta própria. Essa música é provavelmente a mais especial para mim por algum motivo, então eu realmente quero trazer todos esses sentimentos para o vídeo. Quanto aos projetos futuros, um álbum seria a situação ideal, isso seria um sonho. Mas por enquanto, mal posso esperar para começar a tocar essas músicas ao vivo em alguns shows menores em LA. Estou feliz por ter pessoas apoiando meu EP, porque tudo está apenas começando.

Confira na íntegra o debut de CARR, com EP 8th Ave:


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