• Bárbara Bigas

SIDETRACK ENTREVISTA: Down The Wood

Atualizado: Jan 28

Em Celluloid Heroes, do The Kinks, Ray Davis recita que todos nós somos sonhadores e estrelas, que se andarmos por algumas cidades, veremos o nome de algumas no concreto. Por sorte, nós tivemos a honra de conhecer aqueles que amam o que fazem e não demorará para vermos o nome deles no nosso concreto. A gélida tarde de São Paulo naquele sábado não se equiparava ao que acontecia no aconchegante e barulhento Starbucks do centro da cidade. Ao mesmo tempo, outro ambiente dentro da cafeteria também não parecia estar propriamente ali. Em um pequeno espaço, conversamos com quatro caras especialíssimos sobre música, sonhos e Rival Sons.

Estamos falando de Down The Wood, formada em 2015, pelo músico e artista mogiano Föxx (nome artístico de Caio Cesar Maia), na cidade de Santo André (ABC Paulista), que permeia o gênero do rock n’ roll e seus subgêneros, denominando-se uma banda de “hard stoner rock” e desenvolve a proposta de mesclar o trabalho autoral com a releitura de obras clássicas da música popular, mantendo a genuinidade da banda com composições autorais. A banda conta também com os músicos: Malerbō (baixo), Silver (guitarra) e Lucas Malerba (bateria).

Com o intuito de propagar e fomentar a cultura e a cena musical local, a banda se apresentou em diversas casas de shows e bares musicais na região do ABC e em regiões metropolitanas de São Paulo, conquistando numa dessas oportunidades a parceria com o professor e produtor musical Douglas das Neves, responsável pela gravação de grandes nomes da música nacional e internacional, propiciando a realização do primeiro disco da banda (já em fase final de produção), intitulado "Who are we?", o qual conta também com a participação em uma de suas músicas, do renomado músico e produtor, Júnior Carelli, tecladista da banda Anie e ex-Shaman e Noturnall.

Contendo anteriormente uma visão comumente estereotipada como "padrão" ao rock n'roll em seu conteúdo lírico, hoje a banda declara uma posição de apoio às causas animais, promovendo também o questionamento e o debate referente a esse tema, que visa combater na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais, para qualquer finalidade.

Além do disco, a banda conta com dois singles e videoclipes já lançados nas principais plataformas de streaming, antecedendo seu álbum de estreia, gravados e mixados no Estúdio Fusão (referência no Brasil e um dos principais estúdios musicais da América Latina).


Da esquerda para a direita: Malerbō, Silver, Lucas e Föxx

O que era para ser uma entrevista, acabou se tornando uma conversa duradoura entre amigos de longa data. Venha conferir:

SDTK: Vocês sempre foram conectados com a música? Como vocês incorporaram isso em suas vidas e como foi que vocês se encontraram?


Föxx: Bom, acho que todo mundo teve uma conexão com a música desde cedo. Meu primeiro contato com a música foi com 5 anos de idade... eu “roubei” (peguei emprestado pra sempre) um CD da minha tia do Michael Jackson, que se chama History, e eu pirei com esse álbum, ouvia todos os dias na casa dos meus avós, não deixava ninguém em paz. Foi o meu primeiro contato e conforme o tempo foi passando eu fui descobrindo o rock n'roll, eu tinha uns 12 anos, foi mais ou menos a época que eu conheci todos eles. Com essa idade eu frequentava a igreja sozinho e eu conheci eles dois (Lucas e Malerbō). Na época a gente estava aprendendo a tocar os nossos instrumentos: eu tocava guitarra, o Lucas bateria e o Malerbō baixo. O Silver eu conheci na escola, nos conhecemos mais ou menos na 7ª série, mas demorou um pouco pra gente resolver formar uma banda. Cada um já tinha sua vivência com a música e a banda se formou em 2015 quando eu já estava envolvido num projeto com o Silver...já tínhamos saído da escola e a gente se reencontrou 2 anos depois num barzinho de rock e eu falei “Vamo fazer um som”, ele topou, foi em casa e a gente começou a desenvolver e eu comentei sobre um outro amigo que toca guitarra e a irmã dele tem um baixo, então ele poderia ajudar a gente por um tempo. Eu chamei o Malerbō e ele disse “Mano, o meu negócio é guitarra, mas ajudo vocês até encontrarem um baixista” e no final ele acabou gostando mais do baixo e ficou. Mais tarde ele chamou o irmão dele pra tocar bateria...então assim, a gente se conhece há mais ou menos 10 anos, desde pequenos temos essa convivência.

SDTK: Ouvindo as duas músicas que vocês já lançaram, percebemos uma identidade muito única! Como foi que vocês definiram o conceito que essas duas músicas já trouxeram? Foi algo combinado ou vocês só foram explorando até encontrarem?


Föxx: A princípio a gente explorou bastante. Quando eu tive essa ideia de banda, eu gostava muito de metalcore e eu pensava “Mano, quero fazer uma banda de metal”. Eu tinha acabado de sair da escola, estava com aquele ódio ainda, tipo “Die, die, die, motherfucker, die!” e eu conhecia um outro guitarrista, um colega meu, e eu disse pra ele “Vamos fazer uma banda” mas acabou não dando certo. Surgiu o nome “Down the Wood” e eu pensei “Cara, isso soa muito hard rock” e eu curto, minhas principais influências são de hard, então começamos mais ou menos dessa forma. A gente não definiu que seria hard rock, a gente juntou nossas influências e acabou ficando uma banda de hard, que consegue soar pesado, mas também um pouco mais tranquilo...o nosso disco vai ter de tudo.

Malerbō: No CD dá pra ver que tem bastante versatilidade do nosso estilo. A gente está no hard rock mas não ficamos presos só a um estilo como a da música Down The Wood ou Voodoo Joke. A gente fez algo mais leve, tem também umas coisas mais pancadas...


Silver: Também tem esse lance de que no começo, quando a gente ainda estava descobrindo a nossa identidade, as músicas do álbum, se vocês forem reparar, tem coisas que escrevemos lá em 2015/2016 e elas vão soar um hard cru, já as músicas mais atuais têm uma parte mais sofisticada de um gênero diferente que eu diria que é a gente construindo nossa identidade como Down The Wood, acima das nossas influências e tudo mais. E eu acho que o disco está bem versátil e legal por isso: metade dele a gente escreveu lá atrás e só deu uma reformulada na hora de gravar e tem também as novas que foram surgindo mais recentemente. Tem bastante desse amadurecimento.


SDTK: Essas partes de amadurecimento são muito importantes porque é aí que você encontra sua própria identidade. Se vocês forem ver algumas bandas como por exemplo o Bring Me The Horizon, que começaram praticamente gritando no seu ouvido a todo momento e hoje em dia a gente ouve o Oliver cantando de fato...então faz bem vocês se encontrarem, passar por toda essa descoberta até chegar onde estão.


Föxx: E uma coisa que eu já comentei com eles, a gente sempre comenta entre a gente é que não gostamos de nos limitar a uma coisa só. Bring Me inclusive é uma referência que a gente sempre usa no sentido de não querer fazer sempre a mesma coisa, sempre a mesma sonoridade, então o álbum da Down The Wood vai ser um agora, o próximo não vai ser parecido, vai ter outra sonoridade. A gente gosta de explorar novas coisas, novos instrumentos, novos músicos, personalidades e referências.

SDTK: Vocês têm alguma inspiração base? Alguma banda ou artista que vocês sempre se espelharam pra fazer música?


Silver: Essa é bem pessoal, é até legal cada um citar uns 4.


Malerbō: Tem 1 da banda no geral, que a gente pode falar aqui: AC/DC. Também tem Led Zeppelin, Black Sabbath...

Silver: Acho que tem isso até na entrevista que a gente deu no nosso primeiro clipe... Bandas novas, por exemplo Rival Sons, que tem essa energia 70s (que eu sou suspeito pra falar, sou 70s total) e eles são originais mas trazem essa nostalgia e a gente pega bastante influência desse pessoal: Rival Sons, Blues Pills, uma galera nova que traz essa energia. A gente não fica só nos antigos, os famosos dinossauros.


SDTK: Tem até aquela banda bem famosa, o Greta Van Fleet, que bebe da fonte...

Föxx: Isso daí causa um atrito na banda. Eu gosto de Greta e todo o resto não (risos).


Silver: Ah, eu gosto, porém...acho que tem bandas melhores. Rival Sons pra mim é a maior banda de rock n' roll da atualidade. (A divulgação está PESADÍSSIMA)


SDTK: Agora o top 5 de cada um, 5 bandas/artistas que mudaram suas vidas pra sempre.

Silver: Em primeiro lugar, Eric Clapton, no geral, todos os trabalhos dele, porque esse cara é o meu Deus grego da guitarra, da música. Ele é muito versátil, um baita artista.

O segundo lugar é difícil, hein? Mas vou falar a banda do meu coração: Led Zeppelin. Led Zeppelin pra mim está num outro patamar: timbre, tudo que eles trabalham, as vozes...

Em terceiro lugar, Rival Sons. Apesar deles serem novos, eu acho que eles têm muito potencial...pra mim eles já são um novo clássico.

Os outros dois lugares são difíceis de escolher, mas acho que como quarto é AC/DC, porque AC/DC foi o primeiro passo, foi a banda que ouvi e pensei “nossa, como isso é bom”. Eles são cheios de energia. Para fechar, não vou deixar de citar: de modo geral, gêneros eruditos. Tem um violonista que eu sou muito fã, ele chama John Williams, o mesmo do compositor de trilha sonora. Ele tem uma pegada muito boa, foi um dos motivos pra eu começar a estudar música erudita, o cara é muito bom.

Föxx: Eu costumo brincar que o meu primeiro amor foi Guns n´Roses. Eu vendi minha guitarra pra ir no show deles. Na época eu tava sem grana mas eu precisava muito ir no show. Foi a banda que mais me influenciou. Aí tem o AC/DC, Judas Priest... eu ouvia muito Judas, a gente (ele e Silver) já foi em dois shows...tem o Kiss e uma que eu colocaria também é Rival Sons. É uma das minhas bandas prediletas atualmente e eu acho que eles são a maior banda de rock n'roll atual.


Lucas: Teve bastante versatilidade na minha vida, desde quando eu comecei, ainda criança, a tocar, com uns 10 anos, eu sempre levava esses clássicos: AC/DC, Led...sempre gostei muito de Led por causa do John Bonham, o baterista, ele é a maior inspiração pra mim, me espelho muito nele em questão de tempo, de virada, de criação, ele é totalmente completo. E junto disso eu sempre gostei muito da levada do Red Hot Chili Peppers, eles têm uma variedade e desde sempre eu escutei muito, sempre me influenciou, me deu uma energia. Sempre que eu escutava eu queria criar algo nessa vibe, não algo parecido, mas com a energia que eles passam pras pessoas. Mas pra me fazer tocar, eu também sempre gostei de metalcore, desde os meus 10 até os 14, 15 anos eu era super emo, tinha aquela franja grandona e as bandas que sempre me inspiraram foi Bring Me, Asking Alexandria e hoje em dia o que me dá mais inspiração pra tocar e pra poder criar é blues, eu amo o Jimmy Page, que tem uma pegada diferente, Rival Sons também acho muito bom... o pessoal da banda sempre me mostrava várias coisas, antes de gravar o disco por exemplo o Föxx sempre me falava pra pegar músicas de certas bandas, comecei a gostar muito de Deep Purple por causa disso, então me influenciou bastante na hora de criar.


Malerbō: A primeira que eu vou por aqui é uma uma que mudou minha vida...eu já conhecia rock, mas fui conhecer a banda um pouco depois, lá pelos meus 13 anos, que foi Black Sabbath. Pra mim, é a melhor banda de todas, o Geezer faz a melhor linha de baixo que eu já vi na vida. Depois eu ponho Metallica, principalmente por causa do Cliff, a época dele era muito foda e foi uma das coisas que fez eu me apaixonar por baixo. Depois vem Judas Priest porque é uma das bandas que eu mais gosto até hoje, Cannibal Corpse, que eu também gosto muito, e por último AC/DC porque é uma coisa muito básica.


Silver: Só você não citou Rival Sons! (risos)


Lucas: Pior que as bandas que cada um falou a gente ficava tipo “Nossa, é mesmo”, tinha Sabbath e mais um monte de coisa pra citar.


Silver: Eu não citei nem o blues porque tem muita coisa pra falar sobre.


Lucas: E o blues é uma das inspirações mais fundamentais pra gente.


SDTK: E é legal que vocês compartilham os mesmos gostos, né? É mais fácil de vocês criarem e pensarem em coisas novas.


Lucas: É bom também que a gente não se prende a uma coisa só.


Silver: A química na hora de fazer alguma coisa é interessante porque temos essa liberdade de ouvir de tudo e uma coisa é real: se você, do rock, vai tocar com uma pessoa do reggae mas ela não ouve outras coisas ela não vai ter essa linguagem pra desenvolver. Ela pode fazer algo muito bom, mas não vai ter a proposta que tem o rock n'roll por exemplo. Fazer um rock com uma pegada 70s, que tem uns detalhes aqui e ali que você ouve e fala “Isso aqui é mais anos setenta”, só que se a pessoa não tem a linguagem, infelizmente não rola muito bem e isso é o bom de compartilhar essas experiências. Grande parte das músicas que a gente fez foi dessa forma, a gente completava na verdade cada uma delas.


A banda se prepara para o lançamento de seu terceiro clipe e single 'Want It All'

SDTK: Na hora de compor e de escrever as letras, de onde vocês tiram as ideias pra escrever?


Silver: Atualmente eu estou cuidando basicamente da parte instrumental, depois eu apresento pro pessoal e a gente dá uma lapidada juntos, mas geralmente parte de um sentimento, eu já conheço o instrumento então eu já sei pra onde devo ir, sabem? Eu sinto que devo cair numa nota e ela só vem, parece uma coisa divina. É a mesma coisa que acontece nas músicas mais lentas, que a gente tá numa paz de espírito...apesar da tristeza ser uma coisa negativa, ela traz uma certa paz de espírito, e pra músicas mais agitadas como as duas que já saíram, parte de um riff também. Eu geralmente escolho um tom e penso em brincar nesse tom. O som sai, eu apresento e se acharmos legal, damos continuidade e assim nasce.


Föxx: Ou se não falamos que não é muito a cara da banda.


Silver: As letras atualmente estão partindo mais do Föxx. Eu quando vou escrever letras, eu faço algo similar ao que faço na parte instrumental: eu só sinto e as palavras vão indo, tanto que as minhas letras do novo álbum, se reparar, você percebe bastante influência do blues, porque o blues era assim, um canto de lamento, então os caras não estavam necessariamente pensando na letra, eles improvisavam, e minhas letras geralmente são assim.

SDTK: Você falou sobre as letras e isso lembrou um documentário do Pink Floyd onde eles falam sobre o álbum “Wish You Were Here”. O Roger Waters falou que a música Shine on You Crazy Diamond, que tem 13 minutos, surgiu assim: ele fez um riff, aí veio o David Gilmour e o seguiu, meio que lendo o pensamento dele e saiu a música, que é um dos maiores clássicos que a gente encontra hoje.


Silver: E essa música é linda, minha favorita! E é tudo uma grande viagem, cada um tem seu método pra escrever, como no erudito: eles já tem uma coisa na cabeça, sabem como vai soar o acorde, então eles escrevem e quando vão tocar eles sabem como vai soar. E pra gente é a mesma coisa, mas é quase instantâneo. Eu não tô pensando se eu vou cair num dó, por exemplo, eu só penso “Aqui vai ser lindo”. Mas as vezes não é lindo (risos).

Föxx: É isso mesmo. Eu por exemplo, na época que a gente começou a banda, que eu comecei a escrever as letras, a gente estava em outra vibe, tinha acabado de sair da escola, ainda tava com aquele ódio adolescente e quando você tem uma banda de rock você quer falar sobre o que o rock fala: você fala de festas, de bebida, daquelas coisas que já estão meio intrínsecas no rock n' roll mas aos poucos a gente foi mudando. Tanto que quando começamos a gravar o disco, eu reescrevi quase todas as letras pra não ficar algo tão maçante. Eu queria fazer algo diferente...então, as inspirações partem mais das influências que a gente tem. Por exemplo um dia eu estou ouvindo Burn do Deep Purple, e aí eu quero contar uma história; a Voodoo Joke partiu disso, eu queria contar alguma história, que soasse meio mística... ela tem essa quebra, os versos tem uma energia mais densa e o refrão já é um pouco mais animado, dá aquela quebra e você pensa “O que aconteceu? ” E daí que surgiu a ideia de falar sobre Stranger Things, falar do mundo invertido. A gente queria criar essas duas fases de uma mesma música. Partimos dessa ideia e como a série já ia lançar em julho e a gente estava se programando pra lançar na mesma época, a gente pensou em pegar a hype. (risos)

Silver: Ah, inclusive sobre a composição isso é um aspecto que a gente leva em consideração: com a Voodoo Joke a gente já tinha em mente essa questão da letra, dela ter essa parte densa e o oposto, e aí trouxemos para a parte instrumental também. Na parte técnica da coisa ela usa uns elementos menores nos versos que soam mais pesados e no refrão a gente colocou uns acordes mais limpos e partiu essa ideia de colocar um coral: é uma coisa que fica carregada de emoção e ainda deu uma dobra na parte dos acordes abertos, pra ficar algo mais alegre.

SDTK: Vocês já citaram que gostam de se aventurar e buscar novas coisas, mas tem algo específico que vocês escolheram pra trabalhar nesse álbum, um foco principal?


Föxx: Na verdade a gente decidiu nesse primeiro álbum, pelo menos, colocar as impressões que a gente tinha quando começamos a banda. Teve essa questão de termos saído da escola há pouco tempo então a gente escrevia umas coisas mais agressivas, não tem muitas variações, eu não exploro muito o campo da voz, você vai ouvir aquela coisa mais gritada, e realmente, é algo que a gente quis jogar; algumas composições a gente fez lá atrás e decidimos que queríamos usar no primeiro disco, como um pontapé inicial, o famoso piloto. Então, é um pouquinho do que a gente era na forma mais crua da banda, tanto que a gente já está no processo de composição das músicas do próximo [álbum] e elas já tem uma cara diferente, uma roupagem diferente, algo mais específico, que você ouve e fala “Cara, isso é a Down The Wood”. Nesse álbum quisemos resgatar a essência da banda.

Silver: A gente até brinca que esse é um álbum póstumo, porque são personalidades que a gente tinha, a essência fica, mas a gente amadurece, tanto como pessoas quanto na parte musical. A gente vai estudando, ouvindo outras coisas, vai tocando mais, se identificando...


Föxx: Exatamente. A sonoridade nesse álbum acabou ficando mais crua pra passar essa mesma ideia, pois essas eram nossas influências, era como nossa cabeça funcionava na época, tinha essa raiva e a gente queria jogar isso.


SDTK: Esse novo álbum tem mais músicas em inglês ou em português? As duas músicas já lançadas foram em inglês então pretendem continuar assim vocês farão músicas em português também?


Silver: No momento a gente pretende continuar no inglês. O primeiro álbum é todo em inglês, e o próximo a gente pretende fazer em inglês também, por diversos motivos. A gente até brincou que é difícil você escrever algo em português no rock n' roll e não soar meio “brega” e até pela questão da rima, tem umas palavras que são mais fáceis de trabalhar no inglês, que soam melhores pro gênero.


Lucas: Sem contar que inglês é a língua universal, todas as pessoas podem entender melhor, vai soar melhor no ouvido de todo mundo. A gente não fica limitado a certas pessoas ouvirem, a certas pessoas gostarem porque todo mundo pode entender e se aprofundar.

Silver: Realmente, fica mais universal. A música por si só já é uma linguagem universal.


Föxx: Querendo ou não é o berço do rock, ele já nasceu assim, com as músicas em inglês.


SDTK: Ultimamente vocês estão tendo algum foco (além do álbum) como fazer uma parceria, tocar em festival ou vocês ainda estão no processo de descobrir o que é a Down The Wood pra mostrar isso pras pessoas e só depois investir em algo mais amplo?


Silver: Em relação a festivais e apresentações, acabou ficando corrido pra gente em questão de datas porque nosso foco a princípio foi trabalhar o álbum, a arte, os clipes...foi um foco total, a gente queria fazer bonito porque se você focar em mil coisas você não faz nenhuma bem. Na questão de shows, a gente buscou, são informações confidenciais (risos) mas talvez a gente acabe fazendo uma parceria com um pessoal que é do selo Fusão, que participam com a gente, bandas produzidas pelo nosso produtor e em relação a shows são coisas que gente ainda está preparando porque estamos tendo um foco no nosso show de lançamento e pode ser que surjam datas muitíssimo em breve.

Föxx: Realmente a gente deu esse foco no disco, porque querendo ou não é algo muito burocrático: registrar, correr atrás de arte, clipe, divulgação, foto...é muita coisa e a gente faz basicamente tudo sozinhos, somos uma banda independente. O nosso produtor que foi o Douglas das Neves nos dá um direcionamento, mas de qualquer forma é um processo demorado porque tudo demanda dinheiro. A gente precisa continuar sempre trabalhando junto, a gente faz as nossas planilhas, a gente tenta se organizar da melhor forma possível pra fazer essas coisas acontecem. Em relação ao show eu posso dizer que: como a gente gosta de brincar com essa coisa de vertentes e tudo mais, a gente quer preparar um espetáculo; além da música em si a gente quer fazer algo visual, a gente quer envolver o público, ter essa troca de energia e calor, queremos estar bem próximos das pessoas então estamos preparando algo desse tipo.


SDTK: Quebrar a quarta parede, né?

Föxx: Exatamente! Muitíssimo em breve a gente vai divulgar algumas datas. Muito em breve mesmo, porque a gente já vai lançar o álbum. Eu ainda não sei exatamente quando será o show de lançamento, talvez a gente faça umas apresentações antes, alguns pocket shows por São Paulo, mas o show de lançamento com certeza vai ser uma surpresa.


Silver: A gente está montando até uns kits, uns convites especiais.


SDTK: Se vocês pudessem escolher um artista (nacional ou internacional) pra fazer uma parceria, quem vocês escolheriam?


Föxx: Melhor cada um falar o seu pra não dar briga, né? (risos)


Malerbō: Acho que não vai dar briga, tá todo mundo meio alinhado.


Föxx: Greta Van Fleet!


(Mais risos)


Föxx: Eles são novos e apesar de serem comparados ao Zeppelin e tudo o mais, é incrível o que eles fizeram, eles fizeram as pessoas voltarem a falar de rock n' roll. Apesar de muita gente não gostar, o pessoal falando mal é publicidade gratuita pra eles. Só o fato deles terem feito as pessoas falarem sobre rock n´ roll de novo, voltar a ser algo do streaming eu acho muito bom.


SDTK: É o legado que eles estão trazendo novamente pro nosso tempo.


Föxx: Exatamente, eles estão fazendo as pessoas relembrarem os tempos áureos do rock, eu acho legal por isso. Eles também são muito novos, é uma galera que eu super toparia fazer um som junto, conhecer, trocar uma ideia, fazer uma jam...


SDTK: Não dá nem pra subestimar, eles são tão novos e já tem uma técnica absurda! O Robert Plant gosta muito do Josh, o vocalista.


Föxx: Tá aprovado, né? Eu adoraria muito conhecer e tocar com o Greta.


Lucas: Teria bastante a ver com a nossa proposta.

Silver: É difícil de falar sobre esse assunto, né? Pelo motivo que ele falou que é essa visibilidade, eu super toparia trabalhar com diversas pessoas. Mas assim, um sonho, um artista que eu gostaria muito de trabalhar seria o Clapton, mas ele já não faz mais nada, então com certeza seria Rival Sons, pela parte artística mesmo. Eles não são tão famosos quanto o Greta mas eles são muito prestigiados porque por exemplo: de 10 pessoas que ouvem Greta, 5 podem não gostar. De 10 pessoas que ouvem Rival Sons, 11 gostam. É muito bom mesmo, sabe? Eles têm menos visibilidade, mas quando alguém olha e dá uma atenção, já era, virou fã. Eu particularmente não conheço uma pessoa que não gostou. Pela parte artística, pela versatilidade e pelo leque de possibilidades que poderia sair de uma jam com eles, pra mim eles são os ideais até porque eu curto muito as coisas que eles trabalham. O próprio vocalista trabalha diversas coisas com jazz, soul e outras linguagens e é uma coisa que eu gosto demais então eu adoraria explorar algo com eles.

Malerbō: Era isso que eu ia falar, eu estava pensando muito neles também, mas se fosse pra escolher um artista eu ia muito pro pessoal, principalmente por essa questão de versatilidade. Eu gostaria de trabalhar alguma música com o Oliver Sykes. Acho que seria muito legal, trazer ele pra um estilo diferente, pra ele mostrar que sabe fazer outras coisas. Ele já mostrou ao longo dos anos, mas seria legal trazer ele pra um outro estilo, que é o meu, ia ficar bem legal.

Lucas: Vocês já falaram todos! (risos). Eu juntaria os 3 numa mesma música, fazer um negócio absurdo.


SDTK: Vocês enxergam que a Down The Wood vai ter uma influência direta no cenário atual do rock nacional? Vocês têm isso em mente ou ainda estão no momento de fazer por gostar? Vocês desejam ter um impacto?

Silver: Eu acho que na base a gente faz porque a gente gosta. O pessoal até brinca que músico tem diversas carreiras: a artística e aquela mais profissional, digamos assim, algo relacionado com aulas, por exemplo. A artística é a que você faz mais por amor, a princípio. Eu espero algum tipo de impacto sim; é difícil falar algo assim e não soar arrogante, mas acho que a gente tem um potencial, tem ideias e coisas pra compartilhar em todas essas partes. Esse primeiro álbum tem essas letras “póstumas” mas tem trabalhos novos, trabalhos em que estamos muito mais focados então tem uma contribuição maior nesse ponto e até essa identidade instrumental porque é uma coisa que não tem muito: uma banda brasileira que se destaca tanto trabalhando um hard rock em inglês, você consegue contar nos dedos o pessoal que trabalha assim.

Föxx: Uma coisa que eu gosto sempre de comentar é que justamente por termos começado a trabalhar algumas músicas anos atrás existe esse sentimento de liberdade que a gente coloca nas músicas então a nossa música é feita pra gerar esse sentimento nas pessoas, você vai ouvir e pensar “Eu posso fazer tudo” e a gente sempre brinca que: a gente tira as fotos, usa “roupa de mulher”, maquiagem e essas coisas e é um tabu que está sendo quebrado e a gente gosta de explorar isso porque as pessoas julgam muito, acham estranho...o próprio Malerbō direto usa cropped e eu acho isso muito foda porque você tem que quebrar isso, eu acho legal as pessoas se sentirem livres pra fazer o que elas querem, o que elas sentem vontade, então é um pouco chato alguém, um artista em potencial, ter muita coisa pra mostrar e ela acabar se prendendo, se limitando porque as pessoas vão julgar, vão falar da forma que ele se veste, a forma que ele fala então é legal a gente começar a quebrar esses paradigmas porque a Down The Wood gosta, ela prega isso: você pode fazer o que quiser, você não precisa se limitar em termos de arte, sonoridade, visual. Outra coisa também que a gente apoia muito, que temos trabalhado ultimamente apesar das letras não terem esse foco, a gente apoia muito as causas de proteção aos animais, inclusive de 4 de nós, 3 não comem carne. Exemplo, eu uso uma jaqueta de couro, mas eu não compro, não pego nada novo, opto por um brechó, já que ninguém mais vai usar. Acho interessante começar a criar essa consciência nas pessoas, de que você não precisa fazer mal, tirar uma vida, maltratar uma vida pra você ter uma roupa ou se alimentar, é bom frisar isso porque é algo que a gente defende e acredita.

SDTK: E a música tem um poder de alcance muito grande!


Föxx: Exatamente, talvez o poder de influência que a gente tem é algo que a gente vai construindo com o tempo. A princípio é mais esse sentimento de liberdade que a gente quer passar pras pessoas: seja você mesmo e faça o que você tiver vontade de fazer. E em seguida a gente quer conscientizar as pessoas, rock n' roll não é só sexo, drogas e rock n' roll, você pode ser muito mais do que isso, sem precisar se limitar.

SDTK: As pessoas as vezes esquecem que o rock também é uma arte. E falando nisso, tem uma coisa muito interessante que gostaríamos de saber: a capa da música “Down The Wood” é bem enigmática e a gente queria saber como vocês pensaram na arte dela, se vocês tiveram alguma inspiração específica.

Malerbō: Na verdade a gente contratou um artista. Quando contratamos um artista, mandamos a música pra ele e a gente gosta que ele ponha uma reflexão dele na arte. O artista dessa capa é um artista que a gente queria trabalhar há muito tempo...a gente entrou em contato, ele gostou da música e ele foi mandando as ideias e achamos super legal. Ele usa o nome de “Travesseiro Verde”, ele é de Minas Gerais.

Föxx: E é justamente isso, é arte gerando arte. Foi algo muito orgânico. Eu não posso dizer exatamente o que a imagem representa, talvez só ele pudesse dizer. É a interpretação dele sobre o que ele pôde ouvir e captar sobre a nossa música.


Malerbō: A gente deixa a interpretação aberta pra cada uma das pessoas, pra elas ouvirem e colocarem o que elas entenderam sobre a imagem, é mais ou menos isso que a gente pede pro artista: assim ele consegue colocar em forma aquilo que ele está pensando, só que outra pessoa ouvindo a música e vendo a capa vai ter outra interpretação, vai tirar uma conclusão própria daquilo.

Silver: Arte acaba sendo algo que é impossível você não entender porque cada um tem uma interpretação.


Malerbō: Não dá pra colocar apenas um significado ou um contexto.


SDTK: Vocês trabalham especificamente com a banda ou vocês fazem outras coisas?


Föxx: A gente mostra o lado negro ou só a parte artística? (risos)

Silver: Eu atualmente estou desempregado, mas eu costumava ser técnico em eletrônica. Hoje em dia eu estou focando 100% na música, eu trabalho, (ainda não chegamos a tocar em nenhum lugar), numa outra banda onde tocamos cover de músicas de rock dos anos 70 e eu faço pra me sustentar, digamos assim, e é uma coisa gostosa de fazer também. Além disso, trabalho com aulas de violão erudito e popular e guitarra. Esse está sendo meu ganha-pão.


Föxx: Eu trabalho como assistente administrativo e eu trabalho basicamente pra viver da música (risos) porque querendo ou não é um investimento, a gente tá sozinho nessa, não tem ninguém que banque a gente, não tem um investidor, então temos esses trabalhos paralelos justamente pra poder bancar as coisas da banda. Como uma banda independente, a gente está começando, estamos divulgando nosso trabalho agora então existe essa necessidade de ter um trabalho paralelo, ainda mais quando se trata de rock e quando se trata do Brasil. Até gerar frutos demora um pouquinho, mas a gente está na caminhada, o nosso foco real é viver da nossa arte, da música, mas antes que isso seja possível a gente precisa engolir alguns sapos, precisamos passar pela parte chata das coisas, mas eu gosto do meu trabalho como assistente administrativo, numa empresa de recuperação de créditos e eu gosto de trabalhar não precisando lidar com pessoas (mais risos). Você senta no seu computador, analisa contratos e é ótimo, mas na questão de lidar com as pessoas, o meu negócio é só no palco.

Malerbō: Eu tenho outros amores além da música, ela sempre foi o principal, mas eu fui me encontrando muito no mundo da moda. Ultimamente eu estou estudando, fazendo curso de costura e me aprimorando bastante nisso, é um negócio que eu gosto de pensar que tem um futuro junto com a banda, mas eu trabalho com uma outra coisa que não tem nada a ver com música e nem moda: eu sou corretor de imóveis, não tem nada a ver (risos) mas é um trampo que eu gosto também.


Lucas: Eu também trabalho com uma coisa super nada a ver, eu instalo acessório de carro. Não tem nada a ver, mas é tudo no foco do som mesmo. A gente precisava de dinheiro pra poder investir, meu pai sempre trabalhou com essas coisas de carro e eu me envolvi porque tem um salário bom e eu decidi “me matar” pra investir tudo no som (risos) e esse é o meu foco, mas na minha vida eu sempre fui envolvido com a questão artística no geral. Eu tenho vários amigos que se envolvem com vários tipos de arte: uns dançam, uns cantam, tem gente que faz rap, tem gente que faz rock, que canta MPB então eu gosto dessa parada de ajudar a arte e todo mundo que eu apoio, quando a gente lançar o CD, pode ajudar. Tudo que está envolvido nesse meio, essas pessoas também conseguem compartilhar então eu gosto desse mundo artístico, da dança, do som, design, desenho, eu gosto de estar no meio disso.

SDTK: No campo da arte, vocês se aprofundam por meio de algum estudo específico?


Silver: Eu estudo num conservatório em São Caetano, a Fundação das Artes de São Caetano do Sul, famosinho por lá. É uma escola maravilhosa, lá você respira arte, eles não ensinam só música, também tem dança, teatro e artes plásticas. Eu estudo violão erudito e teoria da música. Mas por conta eu já comecei há muito tempo, eu estudo bastante por conta o blues e bastante coisa relacionada a MPB, jazz, bossa...essa é a minha praia, eu gosto muito de estudar essas coisas principalmente pela parte financeira e do tempo, porque é difícil se dedicar a uma instituição e outras coisas fora, mas eu pretendo, mais pra frente, estudar mais a fundo o jazz.

Föxx: Minha parte é totalmente autodidata. O que eu aprendi de música em termos de voz foi procurando na internet, principalmente na época que eu comecei a entrar nesse mundo de metalcore, eu queria muito aprender aqueles drives.


SDTK: Você sempre cantou?


Föxx: Não, na verdade não. Quando a gente formou a banda, era pra eu ser guitarrista (risos) mas acabaram tomando meu posto, e no dia que a gente foi ensaiar a única que sobrou foi o microfone.


Malerbō: E foi uma surpresa muito boa, eu não estava esperando.

Föxx: A gente já tinha tocado alguns covers aí a galera me disse “canta aí’. Eu já sabia as músicas e foi meio instintivo, foi a primeira vez que eu cantei de verdade e a galera gostou muito e disse que eu tinha que cantar e eu topei.


Malerbō: No dia eu até tinha achado que eles tinham colocado a música pra tocar porque eu não imaginava que era o Caio. O menino que tocava guitarra comigo na igreja de repente estava cantando daquele jeito, eu olhei e pensei “De onde está vindo isso?”

Föxx: Depois eu fui aprendendo mais, descobrindo como se cantava da forma certa porque isso exige um pouco mais de você, exige técnica pra você não “se estragar” então até quando a gente começou a gravar o disco o produtor perguntava: “Você consegue fazer tal coisa?” e eu falava “Não” e ele me ensinava na hora. Depois, quando saiu o resultado das músicas eu achava que não ia conseguir fazer aquilo de novo, mas eu fui estudando, procurando como funcionava isso e agora eu consigo reproduzir como fiz no disco.

Lucas: Eu também, na questão de tocar sempre foi por minha conta, eu nunca fiz nenhuma aula de bateria (até hoje), mas em questão de música eu sempre quis ouvir muita coisa, ter muitas referências. Nas outras partes artísticas eu sempre fui de experimentar, de acompanhar amigos próximos fazendo suas artes, por exemplo, algum amigo meu estava tirando fotos num evento; eu sempre queria estar junto pra ver como era, já vi amigos editando clipes, dançando, já fui em algumas peças de teatro de amigas minhas só pra estar naquele meio, pra poder tirar pra mim alguma coisa. É que o nosso foco agora realmente está sendo a banda e o que cada um faz, mas mais pra frente que quero me aprofundar em várias coisas artísticas e trazer também pra banda porque é uma coisa que dá pra expandir bastante.

SDTK: E vocês não vão usar isso SÓ pra banda, vai ser um aprendizado pra vida.


Silver: Eu particularmente gosto muito de fotografia também, eu acho sensacional. Você pode captar sentimentos numa foto. Posso ficar horas olhando pra essa foto aí atrás. Um ângulo gera outra foto.


Föxx: Eu já gosto da parte burocrática do negócio. Gosto de escrever, gosto de resolver os problemas, da parte administrativa do processo, como resolver determinada coisa pra banda funcionar, para não cair no erro. Gosto dos bastidores, da parte “chata”.

Encerrando a entrevista, eles falam também sobre a diversidade sonora que querem alcançar durante a carreira da banda.


Föxx: Nos próximos álbuns queremos mudar, explorar. Não quero me prender só ao rock n' roll, hard, metal. Queremos colocar mais elementos e instrumentos.


Silver: Tem até esse lance de misturar, o pessoal citou o Deep Purple e eles são muito do erudito. O Blackmore, o guitarrista, diluía o erudito e transformava num rock. Você sabe que é rock, mas quando ouve consegue perceber um erudito.

A exploração da voz também foi citada, prometendo novos elementos ao nosso instrumento natural no próximo disco.


Föxx: Nesse novo disco que iremos lançar, a gente brincou um pouco com esse lance da voz, algumas músicas são mais pesadas então eu explorei um gutural, um drive diferente e em nenhuma das músicas eu usei a minha voz limpa, mas é algo que nos próximos discos eu já quero utilizar, explorar as nuances da voz e agregar mais vozes. A gente não quer se limitar a uma coisa só. Down The Wood significa “descendo a lenha”, digamos assim, e é isso, a gente quer arregaçar. As pessoas podem falar que isso não é rock n' roll, mas não damos a mínima.

SDTK: Deixem uma mensagem para aqueles que não conhecem Down The Wood.


Silver: Questão profunda, hein? Acredito que a base seja a liberdade, pelo menos no primeiro álbum, para você ouvir num naqueles momentos tipo: quando coloca uma roupa e pensa “Fiquei bem, porém tenho vergonha de sair com essa roupa”. É pra você colocar e falar “Agora eu vou e já era”, nesse sentido de se sentir livre e ser você mesmo de corpo e alma.


Malerbō: A gente fala muito de quebrar padrão. Não queremos ser a banda que quebra regras, queremos quebrar padrões. Mostrar que somos livres e ser o que a gente é da forma que somos mesmo que pra isso acontecer tenhamos que quebrar algumas regras. Queremos inspirar essa liberdade.

Föxx: Só uma curiosidade. Outro dia a gente pegou um uber e estávamos indo fazer uma sessão de fotos que vai estar no disco provavelmente. Entramos todos maquiados, com roupas da avó, mãe, uns colares, etc. O cara olhou com uma cara duvidosa, não falou nada, não faltou com respeito, mas é engraçado você ver a reação das pessoas, sabe? Eu particularmente gosto de chocar, ver as pessoas com cara de interrogação. Começamos a conversar sobre música entre a gente e o cara perguntou “Vocês são músicos? ”, confirmamos, explicamos o que fazíamos e aí ele questionou “A mulherada não acha meio estranho? ” E a gente “Então… não”. É engraçado porque as pessoas já criam esse estereótipo, queremos justamente quebrar esse padrão. Não é por conta da sua roupa que você curte tal gênero, acho que não tem nada a ver.

Malerbō: A gente consegue levar isso mais facilmente com a música, mas não fazemos isso só pra ir tocar, somos assim no dia-a-dia. Eu mesmo fiz um cropped lá em casa e fui num barzinho com meus amigos e o primeiro dia que eles me viram de cropped eles me perguntaram “O que é isso, pegou da sua irmã? ” Mas não, eu que fiz e estou usando.


Lucas: O mais importante da gente poder fazer isso é que a gente alcança vários estilos de pessoas, de públicos. Podemos levar essa mensagem não só para alguém que gosta de rock, mas pra alguém que precisa ver isso, sabe? Alguém que está frustrado ou algo parecido e que vai acabar usando a gente como inspiração. Ela pode pensar “Eles são assim, olha o que eles falaram nessa música”. Outras pessoas vão querer se inspirar e quebrar esses padrões também.


@_malerba, @ledfoxx @malerb0 @ilsongiulianomota

Siga a banda no instagram: @downthewood

As músicas da banda você encontra no Youtube e Spotify.

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