• Heloísa Cipriano

SIDETRACK Entrevista: The Ophelias

Atualizado: 18 de Nov de 2019

Lembro bem quando conheci The Ophelias. Estava buscando novas músicas no Spotify, artistas escondidos (que são muitos!) dentro da plataforma de streaming. Depois de tanto garimpar, vi uma capa rosa, com um desenho curioso no centro. A primeira faixa, Fog, me prendeu no mesmo instante. O tipo de música gostosinha de se apreciar num dia ensolarado. Ouvir num campo bonito, longe da vida urbana, deve ser ainda melhor.


The Ophelias é uma banda de soft rock e pop barroco de Cincinnati, cidade localizada no Estado Norte Americano de Ohio (quem é fã aí de Glee sabe qual Estado é esse!). Surgida da época do ensino médio, a banda inicialmente de garagem é composta por Spencer Peppet (guitarrista e letrista), Micaela Adams (percussionista), Andrea Gutmann Fuentes (violinista) e Jo Shaffer (baixista). As amigas se conheceram enquanto cada uma contribuía independentemente em outras bandas, formadas por meninos, nessa cidade conhecida pela imensidão de parques.


Capa do álbum "Almost"

O estilo barroco e germânico que a própria cidade de Cincinnati esbanja influencia até mesmo no som da banda: a mistura cadente entre pop barroco e um rock discreto são características únicas que fazem a banda ser reconhecida. Sabe quando se ouve uma música e sabe que é de tal banda? É assim que acontece com The Ophelias.


No Spotify, a definição da música das moças de Cincinnati é oriunda de variações, como garage rock, surf e ópera (essa última acredito que seja por causa do uso do violino). As influências, portanto, são várias, e os estilos de cada integrante também: Spencer tem uma voz encantadora, e ao mesmo tempo provoca o rock suave com a guitarra nas canções; Micaela trabalha com as batidas rítmicas que só o instrumento de percussão consegue proporcionar; Andrea traz elegância à banda com o violino e Jo, o rapaz que entrou no posto inicialmente de Grace Weir, junta tudo isso com o baixo ao fundo.


Descoberta


Foi no ano de 2015, que o músico alternativo americano de hip hop e indie rock Yoni Wolf descobriu a banda tocando em um Festival de 4 de julho (Dia da Independência dos EUA) em Cincinnati. Ele bateu o olho nas quatro, na época adolescentes, e se identificou com o som que faziam que, segundo ele, remetia a uma mistura de underground britânico do final dos anos 90 e início do anos 2000. Sentiu influências de Velvet Underground, e punk suave, como de Hood, Movietone e Crescent. Mais tarde, o cantor ouviu algumas das músicas do debut Creative Nature (2015), e ficou anestesiado com letras e arranjos de The Ophelias. Não pensou duas vezes: em 2017, convenceu sua gravadora a lançar o LP já gravado de estreia Creature Native (2015) de The Ophelias e produziu o segundo álbum da banda, Almost (2018), lançado pela gravadora independente Joyful Noise Recordings.


Atualmente, a banda conta com a presença de Jo Shaffer no baixo. Segundo a própria banda, o motivo da troca é de que Grace agora está passando por uma fase fora, se concentrando em seus estudos, e não pôde participar dessa nova turnê da banda. Jo Shaffer, inclusive, é namorado de Spencer! E cá entre nós, eles são super cute nas redes 🥰


Que tal conhecer mais sobre The Ophelias com as palavras diretamente vindas da banda? Conversamos com a guitarrista e letrista, Spencer Peppet, e você pode dar um confere a seguir no que ela nos contou.



SDTK: Contem um pouco pra gente sobre a história da banda, desde como ela foi formada até o momento atual. Vocês se conheceram como e quando? E qual a inspiração para o nome The Ophelias?


Spencer: O The Ophelias passou por algumas renovações. Começamos como um grupo feminino em Cincinnati (Ohio) em 2015, quando ainda estávamos no ensino médio. Desde então, nos transformamos em um projeto de estilo mais coletivo, com várias formações diferentes ao vivo. Isso nos permite mais liberdade para explorar os sons em cada uma das músicas. O nome da banda vem do personagem de Hamlet, Ophelia, que é uma das minhas personagens favoritas.


SDTK: Vocês usam vários tipos de instrumentos, um deles que dá diferença na sonoridade da música e lhes confere identidade é o violino. De onde veio essa ideia de introduzir esse instrumento na banda? Vocês gostam de inovar com diferentes sons?


Spencer: Andrea, nossa violinista, é um membro essencial desde o começo. Ela é uma violinista com formação clássica, mas seu gosto musical é super variado, então as partes [das músicas] que ela cria trazem uma tonelada de gêneros diferentes. Todos ouvimos músicas bem diferentes, então eu acho que isso contribui para a diferença de sons que se juntam em nossas músicas.


SDTK: Vocês fazem shows em vários locais dos EUA. Vocês já pensaram em fazer turnês para outros países? E aqui pro Brasil, têm vontade de visitar?


Spencer: Nós adoraríamos fazer turnês em outros países! Ainda não tivemos a oportunidade, mas super toparíamos.


SDTK: Vocês tem dois álbuns de estúdio, certo? Criature Native, de 2015, e Almost, de 2018. Achei o primeiro álbum mais sério que o segundo, que tem tons mais alegres na sonoridade e nas letras. Como vocês definem ambos os álbuns? Sinto também certa influência de David Bowie, especialmente em General Electric; além de lembrar um pouco Fleetwood Mac e The Velvet Underground. Quais as influências de vocês para compor os álbuns?


Spencer: O Creature Native foi minimalista por necessidade, já que o gravamos em uma sala de estar sem experiência prévia. Adicionamos várias instrumentações ao Almost, o que eu acho que ajuda a torná-lo um pouco menos sombrio. Eu diria que a letra de ambos os álbuns é igualmente séria, embora eu ache que isso seja um pouco mascarado pelos instrumentos no Almost. Temos muitas influências e gostamos de contar com vários gêneros diferentes. Minhas principais influências pessoais são Joanna Newsom e (Sandy) Alex G, as principais influências da nossa baterista Micaela são Paramore e Jodi, Andrea ama Andrew Bird e Esperanza Spalding, e nosso baixista Jo ama Robert Johnson e Perfect Pussy. Há muita coisa acontecendo!


Ouça The Ophelias também no Spotify.


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