• Letícia Lucena

“SOUR”, de Olivia Rodrigo é uma impressionante estreia de uma das artistas mais consagradas de 2021

Com tamanho sucesso tanto de público quanto de crítica, os frutos que “SOUR” dará à Olivia Rodrigo de agora em diante não serão nada azedos.

Considerando que a era de ouro de “Disney acts”, que revelou ao mundo nomes como Miley Cyrus, Selena Gomez, Demi Lovato e Jonas Brothers, acabou no início da década passada, uma coisa é certa: nem o maior dos otimistas teria previsto o fenômeno que Olivia Rodrigo se tornaria em 2021 quando a jovem de 18 anos lançou seu primeiro single fora da trilha sonora de High School Musical: The Musical: The Series, “driver’s license”. Lançada na primeira semana de janeiro, a canção com belíssimos vocais e letra confessional sobre o relacionamento com o ator Joshua Bassett, e uma possível referência à atriz Sabrina Carpenter, chamaram a atenção de um público muito maior do que o esperado (afinal, quem não ama uma fofoca, não é mesmo?), fazendo-a quebrar vários recordes como o de maior número de streams por dia para música de uma mulher no Spotify dos Estados Unidos. Após tanto sucesso com apenas uma música, a pergunta que não queria calar era: qual seria o próximo passo de Olivia?


O próximo passo da cantora foi duplo, com o lançamento do single “deja vu” e o anúncio de seu primeiro álbum, entitulado “SOUR”. Apesar de não ter o mesmo impacto que “driver’s license”, “deja vu” também conseguiu se consolidar nos charts e conquistar a simpatia do público com sua atmosfera californiana (onde a cantora nasceu e cresceu), referências pop como Glee e Billy Joel e backing vocals harmonizados, que segundo Olivia, foram inspirados em “Cruel Summer” de Taylor Swift, de quem a cantora já disse ser muito fã. Para aumentar a expectativa para o lançamento do álbum, Olivia Rodrigo não poderia ter escolhido uma canção melhor: “good 4 u”, lançada uma semana antes do disco pegou de surpresa tanto quem já a acompanhava de seus lançamentos anteriores, quanto quem ainda tinha um certo ceticismo em relação à cantora. Extremamente bem executada, “good 4 u” mostra a versatilidade de Olivia ao entregar um pop-rock raivoso como tínhamos nos anos 2000 que fez falta nos charts por muitos anos, e é um alívio vê-lo voltar ao mainstream não só pelas mãos dela, como também de Willow Smith, Miley Cyrus e Pale Waves ao trazer de volta uma era de mulheres indo além da música pop, flertando com Avril Lavigne, Paramore, e outros nomes que influenciaram o gênero.


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Lançado por completo na última sexta-feira (21), “SOUR” se inicia no mesmo tom de rebeldia que “good 4 u” preparou o público para receber. “brutal”, primeira faixa do álbum relembra bandas de punk rock como Elastica e Hole, trazendo em sua composição várias inseguranças da cantora que são reafirmadas em outras faixas, como “1 step forward, 3 steps back”, que juntamente com “traitor”, segunda faixa do álbum, traz um lado mais vulnerável de Olivia Rodrigo, onde ela conta sem muitos eufemismos sobre o seu mais recente término.


Das onze faixas, apenas duas não são sobre Bassett, o que de forma alguma seja um problema, uma vez que foi um fato que a marcou de certa forma, e como ela mesma disse em entrevista ao jornal britânico The Guardian: “Sou uma adolescente, escrevo sobre coisas que sinto muito intensamente, e acho que isso é autêntico e natural. Eu realmente não entendo sobre o que as pessoas querem que eu escreva; você quer que eu escreva uma música sobre imposto de renda?", rebatendo críticas às suas letras confessionais. Apesar do tema proposto para o álbum, é interessante ver músicas como “jealousy, jealousy”, que fala sobre como as redes sociais podem afetar a auto estima de uma pessoa jovem, e “hope ur ok” integrarem o disco, pois mostram a versatilidade da cantora ao abordar outros temas e uma possibilidade do que poderemos ver de seus próximos trabalhos. Em especial, “hope ur ok” é uma brilhante escolha para fechar o “SOUR”. Deixando a acidez de lado, dessa vez ela se coloca como coadjuvante da narrativa e demonstra empatia com as pessoas que enfrentam diariamente suas próprias batalhas contra a intolerância e deseja à estas pessoas, de onde quer que elas estejam, que elas estejam bem.


“Sou uma adolescente, escrevo sobre coisas que sinto muito intensamente, e acho que isso é autêntico e natural. Eu realmente não entendo sobre o que as pessoas querem que eu escreva; você quer que eu escreva uma música sobre imposto de renda?"
— Olivia Rodrigo para The Guardian

Assim como qualquer outro artista que está chegando na indústria, é comum que o público busque saber de onde vem as influências deste novo trabalho, e em “SOUR”, além dos nomes já consolidados citados acima, também podemos perceber influências de artistas em ascensão como Lorde e Conan Gray. O sucesso deste álbum, ainda mais sendo uma estreia, foi possível graças a uma série de fatores: além das influências muito bem definidas, a divulgação orgânica principalmente pelo TikTok, e a forma como Olivia conta sua história de forma tão honesta, a ponto de fazer com que as canções sejam extremamente relacionáveis, com certeza foram determinantes para este fenômeno, e apesar de já existir esse tipo de crítica sobre a artista, ainda é muito cedo para dizer que ela é apenas uma compositora de musicas de fim de relacionamento, afinal este é apenas o primeiro álbum lançado por ela. Com tamanho sucesso tanto de público quanto de crítica, os frutos que “SOUR” darão à Olivia Rodrigo de agora em diante não serão nada azedos.


NOTA: 8.8/10

Ouça ao álbum “SOUR”, de Olivia Rodrigo na íntegra:




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