• Letícia Lucena

LIVE REVIEW: Twenty One Pilots: The Bandito Tour @ Lollapalooza Brasil

Foto: Brad Heaton

A era Trench marca uma nova fase para o Twenty One Pilots: é o primeiro trabalho após a era Blurryface, que os colocou no topo dos charts mundiais, o terceiro pela Fueled By Ramen, gravadora que assina o trabalho da banda desde 2013 com o aclamado Vessel, e o quinto da história do grupo, considerando os dois primeiros álbuns, lançados independentemente, Twenty One Pilots e Regional At Best.

O novo álbum é uma celebração de todas as eras da banda, pois soma tudo de melhor dos quatro primeiros álbuns. As letras mais profundas e raps mais lentos dos dois primeiros álbuns, a identidade marcante na voz de Tyler Joseph (vocais/baixo/piano/ukulele) que ganhou forma a partir de Vessel, e a mistura de ritmos e gêneros que fez do Blurryface o álbum de maior sucesso da dupla até então. Em Trench somos introduzidos ao universo de Dema através dos três primeiros singles lançados, Jumpsuit, Nico and the Niners e Levitate. A mitologia primeiramente apresenta Dema, uma prisão que mantém Tyler confinado, os nove bispos que o mantém preso, sendo uma manifestação do Blurryface, e também aos Banditos, liderados por Josh Dun (bateria), que fazem o possível para salvar Tyler do isolamento.

Saindo de Dema e chegando à São Paulo num domingo nublado, o portão A do autódromo de Interlagos não era para o Lollapalooza. Aquela era especificamente a fila para o show do Twenty One Pilots. O último dia de festival teria grandes atrações como Kendrick Lamar e Years and Years como headliners, mas certamente nenhum deles colocou uma multidão vestida de amarelo reunida às 7 da manhã à frente do portão que só abriria às onze.


Enquanto o tempo passava, várias pessoas que andavam ali por perto se perguntavam o porquê de estarem todos vestidos daquele jeito, colando fitas amarelas pela roupa, cantando em uníssono e tirando fotos nos cartazes (também amarelos) nos muros do autódromo, era quase possível ver pontos de interrogação em cima de suas cabeças, e ao contrário do que muitos acharam, o traje não foi combinado pelos fãs através das redes sociais: todos já tinham consciência do dress code sem precisar de mobilização online: esse é o poder de Trench e do Twenty One Pilots.


Após muita correria, lama e lugares já adquiridos diante do Palco Onix, apenas algumas horas separavam o clique de um momento ímpar. Com toda a estrutura montada (que além da bateria, piano e percussões também incluía um carro pegando fogo), era hora de dar boas vindas a Trench. Acompanhado de um instrumental de Heavydirtysoul, Josh Dun aparece no escuro e é iluminado em amarelo por sua tocha e pelas luzes acendidas pela multidão, anunciando o início do espetáculo com os primeiros acordes de Jumpsuit tocadas no baixo de Tyler.

Foto: Brad Heaton

Da sua própria maneira tímida e contida, Tyler Joseph esbanja simpatia o tempo inteiro durante a uma hora e meia compartilhada com o público brasileiro: cumprimentando e agradecendo aos fãs que chegaram cedo para ficar na grade, e sempre garantindo que o público se sentisse acolhido.


Existem uma série de momentos icônicos durante a apresentação que se repetem durante a turnê: Tyler indo ao vão entre o público (fazendo referência ao clipe de Levitate) para cantar o rap de Nico and the Niners, sendo erguido pela multidão no início de Holding on to You, e subindo na estrutura de metal mais alta disponível ao final de Car Radio. Josh também tem seus momentos de interação com o público, arriscando algumas palavras em português, fazendo uma batalha de baterias com uma projeção de si mesmo caracterizado com as cores da era Blurryface (spoiler: o Josh da era Trench ganha a batalha), o backflip em cima do piano, e o momento em que leva sua drum island para ser erguida pelo público durante seu solo em Morph. Para aqueles que acompanham fielmente o trabalho do duo, estes são momentos de total importância, e não seria um show completo sem eles.


Apesar de todo o conceito do novo álbum presente, os hits dos trabalhos anteriores não são deixados para trás. De volta com o kimono florido, e os óculos brancos e redondos, We Don't Believe What's on TV, Lane Boy, Ride e Stressed Out para a alegria dos fãs, foram as escolhidas para seguir na setlist da Bandito Tour, enquanto que Chlorine, o último single lançado até então, e Cut My Lip foram as adições mais recentes ao set dos Pilots.


Como é de costume desde 2012, Trees marca o fim do espetáculo. Ambos terminam junto ao público, cada um com um tambor e acompanhados de uma chuva de papel amarelo, dando o final perfeito para o concerto perfeito. Uma das partes mais interessantes de todo o show é ver como cada pessoa lida com a experiência ali testemunhada. Quem não era familiarizado com a banda, seja vendo da área VIP, lá do fundo ou até mesmo de casa pela televisão, acabou sendo conquistado ali mesmo, não só pela banda, mas também pelo público que deu um show a parte com suas fitas, bandanas e roupas camufladas, fazendo jus ao que Tyler diz ao final de cada um de seus shows: "nós somos o Twenty One Pilots, e vocês também".


SETLIST
  1. Jumpsuit

  2. Levitate

  3. Heathens

  4. We Don't Believe What's on TV

  5. Lane Boy

  6. Nico and the Niners

  7. Holding on to You

  8. Ride

  9. Stressed Out

  10. My Blood

  11. Cut My Lip

  12. Morph

  13. Car Radio

  14. Chlorine

  15. Trees



Foto de capa: Letícia Lucena

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