• Letícia Lucena

“Who Am I?”, do Pale Waves é uma empolgante mistura entre nostalgia, aceitação e empoderamento

Segundo álbum do quarteto de Manchester é uma carta de amor à diversidade, ao amor próprio, e ao pop-rock dos anos 2000.

Sempre há muita expectativa em relação ao segundo álbum de uma banda ou arista solo, principalmente quando o primeiro trabalho já estabeleceu um nível alto, e essa é a situação do Pale Waves. O quarteto originário da cidade de Manchester formado por Heather Baron-Gracie (vocais), Hugo Silvani (guitarra), Charlie Wood (baixo) e Ciara Doran (bateria), ficou quase três anos sem grandes lançamentos desde seu debut, o álbum “My Mind Makes Noises”, lançado em 2018, fortemente influenciado pela new-wave oitentista, e que que alcançou o top 10 nas paradas britânicas na época. O próximo passo da banda, lançado recentemente no último dia 12 de fevereiro, é o álbum “Who Am I?”, uma verdadeira carta de amor à diversidade e ao amor próprio.


A nova era do Pale Waves bebe de várias fontes, mas uma em especial chama mais a atenção, o pop-rock dos anos 2000, mais especificamente, a nossa eterna princesa do rock Avril Lavigne: a presença de uma faixa chamada “Wish U Were Here”, e até mesmo a pose de Heather na capa do disco (muito parecida com a de Avril no álbum “Let Go”) não nos deixa mentir. Além da imersão no pop, punk e rock característicos do novo milênio, também é possível encontrar em “Who Am I?” influências mais contemporâneas, como nos amigos de longa data da banda e conterrâneos de Manchester, The 1975, e também em Taylor Swift, principalmente na faixa “Odd Ones Out”. É evidente que este é um álbum muito significativo na trajetória da banda, considerando que neste tempo entre lançamentos, Ciara se assumiu como uma pessoa trans não-binária, logo depois, inspirada por este gesto, foi a vez de Heather se assumir publicamente como lésbica, e isso reflete nas composições da frontwoman, que pela primeira vez utiliza de pronomes femininos em uma canção, “She’s My Religion”.


“Change”, primeira faixa do disco, também foi o primeiro gosto que o público pôde sentir do novo disco, lançada como lead single em novembro de 2020, uma faixa cativante que caberia perfeitamente em qualquer clássico estrelando Lindsay Lohan ou Amanda Bynes. Em termos de produção, vários elementos também remetem bastante ao que era tendência na época, como o fade in no início da faixa, e um outro em acústico, trazendo-nos uma sensação de nostalgia, mesmo que ouvindo a canção pela primeira vez. Além dessa, “Easy” e a excelente “I Just Needed You” também investem nessa estética nostálgica e romântica. Duas faixas que se destacam pela composição são “Tomorrow” e “You Don’t Own Me”, que deixam o romance de lado e se mostram como hinos de auto aceitação e empoderamento. Também em “Tomorrow” a vocalista abre mão do protagonismo para dar voz à outras histórias (outra influência de Taylor Swift? Talvez).


“Who Am I?” se encerra com a faixa-título, uma canção mais lenta conduzida pelo piano. O Pale Waves entrega com esse álbum um trabalho muito mais íntimo e relacionável, limpo e direto, sem grandes rodeios ao transmitir a mensagem desejada. E claro, para quem viveu de perto a música dos anos 2000, um prato cheio de nostalgia de qualidade.


NOTA: 8,2/10

Ouça ao álbum “Who Am I?” na íntegra!



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